Representantes do Banestes e do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram nesta sexta-feira (4) para mais uma rodada de negociações. Os dirigentes do Sindicato questionaram o banco se houve melhoras em relação à proposta apresentada no último dia primeiro. Na ocasião, o banco apresentou a proposta de reposição da inflação (INPC) dos últimos 12 meses mais reajuste de 0,8% sobre salários e demais verbas remuneratórias, incluídos vales alimentação (VA), refeição (VR), auxílio creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O índice é 0,2% acima do proposto pela Fenaban (0,6%) na mesa nacional. Os interlocutores do banco afirmaram que se reuniram com a diretoria e a orientação foi pela manutenção da proposta e nada mais.
No dia seguinte à apresentação da proposta do Banestes, a diretoria do Sindicato já havia se reunido e se manifestado pela rejeição da proposta, posição reafirmada na mesa desta sexta. A posição do Sindicato foi enviada à comissão de negociação do banco na quarta-feira (2) 2. O coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que também é membro do Comando Nacional dos Bancários, afirmou que a proposta está muito aquém das expectativas dos banestianos e banestianas. “Fizemos a comunicação formal à comissão na quarta de que rejeitamos a proposta. Esperávamos que hoje a comissão nos apresentasse uma nova proposta com alguns avanços em relação à anterior”.
A comissão do banco, na verdade, desconhecia o comunicado do Sindicato e só abriu a mensagem durante a reunião, após os dirigentes garantirem que a comunicação fora formalizada no dia 2. A coordenadora da comissão, Juliana Costa Souza de Almeida, se comprometeu a levar a posição do Sindicato de recusa da proposta à direção do banco. Ficou agendada uma nova reunião na próxima semana (quinta ou sexta) na qual a direção deve apresentar uma proposta definitiva à categoria.
Sindicato insiste nas perdas
Na rodada desta sexta, a nona, Carlão voltou a cobrar as perdas de 33,31% acumuladas pelos banestianos entre 1996 a 2001 (exceto 1997), 2004 e 2008 (essas duas últimas parciais). “Reiteramos na mesa que essas perdas não afetam apenas os bancários que estavam no banco nesses anos de arrocho salarial, mas o conjunto de banestianos. As perdas acumuladas vão ter impactos mesmo para quem entrou depois de 2008. O impacto das perdas é flagrante quando comparamos os salários dos empregados do Banestes com os de outros bancos estaduais (BRB, Banpará, Banrisul e até o Banco de Sergipe)”.
Sindicato reivindica ao Banestes plano de recomposição das perdas salariais históricas
O dirigente acrescentou que os dados são irrefutáveis e apontam que houve perda da massa salarial dos empregados do Banestes no comparativo com outros bancos públicos. “Durante as duas rodadas em que debatemos cláusulas econômicas, apresentamos dados comparativos atualizados dos contracheques dos empregados desses bancos que confirmam essas diferenças salariais”.
Em função desse histórico de perdas, Carlão afirmou que o reajuste proposto pelo Banestes de 0,2%, embora acima do índice da Fenaban, se torna insuficiente.
Demissões
O dirigente também cobrou posição do banco sobre as demissões sem justa causa. Na minuta apresentada no dia 1º, não há qualquer menção sobre a reivindicação do Sindicato. Carlão ressaltou que o Banestes é o único banco público brasileiro que vem realizando demissões sem justa causa.
“Essa é uma prática, lamentavelmente, recorrente nos bancos privados, mas inadmissível em um banco público”.
A proposta defendida pelo Sindicato prevê que o Banestes garanta que qualquer demissão sem justa causa seja obrigatoriamente por escrito e apresente justificativas suficientemente claras. Carlão reforçou a importância de o banco garantir o direito do contraditório ao empregado para que ele possa fazer sua defesa. “Não vamos abrir mão dessa cláusula no Acordo”, condicionou.
A comissão do Banestes ficou de analisar novamente a reivindicação, mas adiantou que não pode garantir que o pleito será atendido.
Em resumo, qual é a reivindicação dos trabalhadores na minuta:
Cláusula 51º – Regularização de demissões com PAD
O Banestes assume o compromisso de não realizar a demissão de nenhum empregado (com ou sem justa causa) sem antes concluir um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Parágrafo Primeiro – O PAD seguirá as regras internas do Banestes, garantindo que o empregado seja avisado oficialmente sobre os motivos da intenção de desligamento. Ele terá acesso livre a todos os documentos do processo e fica garantido ao trabalhador o fornecimento imediato de cópia integral de todas as auditorias, relatórios ou denúncias que serviram de base para a abertura do processo, além do prazo de, no mínimo, 10 dias úteis para apresentar sua defesa por escrito.
Banescaixa
Os dirigentes do Sindicato também cobraram uma posição do banco sobre a Banescaixa, que foi simplesmente suprimida da minuta de acordo apresentada pelo Banestes. A Cláusula 15ª do ACT 2024/2026, que está em vigor, determina que o Banestes apresentará, até março de 2025, um plano de saúde alternativo (mais em conta) para os aposentados. Os aposentados e pensionistas têm abandonado o plano porque não conseguem mais pagá-lo.
A cláusula também prevê que o Banestes constituirá um GT para debater os problemas da Banescaixa, assegurando um assento para o Sindicato. “O GT nunca saiu do papel e agora decidiram sumir com o problema retirando a cláusula da Banescaixa da minuta”, criticou Carlão.
Sobre a Banescaixa, a comissão não deu nenhuma sinalização de que voltará a incluí-la no ACT.
Carlão ressaltou novamente a importância dos banestianos e banestianas acompanharem as negociações vivamente nesta reta final, que irá definir os rumos da campanha deste ano. “É importante que a comunidade banestiana se mantenha mobilizada, engajada e envolva outros colegas na luta. Reafirmo, as negociações ainda não se encerraram. Vamos aguardar o posicionamento final da direção do banco. A partir dessa resposta, o Sindicato vai orientar a categoria sobre os próximos passos”, explicou Carlão.
Depois que a direção do Banestes se posicionar e as negociações forem consideradas encerradas, o Sindicato deve convocar a categoria para uma plenária seguida de assembleia, quando os banestianos e banestianas vão votar pela aceitação ou rejeição da proposta do banco. “É sempre importante salientar que a categoria é soberana para decidir”, finalizou.









