CEE/Caixa cobra novo PFG, novo PCS e critérios transparentes para o PSI

23/07/2026 18:21

Terceira mesa de negociação específica com a Caixa também debateu atendimento figital, Genesys, metas, assédio, adoecimento, diversidade e Saúde Caixa

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal cobrou, nesta quinta-feira (23), em São Paulo, avanços concretos nas cláusulas de condições de trabalho durante a terceira mesa de negociações específicas com o banco, dentro da Campanha Nacional dos Bancários 2026. O debate priorizou a necessidade de atualização da estrutura de carreira da Caixa, com novo Plano de Funções Gratificadas (PFG), novo Plano de Cargos e Salários (PCS) e regras objetivas, transparentes e democráticas para os Processos Seletivos Internos (PSIs).

O diretor do Sindibancários/ES e integrante da CEE , Ronan Teixeira, falou sobre os pontos discutidos nesta rodada. “Foi uma mesa extensa, debatemos sobre condições de trabalho e a necessidade da Caixa fazer uma revisão profunda e que dialogue com os trabalhadores Em relação ao PCS e ao PFG, enfatizamos que é preciso construir novas alternativas, porque o que temos hoje estão totalmente defasados, não valorizam os trabalhadores e ainda geram insegurança, sobrecarga e adoecimento. Há técnicos bancários que ainda estão no PCS de 1998”, pontuou.

A CEE/Caixa ressaltou a importância da mesa única de negociações e da presença da Caixa na mesa com os demais bancos e lembrou que a CCT garante uma base comum de direitos para toda a categoria. Ela também reforçou que as mudanças na organização do trabalho, nas funções e nos sistemas de avaliação e remuneração não podem continuar sendo feitas de forma unilateral pelo banco.

Segundo a representação dos empregados, o tema está diretamente ligado às cláusulas dos Acordos Coletivos de Trabalho específicos da Caixa, à Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária e à minuta de reivindicações apresentada na Campanha Nacional 2026. A cobrança é para que o ACT incorpore garantias capazes de impedir perdas de direitos, distorções nas funções, acúmulo de tarefas que causam sobrecarga e adoecimento.

PSI 

Outro ponto central foi o PSI. A CEE/Caixa defendeu que os processos seletivos internos respeitem princípios de transparência, impessoalidade, objetividade e diversidade, com regras conhecidas previamente e participação de bancas examinadoras representativas da diversidade no banco.

A Caixa informou que há estudos em andamento sobre PFG, PCS e PSI e se comprometeu a buscar informações para apresentar à mesa. Para a CEE/Caixa, no entanto, é fundamental que esses estudos sejam compartilhados com as entidades sindicais, para serem debatidos antes de qualquer implementação.

Teletrabalho 

A representação dos empregados também voltou a cobrar a inclusão de cláusula específica sobre teletrabalho no ACT da Caixa,com regras claras, universais e negociadas para a modalidade. A reivindicação é que os empregados que atuam na modalidade de teletrabalho  tenham os mesmos direitos de quem trabalha presencialmente, como respeito à jornada, direito à desconexão, estrutura adequada, ajuda de custo e atenção à saúde. Os representantes dos empregados destacaram que é preciso atender as demandas específicas de cada área, inclusive como forma de manter profissionais qualificados na Caixa. Os bancários da área de tecnologia, por exemplo, reivindicam trabalho 100% remoto.

Genesys e atendimento figital

A CEE/Caixa fez duras críticas ao modelo de atendimento “figital”, no qual empregados das unidades físicas precisam conciliar o atendimento presencial com demandas digitais, por meio da ferramenta Genesys. Da mesma forma foi cobrado que não haja punição no programa de desempenho da unidade (Alcance.Caixa).

Para a representação dos empregados, o modelo amplia a pressão, prejudica o atendimento à população, interfere nos indicadores de desempenho e contribui para o adoecimento. A CEE cobrou que a Caixa apresente estudos sobre os impactos do Genesys e do atendimento presencial simultâneo, inclusive à luz da NR-1, com informações sobre o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventário de riscos, medidas de prevenção e acompanhamento pelas CIPAs.

“Exigimos que tenha no ACT uma cláusula de barreira que impeça essa sobrecarga de trabalho. É inadmissível que os bancários e as bancárias sejam obrigados a atenderem a fila da agência ao mesmo tempo em que têm que dar conta de responder as demandas digitais. Isso é, no mínimo, desumano e tem levado ainda mais bancários para o buraco do adoecimento mental”, enfatizou Ronan Teixeira, que representa a Fetraf-RJ/ES na CEE Caixa.

Diversidade

Na mesa desta quinta-feira, a Caixa apresentou parte dos dados sobre diversidade cobrados pela representação dos empregados na primeira rodada de negociação específica. Entre os números apresentados, estão informações sobre representação feminina, distribuição racial por nível hierárquico e designações para chefia de unidade.

Os dados mostram que as mulheres são 44,25% do total de empregados, mas ocupam apenas 29,12% das chefias de unidade. Nas designações para chefia de unidade em 2026, as mulheres representam 40,91%, contra 59,09% de homens. O tempo médio para atingir a primeira chefia também é maior para elas: 4.375 dias, contra 3.913 dias para os homens.

A apresentação também indicou sub-representação de pessoas negras em níveis de chefia. No total da Caixa, pessoas pardas aparecem como 24,20% e pessoas pretas como 4,11%. Na chefia de unidade, os percentuais caem para 21,09% e 3,21%, respectivamente.

A Caixa também apresentou proposta de cláusulas sobre Equidade de Gênero, Diversidade e Inclusão. Para a CEE/Caixa, a proposta é um ponto de partida que será analisada pela representação dos empregados.

Saúde Caixa: fim do teto permite 70/30 e dá sustentabilidade ao plano

No debate sobre o Saúde Caixa, a Caixa apresentou novos dados sobre adesões, cancelamentos, perfil da base e composição dos beneficiários. Entre 2023 e fevereiro de 2026, o banco apontou 20.056 adesões, 35.446 cancelamentos e saldo líquido negativo de 15.390 vidas no plano.

A apresentação também trouxe informações sobre empregados contratados após 2018. Dos 13.929 empregados nessa condição, 12.324 estão no Saúde Caixa, o que representa 88,5% da base. Outros 916 nunca aderiram e 689 cancelaram o plano. A CEE/Caixa reforçou que negar a esses empregados o direito de levar o Saúde Caixa para a aposentadoria, com participação da Caixa no custeio, quebra o pacto intergeracional que sustenta o plano.

O ponto de maior destaque, porém, foi o reconhecimento, pela Caixa, de que o fim do teto de gastos do banco com a saúde do seu quadro de pessoal permite a retomada do modelo de custeio 70/30, no qual 70% dos custos são arcados pela Caixa e 30% pelos empregados, garantindo sustentabilidade ao Saúde Caixa por pelo menos dois anos. A afirmação é importante, mas não significa que o banco tenha assumido compromisso de retirar o teto de seu estatuto.

“A retomada do modelo 70/30, que garante o equilíbrio do Saúde Caixa, só é possível com a retirada do teto. A própria Caixa reconheceu isso na mesa, mas não significa que o banco tenha dito que vai retirar o teto. Por isso, a mobilização dos empregados é decisiva para termos esse direito garantido”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.

Dia de luta 

A representação dos empregados reforçou a convocação para o Dia Nacional de Mobilização em defesa do Saúde Caixa e por melhores condições de trabalho, que será realizado na próxima segunda-feira (27), em todo o país.

A próxima reunião de negociação específica com a Caixa será realizada no dia 31 de julho, em São Paulo.