Sindicato exige que Banestes cumpra ACT e institua GT para discutir Banescaixa

07/08/2026 21:04

Durante ato no Palas Center, bancários destacaram impactos do plano saúde e cobraram respostas do banco às reivindicações da categoria

Banescaixa e Baneses foram os temas debatidos com o Banestes na rodada de negociações da Campanha Salarial 2026 desta sexta-feira (7). Inicialmente, os dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES cobraram o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) em relação à Banescaixa. A representação dos empregados também discutiu os principais problemas da Fundação Banestes de Seguridade Social (Baneses). O coordenador-geral do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), destacou a importância das pautas levadas à mesa nesta rodada e pediu sensibilidade do banco ante a temas tão sensíveis tanto para os banestianos quanto para os aposentados do Banestes.

Carlão afirmou que a criação de um grupo de trabalho (GT) para discutir a Banescaixa é uma demanda que vem se arrastando há 16 anos sem que o banco apresente propostas efetivas para enfrentar os problemas do plano. O dirigente traçou uma linha histórica para lembrar como aconteceu a mudança no modelo que representou retrocesso para os banestianos. Em 2009, penúltimo ano do segundo mandato do governador Paulo Hartung, recorda Carlão, a onda privatista do governo Fernando Henrique Cardoso que liquidou quase todos os bancos públicos estaduais na década de 1990, já tinha o Banestes na mira. Na avaliação do dirigente, o governo Hartung, que estava com tudo amarrado para entregar o Banestes para o Banco do Brasil, queria sanear o banco, cortando despesas com pessoal. 

Com o propósito de “enxugar” despesas, a contribuição deixou de ser um percentual sobre a remuneração e passou a ser cobrada por faixa etária, como é atualmente. Além disso, o banco reduziu sua contribuição para 50% do valor pago pelo bancário da ativa, e parou de contribuir para os aposentados. Foi introduzida também a coparticipação de 30% sobre consultas e procedimentos.

Os dirigentes destacaram especialmente o problema dos aposentados, que estão deixando o plano porque não conseguem mantê-lo no orçamento mais curto. A dirigente Renata Resende lembrou que quando o bancário se aposenta perde o tíquete alimentação, a PLR e a REV. “Essas perdas reduzem o orçamento e o plano é uma das despesas que acabam sendo cortadas”. Ela relatou que vários colegas que se aposentaram tiveram que sair da Banescaixa. 

Carlão afirmou que no ACT de 2024, a Cláusula 15ª determina que o Banestes se compromete a apresentar, até março de 2025, portanto, um plano de saúde alternativo (mais em conta) para os aposentados. “A promessa gerou uma grande expectativa nos aposentados, mas até hoje o banco não apresentou nada, em frontal descumprimento do acordo”. O dirigente acrescentou que o Banestes também deixou de cumprir o ACT ao não instituir o GT para tratar das questões da Banescaixa.  

Proposta

Para enfrentar os problemas da Banescaixa, os dirigentes do Sindicato propuseram a instalação de uma comissão paritária com representantes do Banestes, Sindicato, da Banescaixa e da Associação de Participantes Assistidos e Beneficiários da Fundação Banestes de Seguridade Social (Banespar). Renata ressaltou a urgência dessa comissão ser instituída para iniciar os trabalhos o mais rápido possível. Nessa comissão, seriam discutidas propostas como a volta do modelo por percentual como alternativa ao por faixa etária que vigora atualmente. Carlão disse que a comissão teria acesso aos dados do plano para fazer um mapeamento da situação da Banescaixa e buscar soluções factíveis, que assegurem a sustentabilidade do plano. 

Os interlocutores do Banestes ficaram de levar a proposta para ser analisada pela diretoria e posteriormente apresentar um retorno ao Sindicato. O assessor jurídico do Sindicato André Moreira ressaltou que a instituição da comissão e o plano alternativo para aposentados está consignada no ACT. “O banco precisa cumprir com urgência o que está previsto no ACT. Queremos a imediata instituição da comissão e definição de um cronograma de trabalho”, sublinhou. 

Fundação Baneses

A discussão sobre o plano de previdência complementar dos empregados e empregadas do Banestes tomou a segunda metade da reunião. O tema é de interesse de todos banestianos, mas afeta mais diretamente os que já se aposentaram, que sentem no bolso a perda da renda e entendem a importância da complementação da fundação. A exemplo da Banescaixa, na minuta de reivindicações apresentada ao Banestes, os banestianos pedem a constituição de um grupo de trabalho com a participação de representantes do Sindicato, da Baneses e Banespar para construir uma proposta que harmonize as regras de correção das reservas e de reajuste dos benefícios entre o Plano I e o Plano II, garantindo a isonomia pretendida.

Carlão também destacou a situação dos banestianos e banestianas que atingem a idade para aposentadoria mas continuam trabalhando. O dirigente afirmou que essa é a realidade de muitos trabalhadores no Brasil que seguem na ativa para não perder renda e benefícios. Na minuta o Sindicato reivindica que o Banestes mantenha a contribuição paritária à Fundação enquanto existir vínculo

empregatício entre o empregado e a patrocinadora. Segundo o dirigente, essa seria uma maneira do trabalhador melhorar sua média de aposentadoria complementar nesses anos “extras” de trabalho. 

As propostas relativas à Fundação, afirmaram os representantes do Banestes, também serão submetidas à diretoria do banco. 

Ato antes da rodada

Na manhã desta sexta-feira (07), antes da rodada de negociações, dirigentes do Sindicato fizeram um ato em frente ao edifício Palas Center, no Centro de Vitória. Foram entregues um informativo aos banestianos sobre as pautas que seriam discutidas na mesa logo em seguida.

“A Banescaixa e a Fundação do Banestes são dois pontos muito importantes para os banestianos. Já faz alguns anos que estamos buscando uma negociação efetiva com o banco sobre a Banescaixa para melhorar as condições do plano para os trabalhadores. Quanto à Fundação, precisamos que o Banestes complemente dignamente a contribuição dos bancários que se aposentaram no INSS. Vamos cobrar também a devolutiva das outras mesas, em que abordamos cláusulas econômicas, demissões, saúde e condições de trabalho”, afirmou o dirigente Marcelo Giacomin.

“Estamos sofrendo na pele, no bolso e na carne o custo do plano de saúde. Hoje é quase insustentável. O Banestes precisa se sensibilizar com aqueles e aquelas que doaram suas vidas, 30, 40 anos de trabalho para este banco e não são reconhecidos . Isso não pode ser assim. É desumano”, pontuou Jonas Freire, ex-diretor do Sindicato e bancário aposentado do Banestes, antes da rodada.

“É importante que os bancários e bancárias do Banestes fiquem atentos ao debate e acompanhem pelas redes sociais, plenárias e assembleias o processo de negociação com a Fenaban. Reivindicamos aumento real, mais contratações, melhores condições de trabalho, melhor distribuição da PLR, fim das metas abusivas e combate ao adoecimento da categoria bancária”, destacou Carlão.

Plenária

Na segunda-feira (10), às 18h30, o Sindicato realizará uma plenária on-line para apresentar informes e atualizações sobre o andamento das negociações com o Banestes até o momento.

Para participar, basta clicar aqui

Confira as fotos do ato desta sexta-feira

 

Plenária

Na segunda-feira (10), às 18h30, o Sindicato realizará uma plenária on-line para apresentar informes e atualizações sobre o andamento das negociações com o Banestes.

Para participar, basta acessar o link: https://us02web.zoom.us/j/81423942382?pwd=pmMGkScdXDfaqfNR5hJiKMYsflavje.1

 

Fotos: Gilson Borba