Representantes do Sindicato dos Bancários/ES e do Banestes se reuniram nesta sexta-feira (24) para mais uma rodada de negociações. Essa segunda rodada discutiu as cláusulas econômicas da minuta. A discussão sobre as perdas salariais históricas dos empregados do Banestes tomou toda a manhã. O Sindicato apresentou as perdas acumuladas de 1996 a 2025 que chegam a 33,31%. As maiores defasagens ocorreram no final da década de 1990. Entre 1996 a 2001, exceção a 1997, o Banestes reajustou os salários abaixo do índice da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Em três anos, 1996, 1998 e 1999, o Banestes simplesmente zerou o reajuste. Nos anos de 2004 e 2008 também houve perdas em relação à Fenaban. O coordenador-geral do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), ressaltou que primeiramente a instituição Banestes deve reconhecer as perdas. “Em seguida, queremos discutir com o banco um plano de recomposição dessas perdas”
O dirigente introduziu o tema fazendo uma reconstituição histórica do final dos anos 1990. Carlão lembra que em 1996, o banco comunicou que não poderia dar reajuste e pediu a compreensão dos empregados. Isso voltou acontecer 1998 e 1999 e nos outros anos em que houve reajuste abaixo do índice da Fenaban. “Havia uma promessa de que a recomposição seria feita assim que o banco voltasse a operar no azul. Essa promessa até hoje não foi cumprida, mas não vamos parar de cobrar essa dívida financeira e moral que o Banestes tem com seus empregados e empregadas”.
Carlão afirmou que essas perdas históricas se refletem tanto nos salários dos empregados mais antigos como dos novos. “A massa salarial do Banette é inferior à dos bancos públicos federais, dos seus pares estaduais e até mesmo dos bancos privados. O Banestes alegava que não podia repassar os índices da Fenaban porque estava no vermelho. A contrapartida dos empregados foi abrir mão, naquele momento, dos reajustes, mas ninguém se comprometeu em anistiar essa dívida. A proposição do Plano de Cargos e Salários era uma boa oportunidade para o Banestes começar a mitigar essas perdas históricas. Mas o modelo apresentado pelo Banestes é rebaixado em termos salariais e distante da realidade de mercado”.
Salários defasados
A dirigente Renata Resende usou sua experiência de 15 anos trabalhando em agência para expor a realidade da defasagem salarial no dia a dia. Ela conta que durante alguns anos assumiu interinamente a função de gerente administrativo, surpreendeu-se com o baixo valor da comissão. Citou também o caso de outros colegas que ocupam cargos de gerente atualmente e também se queixam da baixa remuneração em relação ao mercado. “Conheço o caso de uma colega que está no banco há 40 anos como caixa. Seus vencimentos brutos não passam de 9 mil reais”. Estamos falando de quatro décadas de banco”.
Como exemplo comparativo, Renata citou os salários pagos pelo Banrisul e BRB. No exemplo abaixo, um gerente de negócios sênior do BRB ganhou em junho último bruto R$ 24.309,63. Chama a atenção a gratificação da função, que beira R$ 15 mil.

Um caixa no BRB ganhou bruto em junho R$ 13.419,85. Gratificação da função: R$ 3.696,95.

Já um advogado do BRB recebeu bruto R$ 33.335,39. A remuneração básica foi de R$ 30.818,06.

No Banrisul, o degrau salarial em relação ao banco capixaba também deve causar indignação aos banestianos. Abaixo, os valores de algumas funções aleatórios da folha de pagamento de junho deste ano. Para quem quiser checar mais a fundo as diferenças, clique aqui para acessar os demonstrativos do BRB e aqui para ter acesso à folha do Banrisul.

“Comparando os demonstrativos, percebemos que as remunerações pagas pelo Banestes para as mesmas funções ou equivalentes estão muito abaixo. Eu olho para o salário que eu recebia como gerente interina e percebo que eu ganhava o salário de técnico bancário de outros bancos”, lamentou Renata.
Marcelo Giacomin também reforçou a necessidade de o Banestes apresentar um plano para reparar as perdas. O dirigente do Sindibancários afirmou que as perdas não impactam somente os empregados mais antigos. “Os novos já entram no banco com um salário de entrada rebaixado. Se o Banestes tivesse repassado os mesmos reajustes da Fenaban, hoje o salário de um Técnico Bancário seria de R$ 5.775,16 contra o R$ 4.332,00 atuais – uma diferença de R$1.443,16. Essa diferença reduz significativamente o poder de compra do banestiano, além de ser carregada ao longo da carreira. No final do seu ciclo laboral, o empregado irá sentir os efeitos dessas perdas na aposentadoria”.
Ultratividade
Carlão cobrou também uma posição do Banestes em relação à ultratividade, que é a regra que garante a validade de um acordo ou convenção coletiva de trabalho mesmo após o fim do seu prazo oficial de vigência, mantendo os direitos ativos até que um novo acordo seja assinado. No caso da categoria bancária, o atual ACT é válido até 31 de agosto. Como ainda há muitas pautas a serem discutidas, Carlão reiterou sobre a necessidade de o Banestes manter o atual ACT até que as negociações sejam concluídas. O dirigente afirmou que isso traria mais tranquilidade para o andamento das negociações sem a pressão do calendário.
Apesar das ponderações do Sindicato, o advogado Márcio Amorim Campos Bomfim, que está coordenando a comissão de negociação pelo Banestes, afirmou que não há necessidade de fazer essa discussão neste momento. Ele disse que a diretoria do banco prefere discutir a ultratividade mais para frente, caso seja necessário.
Carlão também cobrou um retorno do Banestes sobre as demandas abertas nas reuniões anteriores. O dirigente pediu uma posição do banco sobre o processo seletivo, que está em desacordo com o ACT vigente; e também indagou sobre as proposições do Sindicato em relação a regulamentação das demissões sem justa causa.
Sobre as demissões sem justa causa, Márcio afirmou que a direção do Banestes deve se posicionar na reta final das negociações. Em relação ao processo seletivo, o advogado prometeu que apresentará a devolutiva do Banestes na próxima reunião, dia 31 de julho.
Ato no Palas Center antecedeu rodada desta sexta-feira
Horas antes do início da rodada de negociações que discutiu as cláusulas econômicas da minuta, dirigentes do Sindicato fizeram um ato em frente à sede do Banestes, no Centro de Vitória. Durante o ato os dirigentes distribuíram aos bancários e bancárias um texto apresentando as perdas acumuladas da categoria.
Abaixo, reproduzimos a tabela que faz uma retrospectiva das perdas acumuladas de 1996 a 2025.

* Em 2004, a Fenaban concedeu um reajuste variável de 8,50% a 12,77%. Na tabela acima, consideramos o índice de 8,5%, que foi aplicado a todos os empregados do Banestes que ganhavam acima de R$ 1.500,00. Para os empregados que ganhavam abaixo deste valor, o Banestes concedeu um valor fixo de R$ 30,00.
** Em 2008, a Fenaban novamente concedeu reajuste variável. O índice variou de 8,15% a 10%. Aplicamos na tabela o índice de 8,15%.









