Na última sexta-feira (24), Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), se reuniu com o presidente do banco, Carlos Vieira, para cobrar mais transparência e revisão dos critérios adotados no pagamento do Bônus Caixa e do programa Super Caixa.
Estiveram presentes no encontro a representante dos empregados no Conselho de Administração do banco, Fabiana Uehara; a diretora da Apcef/SP, Fernanda dos Anjos e do diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília, Guilherme Simões. Pela Caixa também participaram a Assessora Estratégica da Presidência, Salete Cavalcanti; a Vice-Presidente de Pessoas (Vipes), Adriana Velloso e o representante da Vice-Presidência de Varejo (Vivar), Hugo Kaneshiro.
Foram apresentados relatos de empregados que apontam inconsistências nos critérios de avaliação e pagamento dos programas, além de situações em que trabalhadores se sentiram prejudicados ou não contemplados.
Sergio Takemoto defendeu que os programas sejam debatidos de forma coletiva e que reforçou que a atuação das entidades é uma resposta direta às demandas dos empregados. “Não dá para aceitar que a Caixa imponha, de forma unilateral, critérios de pagamento e avaliação. Queremos transparência, critérios justos e, principalmente, participação das entidades representativas na construção desses programas”, afirmou.
O presidente da Fenae também ressaltou que o papel das entidades não substitui a mesa formal de negociação. Takemoto também enfatizou que as entidades querem qualificar o debate e garantir que tudo aquilo que impacta os empregados seja discutido com suas representações legítimas.
Para Fabiana Uehara, a principal cobrança é por critérios objetivos e comunicação mais transparente. “Falta um parâmetro claro. Quando isso não existe, a expectativa dos empregados é frustrada. Precisamos entender quais são os critérios, como são feitas as avaliações e por que há casos de pessoas que não receberam o bônus”, pontuou a representante dos empregados no CA do banco. Ela também destacou a importância de a empresa dar retorno estruturado às agências e aos trabalhadores sobre os resultados dos programas.
Os representantes levaram vários casos recebidos por meio de grupos, e-mails e chamados abertos de situações em que os empregados não perceberam justiça ou clareza nos critérios adotados. Também há uma percepção de tratamento distinto entre o Bônus Caixa e o Super Caixa, o que tem gerado dúvidas e frustração entre os trabalhadores.
Para André Tosta, diretor do Sindibancários/ES, esses programas demonstram como a Caixa tem tratado de forma desrespeitosa e sem diálogo os empregados da Caixa. “O Super Caixa, por ter alterado as regras do programa no meio de sua vigência, fazendo com que colegas que fizeram vendas e entregas visando um retorno financeiro que foi acordado com eles através do programa e agora, após as entregas realizadas, não tem mais a contrapartida que foi prometida a eles. E o Bônus Caixa, pela Caixa ter feito o pagamento dessa bonificação sem apresentar as formas de cálculo e os critérios de habilitação, fazendo com que colegas de áreas distintas tivessem bônus bem discrepantes e bem diferentes uns dos outros”, afirmou.
“Essa postura mina do empregado da Caixa, o seu empenho, a sua motivação e também mostra uma postura irresponsável do banco com relação ao seu corpo funcional”, finalizou André.
Um dos encaminhamentos da reunião foi a retomada do grupo de trabalho que vinha analisando casos relacionados ao Super Caixa, especialmente aqueles que tiveram contestação ou não receberam o pagamento. A Caixa também sinalizou a possibilidade de reavaliar o programa ainda este ano.
A direção da Caixa reconheceu a necessidade de avançar no diálogo e indicou a criação de um fórum permanente para tratar do tema, além da retomada do grupo de trabalho. O presidente Carlos Vieira afirmou que o banco está em processo de ajuste das métricas e que o objetivo é corrigir distorções.
“Esse é um tema que vai ocupar nossa Campanha Salarial. Inclusive, no nosso congresso estadual, foi aprovado exigir que a Caixa assegure o acordo que ela pactou, pois não tem sentido as pessoas venderem e não serem remuneradas por isso. A gente quer que a Caixa zere esse passivo na negociação, evidente, mas se for necessário a gente vai ajuizar”, ressaltou Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES.
Com informações da Fenae.

