O Banestes tem comemorado ano a ano os resultados expressivos do banco. De 2016 para cá, o banco público capixaba tem mantido a curva de lucro sempre ascendente. Nesses dez anos, o crescimento (nominal) do lucro chegou a 156,3%. O resultado de R$ 226 milhões no primeiro semestre sinaliza para um novo recorde histórico em 2026. O ciclo virtuoso, no entanto, passa ao largo do bolso dos banestianos e banestianas. No mesmo período, o reajuste salarial acumulado ficou em 58,3%. A diferença do crescimento do lucro é 98% maior que o reajuste dos salários (tabela abaixo).

O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), afirma que os números são incontestes. Segundo o dirigente, os números expressam de maneira inequívoca que o reajuste salarial não acompanhou o lucro nem de longe. Com base nos dados da tabela acima, Carlão destaca o ano de 2022. “Estávamos saindo da pandemia. Naquele ano, o Banestes cravou lucro de R$ 330 milhões, resultado 31,5% maior na comparação com 2021. Entretanto, o reajuste para bancários foi de 8%, abaixo do INPC. “Estamos falando de uma série virtuosa que se estende por mais de uma década. Apesar do resultado consolidado, a direção do Banestes ainda não sinalizou na mesa de negociação que estaria disposta a apresentar um plano de reposição dessas perdas históricas dos banestianos”.
Carlão se refere às perdas acumuladas de 33,3% entre os anos de 1996 e 2025 (quadro abaixo). As perdas se concentram principalmente entre os anos de 1996 a 2001. Nesses anos, o Banestes aplicou parcialmente o índice concedido à categoria pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ou simplesmente zerou o reajuste, situação que ocorreu nos anos de 1996, 1998 e 1999. “Insistimos na mesa que queremos fechar a negociação com uma proposta concreta da direção do Banestes para a reposição dessas perdas. Não há dúvidas de que as perdas existem. Os números estão aí para quem quiser conferir. É importante que a categoria se aproprie dessas informações para pressionar a direção do banco a negociar com o Sindicato”, ressalta o dirigente.
* Em 2004, a Fenaban concedeu um reajuste variável de 8,50% a 12,77%. Na tabela acima, consideramos o índice de 8,5%, que foi aplicado a todos os empregados do Banestes que ganhavam acima de R$ 1.500,00. Para os empregados que ganhavam abaixo deste valor, o Banestes concedeu um valor fixo de R$ 30,00.
** Em 2008, a Fenaban novamente concedeu reajuste variável. O índice variou de 8,15% a 10%. Aplicamos na tabela o índice de 8,15%.
Banestes lucrou proporcionalmente mais que o Itaú
Quando se fala em lucro astronômico dos bancos, o primeiro nome que vem à cabeça é o do Itaú. O maior banco privado da América Latina já faz algum tempo olha para os concorrentes pelo retrovisor. Para se ter uma ideia da liderança isolada no ranking de lucro, o resultado do Itaú no segundo trimestre deste ano superou em R$ 3 bilhões os lucros somados do Bradesco e Santander.
Mais surpreendente, no entanto, é a constatação de que o Banestes, nos últimos dez anos, viu seu lucro nominal crescer proporcionalmente mais que o do Itaú. No comparativo entre os anos de 2016 e 2025, o lucro do Itaú cresceu 111,4%. O banco público capixaba registrou no mesmo período crescimento de 156,3% no lucro. Uma senhora vantagem de quase 42 pontos percentuais. “Repito, mesmo com esse crescimento consolidado, a direção do Banestes se esquiva em debater um plano de reposição das perdas. Não importa que as perdas aconteceram em outras gestões. A responsabilidade de repor esse passivo é da instituição Banestes. Vamos insistir nessa reivindicação. Queremos sair da mesa com um plano concreto para mitigar as perdas. Passou da hora do Banestes incluir seus empregados nessa equação dos lucros”, afirma Carlão.









