Santander demitiu em média 16 funcionários por dia nos últimos 12 meses

03/11/2026 17:57

O lucro no 3º trimestre foi de R$ 2,88 bilhões. No acumulado do ano, o lucro chega a R$ 9,6 bilhões. Apesar do resultado, o Santander segue demitindo e fechando unidades

O Santander registrou lucro líquido de R$ 2,88 bilhões no 3º trimestre de 2026 – queda de 4,3% em relação ao trimestre anterior. O ligeiro recuo não pode ser interpretado como um mau resultado. Longe disso, considerando os resultados do terceiro trimestre publicados até agora das maiores corporações brasileiras, o Santander é a quarta empresa com maior lucro no país, atrás do Itaú, Bradesco e Nubank. A boa posição no ranking, no entanto, não impede o banco de seguir com sua política de demissões. Ao contrário, só nos três últimos meses foram desligados 1.545 funcionários. No acumulado dos últimos 12 meses, são 5.965 demissões. Em média, o Santander demitiu 16 funcionários por dia. 

Junto com as demissões vêm o fechamento de agências. Nos últimos 12 meses foram fechadas 134 agências e 101 postos de atendimento bancário (PABs). “Na comparação com empresas de outros ramos da economia e com o próprio setor bancário, o lucro de quase R$ 10 bilhões nos nove primeiros meses do ano é retumbante e de forma alguma poderia justificar as demissões”, afirma o dirigente do Sindicato dos Bancários Claudio Merçon (Cacau), que também integra a Comissão de Organização dos Empregados (COE-Santander).

Cacau ressalta que esse pequeno recuo no lucro do terceiro trimestre não tem relação com as demissões. “As demissões em massa fazem parte de uma política de reestruturação do banco que penaliza preferencialmente o trabalhador. Se no quarto trimestre o lucro subir 10%, o banco irá seguir demitindo do mesmo jeito. Chega a ser imoral que uma empresa com esse patamar de lucro siga demitindo sistematicamente os funcionários e intensificando uma política de precarização das relações de trabalho. É público e notório que muitos dos funcionários demitidos são reintegrados em empresas terceirizadas do próprio grupo para exercerem funções típicas de bancárias, mas não mais com as garantias da categoria. Isso é terceirização fraudulenta”, critica o dirigente. 

Número de trabalhadores cai e de clientes sobe

Um dado que chama a atenção na política de demissões do banco é o degrau cada vez maior entre o número de clientes e funcionários. O Santander encerrou setembro com 45.782 empregados, contra 51.747 um ano antes. Enquanto o quadro diminuiu 11,5%, a base de clientes cresceu para 72,9 milhões de pessoas.

“O resultado dessa equação a gente já conhece. A conta não fecha. Mais clientes e menos funcionários é igual a sobrecarga de trabalho e adoecimento, sobretudo mental. Mas o banco não parece estar preocupado com a saúde dos seus trabalhadores e trabalhadoras. A empresa trata seus empregados como peças que devem ser descartadas aos primeiros sinais de fadiga. Há uma completa desumanização nas relações de trabalho. Importa apenas buscar a próxima meta de lucro custe o que custar. A matriz em Madrid quer saber apenas do resultado do Santander Brasil. Eles buscam apenas um número. Para o Santander, o lucro vale mais que os seres humanos que constroem diariamente os resultados do banco”, afirma Cacau.

Nos dados acumulados até o terceiro trimestre de 2026, as operações no Brasil representaram 14,3% do resultado mundial do grupo. Apesar da ligeira queda recente no lucro, o Brasil reafirmou o posto de 2º maior mercado do grupo Santander no mundo, ficando atrás apenas da própria operação na Espanha.