Fenaban não apresenta nova proposta e categoria mantém paralisação dia 20

19/08/2026 11:31

Após forte rejeição da categoria, bancos retiram propostas de reajustes por faixas, fragmentação do VA e VR e congelamento do piso de ingresso

Com a rejeição de 97% da categoria, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retirou propostas de reajustes por faixas salariais, fragmentação do aumento dos vales refeição e alimentação entre cidades maiores e menores, e de congelamento do piso de ingresso para os novos bancários. O anúncio foi feito na terça-feira (18) na capital paulista, após o Comando Nacional dos Bancários apresentar os resultados de assembleias realizadas por sindicatos de todo o país.

Apesar do recuo, a representação dos bancos não apresentou nenhuma proposta de índice de reajuste nesta rodada. Sob a alegação da boa-fé negocial, a Fenaban questionou a razão da paralisação do dia 20 de agosto, aprovada por 90% dos bancários nas assembleias.

Os bancos também pediram uma pausa ainda no início da rodada, que durou até às 16h. No retorno, disseram que só prosseguiriam com as negociações se a categoria desistisse das paralisações na quinta-feira (20). O Comando Nacional recusou.

“Mesmo depois da resposta da categoria rejeitando a proposta, a Fenaban não apresentou nenhuma resposta decente às reivindicações dos bancários. Mais do que nunca é necessário fortalecer nossa mobilização e a paralisação amanhã, mostrando a força e o engajamento da categoria bancária”, destacou Carlos Pereira de Araujo (Carlão), coordenador-geral do Sindibancários/ES e integrante do Comando Nacional.

Os representantes dos trabalhadores também voltaram a cobrar a garantia da ultratividade, que assegura que os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) continuem valendo mesmo após o fim do prazo de vigência, até que um novo acordo seja assinado. Porém, a Fenaban negou e ameaçou, mais uma vez, levar a negociação para o Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Além de acabar com a ultratividade, a reforma trabalhista de 2017 atacou a organização sindical, permitiu a pejotização (que precariza empregos e retira os trabalhadores da proteção da convenção coletiva) e a terceirização para todas as atividades, que antes era restrita para atividades-meio (como vigilância e limpeza).

Após nova pausa a pedido dela mesma, a Fenaban retornou à mesa anunciando que as negociações serão retomadas na segunda-feira (24), porque terão uma reunião com todo o setor, na sexta (21), para alinhar a proposta global.

20 de agosto – Dia Nacional de Paralisação

Nas rodadas anteriores o Comando cobrou também a suspensão das demissões no setor bancário, indenização adicional para encarecer as demissões, qualificação e requalificação dos trabalhadores. Embora tenha sinalizado positivamente a essas reivindicações, a Fenaban ainda não trouxe proposta concreta.

“Não aceitaremos retirada de direitos que foram historicamente conquistados. Exigimos uma proposta decente, com aumento real, valorização da PLR, do VA e VR e do piso, garantia de emprego, saúde e condições de trabalho. Vamos ampliar nossa unidade e construir uma paralisação expressiva”, enfatizou Carlão.

De olho nos números

  • O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, em 2025, o montante de R$ 1,2 trilhão.
  • Enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos e 9,5 mil agências, entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços.
  • A remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegará a R$ 12,5 milhões em 2026 — valor 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR).
  • Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.
  • O lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil, comprovando a alta rentabilidade gerada pelos bancários.
  • Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% das bancárias e bancários usaram medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes).
  • Corte nas despesas com pessoal: Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos caiu 7% (sem contar a PLR, a queda é de 11%).
  • PLR: Em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que chegava a alcançar 14%; em 2025, distribuíram em média apenas 5,9%. Entre os bancos públicos, os percentuais mudam. A Caixa, por exemplo, atingiu o teto de 15% de CCT, e o Banco do Brasil se aproximou do índice, com distribuição de 11%.

 

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Fotos: Contraf

Fonte: Contraf com edições do Sindibancários/ES