CEE/Caixa orienta empregados a não responderem consulta sobre migração de função antes da negociação

13/08/2026 12:46

Caixas e tesoureiros receberam “levantamento” com prazo para manifestação; representação dos empregados cobrará explicações do banco na mesa de negociação de sexta-feira (14)

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa orienta as empregadas e os empregados que receberam consultas sobre interesse em migrar de função para atuação como assistente nas plataformas digitais do banco a não preencher formulários, assinar documentos ou manifestar qualquer tipo de interesse antes da mesa de negociação com a Caixa, nesta sexta-feira (14).

A CEE/Caixa considera que uma decisão dessa importância não pode ser tomada às pressas, sem que o banco esclareça à representação dos trabalhadores quais são os objetivos do levantamento, as regras do processo e suas possíveis consequências para carreira, função e remuneração.

Inicialmente, a Caixa tinha dado o prazo até hoje (13) para adesão, mas depois de ser questionada pelos representantes dos trabalhadores, ampliou o prazo para até o dia 20 de agosto.

Informações que chegaram às entidades sindicais mostram que caixas e tesoureiros estão sendo consultados sobre o interesse em participar de processos seletivos para atuação em plataformas de atendimento digital. Os materiais fazem referência à migração para função de Assistente de Varejo para os empregados eventualmente selecionados.

PFG e PCS estão na mesa, mas Caixa não responde

A forma como a consulta foi realizada causa ainda mais preocupação porque ocorre justamente quando o Plano de Funções Gratificadas (PFG), o Plano de Cargos e Salários (PCS) e a situação de caixas e tesoureiros fazem parte das negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026.

Nas últimas rodadas, a CEE/Caixa cobrou do banco um novo PFG, um novo PCS, critérios objetivos e transparentes para os Processos Seletivos Internos e respostas para as reivindicações relacionadas à carreira. Apesar das cobranças, a Caixa não apresentou uma devolutiva efetiva sobre esses temas.

A minuta específica da Campanha Nacional dos Bancários 2026 reivindica expressamente que a transição das funções de caixa e tesoureiro seja debatida com as entidades sindicais, com garantia de manutenção da remuneração, da gratificação de função e das demais parcelas vinculadas às funções. Também estabelece que os empregados que desejarem permanecer como caixas ou tesoureiros tenham essa possibilidade assegurada e que eventual migração seja facultativa para funções de mesmo nível salarial ou superior.

A pauta reivindica ainda um grupo de trabalho para discutir a revisão dos atuais PFG e PCS, com ampla participação das entidades sindicais e dos empregados e com critérios que garantam valorização profissional, transparência, previsibilidade e reais perspectivas de encarreiramento.

Decisão exige informação e garantias

Para a CEE/Caixa, não se trata de ser contra novas oportunidades profissionais para o quadro de pessoal. O problema é exigir uma manifestação dos trabalhadores sem diálogo prévio com sua representação e sem deixar claras todas as consequências de uma eventual mudança.

Entre as questões que precisam ser esclarecidas estão as garantias de permanência na nova função, os impactos sobre remuneração e carreira, as condições para eventual retorno, as atribuições, metas e condições de trabalho, além dos objetivos do próprio levantamento realizado pelo banco.

Desrespeito recorrente à negociação

A CEE observa que a adoção de medidas sem discussão prévia com a representação dos trabalhadores tem sido recorrente. Durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026, a entidade já cobrou negociação sobre mudanças relacionadas ao Super Caixa, remuneração variável, Promoção por Mérito, carreira e outros temas que afetam diretamente a vida funcional e a renda dos empregados.

Os representantes dos empregados consideram que a prática desrespeita tanto a mesa permanente quanto a negociação em curso na Campanha Nacional dos Bancários 2026, que trata da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria e dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) específicos das empregadas e dos empregados da Caixa.

A CEE/Caixa vai cobrar explicações do banco na reunião desta sexta-feira (14). Até que essas informações sejam apresentadas e avaliadas, a orientação é que caixas e tesoureiros não manifestem interesse na migração proposta.

 

Fonte: Contraf com edições do Sindibancários/ES