Conquista das 6h na Caixa completa 41 anos

30/10/2026 09:30

Além do direito à jornada de 6h, o movimento alcançou o reconhecimento como trabalhadores bancários e direito à sindicalização

Há 41 anos, no dia 30 de outubro, os empregados e empregadas da Caixa cruzaram os braços na primeira greve dos trabalhadores do banco. A greve nacional de 24 horas entrou para a história da categoria. Praticamente 100% dos trabalhadores e trabalhadoras da Caixa cruzaram os braços em todo o país, protagonizando uma mobilização que fortaleceu a organização coletiva e abriu caminho para novas conquistas.

A força dessa luta garantiu avanços fundamentais: a integração dos empregados da Caixa à categoria bancária, o direito à sindicalização, a jornada de 6 horas diárias e o acesso à Justiça do Trabalho, entre outras conquistas.

Greve de 1985

As mobilizações que resultaram na greve de 1985 começaram muito antes, em 1981, quando a Caixa admitiu 20 mil escriturários básicos por meio de concurso, que ingressaram no banco ganhando salário 50% inferior ao dos funcionários que já trabalhavam na instituição.

A diferenciação causou descontentamento nos trabalhadores, que reivindicavam isonomia de tratamento. Diante das pressões, a Caixa realizou, em 1984, dois processos seletivos internos que possibilitavam o enquadramento de apenas 4 mil dos 20 mil escriturários básicos. Alguns bancários, em São Paulo, em forma de protesto se negaram a fazer as provas. Eles foram demitidos, o que gerou uma grande mobilização em prol da reintegração desses trabalhadores, pelo enquadramento dos 20 mil escriturários aprovados no concurso, pela jornada de seis horas, pelo reconhecimento dos funcionários da Caixa enquanto bancários e pelo direito à sindicalização.

Vermelhos

O documentário Vermelhos, dirigido pela cineasta Natália Dornelas e lançado ano passado pelo Sindicato dos Bancários/ES e a Apcef-ES, resgata a organização do movimento e celebra a conquista das seis horas na Caixa.

O título da obra é uma referência às “meninas e meninos vermelhos”, como eram chamados aquelas e aqueles que começaram a construir a greve de 1985 anos antes. O movimento nacional foi articulado por jovens recém-aprovados no concurso da Caixa no momento em que o Brasil fazia a transição do período da ditadura militar para a redemocratização.

“Se eu não conheço o passado, como eu vou viver no aqui e agora, fazendo o hoje e organizando um futuro melhor? Eu não me arrependo [de fazer greve], cada dia que foi descontado fez falta, mas hoje quem trabalha na Caixa é bancário, trabalha 6h”, destacou Maria Elvira, bancária da Caixa em Cachoeiro de Itapemirim, durante entrevista no documentário.