Bancários do Bradesco e do Santander paralisaram as Superintendências regionais dos dois bancos e suas agências anexas até o meio dia desta quinta-feira (8) em defesa do emprego, contra o assédio moral e o ajuste fiscal que avança sobre os direitos dos trabalhadores brasileiros, inclusive os bancários. A paralisação contextualiza a escalada de demissões em curso nos bancos, ambos em operação com altos lucros em um momento de estagnação da economia brasileira.
Os bancários iniciaram o ato um pouco antes das 8h da manhã na Superintendência do Santander e a agência anexa, na Reta da Penha, e na Superintendência do Bradesco e a agência anexa (Bradescão), no Centro de Vitória, para dialogar com os empregados e clientes dos dois bancos. A partir das 10h a ação foi voltada aos clientes dos dois bancos, que receberam com atenção a discussão proposta pelos bancários.

De acordo com Fabrício Coelho, diretor do Sindicato, a ação tem o objetivo de mobilizar a sociedade, não só os bancários, para o momento de incerteza política e instabilidade dos direitos constitucionais dos brasileiros.
“Paralisações e manifestações como essa não vão impedir o avanço dos desmontes operados pelos bancos privados e nem os projetos que avançam no Congresso, mas podem tocar os trabalhadores e a população para o momento político e para a necessidade da greve geral em construção pelos trabalhadores”, explica.
No Santander, escalada do lucro e das demissões
No terceiro trimestre de 2016 o banco anunciou lucro de R$ 5,3 bilhões, uma alta de 6,7% em relação ao mesmo período de 2015. Os resultados deixam pra trás até países europeus, como Espanha e Reino Unido. Mesmo com lucros tão altos, o banco fechou 2.495 postos de trabalho no Brasil. Ainda assim, as demissões seguem.
“A gestão tem sido feita com base na sobrecarga e na pressão para o cumprimento de metas, realidade que adoece a categoria de forma física e psicologicamente”, explica a diretora do Sindibancários/ES, Cláudia Garcia de Carvalho.
Com as demissões dos bancários, os clientes são afetados diretamente pela falta de funcionários nas agências, já que, com menos empregados a qualidade do atendimento cai e a espera nas filas aumenta. E pior, os clientes continuam pagando altas tarifas e taxas de juros, que contribuem com os altos lucros do Santander
Bradesco, apesar dos altos lucros, descaso com a comunidade
Demissões, assédio moral e fechamento de agências. Essa é a realidade do Bradesco. Apesar de ter lucrado mais de R$ 12 bilhões nos nove primeiros meses de 2016, foi anunciado no final de novembro que a quantidade de agências da instituição financeira será reduzida. Uma das consequências disso é o aumento no número de demissões, que já é muito grande. Para se ter ideia, entre setembro de 2015 e setembro deste ano o Bradesco já fechou 4.790 postos de trabalho.
Quem sofre com essa situação não é somente o bancário, que devido ao número reduzido de funcionários tem que lidar com a sobrecarga de trabalho, mas também os clientes, que serão atingidos por meio da precarização do atendimento por causa da falta de funcionários, que acarreta, entre outros problemas, longo tempo de espera na fila. Além disso, os clientes continuam pagando altas tarifas e taxas de juros, que contribuem com os altos lucros do Bradesco.
Durante o processo de compra do HSBC, o Bradesco havia descartado a possibilidade de fechar agências. No entanto, o anúncio do encerramento de unidades já era esperado pelos representantes dos trabalhadores bancários, como explica o diretor do Sindibancários/ES, Fabrício Coelho.
“O compromisso do Bradesco nunca foi com a comunidade ou com seus trabalhadores. Esse processo de fechamento de agências e demissões confirma esse posicionamento do banco. Um sistema financeiro a serviço puramente do lucro, e não da vida, gera esse resultado perverso para trabalhadores e a população. Por isso defendemos o maior controle social e a estatização do sistema financeiro”, enfatiza Coelho.








