As negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não avançaram. Na rodada aberta na manhã desta terça-feira (25), os bancos apresentaram uma proposta de 2,06% de reajuste, ou seja, 50% do INPC dos últimos 12 meses. Como a proposta foi rejeitada de pronto, as negociações foram suspensas. À tarde, as negociações foram retomadas e os banqueiros subiram o reajuste para 2,57% (62% do INPC). O Comando rejeitou novamente a proposta. Sem acordo, Comando e Fenaban retomam as negociações nesta quarta-feira (26) às 11h.
O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES e integrante do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), criticou a postura da Fenaban. O dirigente afirmou que os bancos não respeitam a categoria bancária. “Os bancos não estão desrespeitando o Comando, mas os mais de 400 mil bancárias e bancários que ajudam a construir todos os dias os lucros astronômicos dos bancos. Essa posição aviltante dos banqueiros em relação à categoria merece uma resposta à altura. Não vamos aceitar que os bancos humilhem a categoria bancária”.
Carlão afirmou ainda que se a Fenaban não rever sua posição e apresentar uma proposta digna, a categoria tem de considerar partir para um enfrentamento mais direto. Não podemos e não vamos nos ajoelhar para os banqueiros, que insistem em uma proposta humilhante. Estamos reivindicando 5% de aumento real 5% para salários e demais verbas; aumento no piso salarial da categoria; aumento no VA/VR; além de revisão do índice da PLR. E os bancos apresentam uma proposta indecorosa que impõe perdas reais aos trabalhadores e trabalhadoras. Estamos negociando para conquistar aumento real, não perdas”.
O coordenador do Sindibancários ressaltou que o momento na mesa é de tensão. “Após dez rodadas de negociações, estamos entrando numa etapa decisiva. É importante que a categoria amplie o engajamento e a mobilização para que possamos fazer esse enfrentamento de forma coesa. A categoria bancária historicamente é muito forte. Não aceitaremos tratamento humilhante. Os banqueiros terão que nos respeitar. Nós, do Comando, continuamos à disposição da Fenaban para negociar. Vamos continuar buscando a negociação, mas não vamos aceitar propostas indignas. Temos de estar prontos para recorrer à greve, caso o impasse prossiga na mesa”.
Veja a cronologia das últimas rodadas
A primeira proposta da Fenaban incluía:
– Fim da indenização por morte ou incapacidade por assalto e do auxílio funeral;
– Retirada da multa em caso de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT);
– Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
– Exclusão da verba de requalificação;
– Exclusão da gratificação de compensador de cheque;
– E exclusão da ajuda de deslocamento noturno.
Após o Comando rejeitar a proposta, a Fenaban propôs as seguintes mudanças:
– Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
– Aumento de 2,57% no auxílio creche/babá, auxílio para pais com filhos PcD e ajuda de custo para o teletrabalho;
– Exclusão da gratificação de compensador de cheque;
– exclusão da ajuda de deslocamento noturno.
A Fenaban, porém, voltou atrás na retirada da verba de requalificação profissional (com reajuste de 2,57%) e na retirada da multa em caso de descumprimento da CCT.
O Comando orienta que a categoria siga mobilizada, com manifestações nas ruas e nas redes sociais. A recomendação é que todos utilizem a hashtag #QueremosPropostaDecente.
Homenagem
A mesa desta terça-feira começou com um minuto de silêncio, a pedido do Comando Nacional, em homenagem a Wander Castro, diretor regional do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte, que morreu hoje.
Fotos: Contraf









