Aporte emergencial do BB não soluciona sustentabilidade estrutural da Cassi

30/10/2026 17:32

Na rodada de negociação dessa quinta (29), o BB apresentou proposta de aporte de R$1.373 bilhão (60%) para recompor as reservas da Cassi. Os associados do plano arcariam com R$ 915 milhões (40%)

O Banco do Brasil apresentou proposta para recompor as reservas da Caixa de Assistência dos Funcionários do BB (Cassi), que é de R$ 2,288 bilhões. Na proposta apresentada nessa quinta-feira (29), em Brasília, durante a 11ª rodada de negociações sobre o custeio da Cassi, o banco se comprometeu a fazer um aporte de 60% (R$ 1.373 bilhão). Os outros 40% (R$ 915 milhões) seriam assumidos pelos titulares do Plano de Associados. O dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Igor Chagas adverte que a medida não soluciona a sustentabilidade da Cassi, que é estrutural e exige uma proposta de longo prazo. 

Igor aponta que o atraso das negociações, por parte do BB, teve como consequência o consumo das reservas. “O aporte emergencial é resultado dessa inércia do BB. As alterações estatutárias para a sustentabilidade do plano deveriam ter sido feitas lá atrás. Agora o banco propõe o aporte para depois retomar as discussões do custeio. A ordem foi invertida”, pontua o dirigente. 

O dirigente lembra que o Sindicato das Bancárias/ES defende uma proposta de longo prazo para o custeio da Cassi. Essa proposta que foi construída a partir da colaboração da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora e do coletivo “Bancários Podem Mais”, segundo Igor, é a melhor alternativa para a solução do problema estrutural e precisa entrar na pauta de discussão do com a Cassi.  

A proposta se fundamenta na premissa de que a Cassi foi uma iniciativa dos trabalhadores e trabalhadoras do BB para atender a todos os associados ao longo da vida. “O modelo de autogestão do plano foi desenhado para ser solidário e acompanhar o trabalhador da ativa até a aposentadoria, assegurando  assistência médica contínua e vitalícia para o funcionário e sua família. A solidariedade do plano é uma premissa de que não abrimos mão”, ressalta Igor.

Essa proposta foi defendida pela Intersindical, incluindo o Sindicado dos Bancários/ES, o coletivo “Bancários Podem Mais” e outras forças políticas como o “Em Frente”, no Congresso Nacional das Bancárias e dos Bancários de 2026. Na fundamentação dessa proposta, consta que desde 2019 o plano tem sido financiado por 12% da FOPAG (Folha de Pagamento): 5,8% associados; 6,2% patrocinador. As projeções técnicas indicam que o montante total necessário para equilíbrio e recomposição de reservas até o ano-base 2030 é 20,74% da FOPAG (contraprestações pessoais + patronais).

Entenda a equação da proposta de custeio da Cassi defendida pelo Sindibancários/ES

  • Ano-base e meta de custeio 2030.  Meta de custeio: total de 20,74% da FOPAG como referência contratual para garantir equilíbrio e recomposição de reservas; 
  • Proporção de patrocínio — posição do Corpo Social  Proporção: 70% Banco do Brasil / 30% associados.  Impacto prático: o BB compromete-se a aportar o valor referente a 14,52% da FOPAG; os associados arcam com 6,22% da FOPAG. Esta divisão respeita o limite da resolução CGPAR e preserva a solidariedade histórica do Plano. 

Igualdade de direitos

A proposta defende a igualdade de direitos entre todos os funcionários e funcionárias do BB no Plano de Associados, sem qualquer diferenciação entre concursados diretos ou incorporados, e independentemente da data de ingresso no banco. A negociação deverá assegurar igualdade plena de acesso, cobertura e condições contributivas, vedando qualquer tratamento discriminatório que fragmente a solidariedade do plano. 

Associados são soberanos para decidir

O aporte de 60% do BB para recompor as reservas da Cassi passa obrigatoriamente pela decisão dos associados. A Cassi irá disponibilizar um simulador para que cada associado possa consultar o valor de sua contribuição durante o período do aporte extraordinário.

A consulta ao corpo social está prevista para ocorrer entre os dias 18 e 25 de novembro de 2026. Antes disso, deverá ser firmado um memorando de entendimento formalizando os critérios negociados.

Se aprovada, a contribuição extraordinária dos associados terá início em dezembro de 2026, com pagamento distribuído em 18 meses. Já a parcela de responsabilidade do Banco do Brasil será aportada em duas etapas, previstas para dezembro de 2026 e janeiro de 2027. Depois da consulta sobre o aporte, a discussão sobre a solução de longo prazo para o custeio será retomada. “Vamos continuar insistindo para que a nossa proposta seja a da categoria e das demais entidades na mesa de negociação com o BB. Para que isso seja possível, vamos precisar da mobilização da categoria. O BB precisa assumir de verdade o seu papel de patrocinador do plano e subir o patamar de sua contribuição para o máximo permitido por lei, que é o de 70% do total do custeio”, argumenta o dirigente.

Igor enfatiza que os associados e associadas são soberanos para decidir se aceitam ou não a proposta do banco. O dirigente adianta que a Intersindical ainda está estudando a proposta de aporte do BB, junto com outras centrais sindicais, para apresentar em breve uma posição aos associados.