Os números por si mesmos desvelam a face mais perversa da política de lucro praticada pelo Itaú. De 2022 até o 3º trimestre deste ano, o maior banco privado da América Latina acumulou um lucro de R$ 191,9 bilhões. Isso significa que nesse recorte de 57 meses o Itaú lucrou, em média, R$ 3,3 bilhões por mês. Nesse mesmo período, demitiu 8.797 funcionários. Em 2022, o banco empregava 89.147 trabalhadores ante os atuais 80.350. Após fechar os nove primeiros meses do ano com lucro de R$ 37,3 bilhões, o mercado projeta que o lucro do Itaú rompa a marca de R$ 50 bilhões em 2026. Apesar do recorde histórico iminente, o Itaú deve manter sua política de fechamento de postos de trabalho e agências nos últimos meses do ano.
O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), critica a política predatória do Itaú. “Essa conta não fecha. Os números são incontroversos. O banco adota uma política agressiva de corte de funcionários ao mesmo tempo em que registra lucros recordes sequências ano após ano”.
Em 2022, o Itaú lucrou R$ 30,8 bilhões; em 2023, R$ 35,6 bilhões; no ano seguinte, R$ 41,4 bilhões e no ano passado, R$ 46,8 bilhões. As previsões de lucro dos analistas apontam que o Itaú deve fechar o ano com resultado entre R$ 50 e 51 bilhões.
O dirigente afirma que esses resultados recordes são construídos a partir da exploração do trabalhador, “que entrega tudo e mais um pouco. Com menos bancários, esse lucro ascendente é feito em cima da sobrecarga de trabalho. À medida que o banco demite, sobe o sarrafo das metas. Quem permanece empregado paga essa conta. Basta olhar para o crescimento do adoecimento mental da categoria. Em função das metas abusivas imposta pelos bancos, o adoecimento bancário virou epidemia nos últimos anos”, critica.
Carlão acrescenta, a partir de dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que os bancos respondem por menos de 1% do estoque de emprego, mas por 3% do total de afastamento por doença. “A indiferença do Itaú com o crescimento do adoecimento dos trabalhadores e trabalhadoras chega a ser desumana. Causa indignação ver o banco impondo metas cada vez mais intangíveis ao mesmo tempo em que o adoecimento escala”.
Tarifas cobrem despesa com pessoal
Levantamento do Dieese aponta que a capacidade financeira do Itaú não justifica o corte de postos de trabalho e agências. Nos primeiros nove meses do ano, as receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 37,8 bilhões, crescimento de 5,3%. Já as despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), totalizaram R$ 26,7 bilhões.
Isso significa que somente as receitas com tarifas e serviços foram suficientes para cobrir 141,1% das despesas com pessoal e PLR, com uma diferença de aproximadamente R$ 11 bilhões, sem considerar os ganhos provenientes das operações de crédito, seguros e outras atividades financeiras.
“Novamente, os dados não deixam dúvida de que as demissões fazem parte do processo de reestruturação dos bancos, que querem reduzir custos para aumentar as margens de lucros. “Valorização dos empregados, fim das metas, cuidados com a saúde do trabalhador não entram nessa equação neoliberal perversa que visa apenas aumentar a rentabilidade do banco”, protesta Carlão.
Confira abaixo a tabela do resultado do Itaú referente ao 3º trimestre elaborada pelo Dieese:










