Categoria decide em assembleia nesta quinta (3) se aceita ou não proposta da Fenaban

31/08/2026 16:06

O Sindicato reforça que a categoria é soberana para decidir, mas se posiciona pela aprovação da proposta com críticas

Maratona: a 13ª e última mesa de negociação começou na sexta e acabou somente no sábado (foto: Contraf)

Nesta quinta-feira (3), bancárias e bancários da base capixaba decidem em plenária seguida de assembleia de votação se aprovam ou não a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentada no último sábado (29), durante a 13ª rodada de negociações. A proposta dos bancos repõe a inflação dos últimos 12 meses (INPC) mais aumento de 0,60% este ano e também em 2027, sobre a PLR (tanto na regra básica, quanto na parcela adicional) e os vales refeição e alimentação (VA/VR). O Sindicato dos Bancários/ES se posiciona pela aprovação da proposta com críticas. 

A plenária será às 18 horas. Já a votação será das 20 horas desta quinta-feira às 16 horas de sexta-feira.

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“Estamos caminhando para as plenárias e assembleias que ocorrem simultaneamente em todo o país. É importante ressaltar que a categoria é soberana para decidir em assembleia se aceita ou não a proposta”, afirma o coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que também é membro do Comando Nacional dos Bancários. “No Comando, o Sindicato defendeu a importância de mantermos a mobilização, apostar na organização e assembleia, inclusive para a construção de uma greve. Fizemos um debate no Comando votando contra a proposta da Fenaban. Infelizmente, a maioria do Comando orientou pela aprovação da proposta”. O dirigente alegou que o Sindicato não poderia manter isoladamente a posição de rejeitar a proposta. 

Detalhes da proposta

A proposta irá para votação das 18h30h de quinta-feira (3) até as 19h da sexta-feira (4). Na plenária serão feitos esclarecimentos sobre a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que, se aprovada, passa a valer até 31 de agosto de 2028.  Confira alguns destaques da proposta:

– saúde mental – participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais (PGRP), da nova Norma Regulamentadora nº 1 (RN-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria;

– combate ao assédio – o banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual (conquistado na Campanha Nacional de 2024) para receber denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários;

– monitoramento digital – transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito à feedback, com o objetivo de estabelecer gestão ética e humanizada da tecnologia, para proteção aos bancários;

– direito à desconexão – para que bancários e bancárias tenham seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja para clientes, seja para gestores.

– paralisação do dia 20 de agosto – a Fenaban garantiu abono do dia de paralisação para as bases que aprovarem as propostas nas assembleias.

Demissões

A proposta dos bancos não se compromete a paralisar as demissões, mas prevê o aumento da indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela abaixo: 

Cronologia das negociações

O coordenador-geral do Sindicato, que participou das 13 mesas com a Fenaban, classificou as negociações deste como uma das piores, especialmente em relação ao desrespeito com a categoria. Carlão afirmou que a estratégia da Fenaban de ficar cozinhando o galo para ir empurrando a negociação para a semana final, apostando na ultratividade para pressionar a categoria a aceitar a proposta, foi um golpe baixo da Fenaban, que está tornando a estratégia uma prática recorrente nos últimos anos. 

A cronologia das negociações confirma que a Fenaban recorreu mais uma vez à estratégia da ultratividade, aprovada da reforma trabalhista de 2017. A primeira rodada aconteceu no dia 2 de julho. A Fenaban só foi apresentar uma proposta concreta para as cláusulas econômicas no dia 25 de agosto. 

“Desde o dia 24 de junho, quando entregamos formalmente a minuta aos bancos, a Fenaban já tinha conhecimento de que a reivindicação da categoria exigia 5% de aumento real. Na paralisação do dia 20 de agosto – aliás, uma memorável manifestação que mobilizou bancários e bancárias de todo o país -, a categoria pedia que os bancos apresentassem uma proposta. Porque até aí não havia nada na mesa. Cinco dias depois eles apresentaram uma proposta rebaixada, que não cobria nem a inflação”. 

A partir daí, recorda o dirigente, os bancos começaram a esticar a corda. “A estratégia foi subir o índice de pouquinho a pouquinho. Somente na última quinta (27), já na reta final das negociações, a Fenaban igualou a inflação. Na sexta, subiram para inflação mais 0,26% e no sábado, finalmente, chegaram ao índice de 0,6% mais o INPC. Considerando que a nossa minuta reivindicava 5% de aumento real, a proposta da Fenaban ficou muito aquém das expectativas da categoria. Por isso decidimos nos manifestar pela aprovação com críticas. Mas repito, as bancárias e bancários capixabas são soberanos para decidir”, finaliza Carlão. 

Confira edital da assembleia