Danilo Funke, membro da Comissão de Empresas dos Empregados do BB, falou sobre os ataques aos bancos públicos e à categoria bancária (Fotos: Sérgio Cardoso)

O debate sobre o papel dos bancos públicos e a luta contra a privatização dessas instituições abriu os congressos específicos do Banco do Brasil e da Caixa, na manhã desta sexta-feira, 12. A atividade faz parte da programação do 6º Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias, que acontece no Hotel Praia Sol, em Nova Almeida, até domingo, 14.

Para falar sobre o tema, o debate contou com a presença do presidente da Fenae, Jair Ferreira, e do membro da Comissão de Empresas dos Empregados do BB e da Fretraf-RJ/ES, Danilo Funke. A forte presença dos bancos públicos na economia brasileira e no Espírito Santo foi destacada por Jair Ferreira. Do total de 422 agências bancárias no Espírito Santo, 298 são de bancos públicos.

Além de garantirem o acesso bancário à população, os bancos públicos são os principais responsáveis por movimentarem a economia: dos R$ 26,9 bilhões em empréstimos concedidos por instituições bancárias, 93% são créditos concedidos por bancos públicos.

“No Espírito Santo, por exemplo, é muito insignificante a presença dos bancos privados, que são responsáveis por apenas 7% de empréstimos à população. Fica evidente que captam dinheiro no Estado e levam para o exterior. São os bancos públicos o grande instrumento de financiamento e de atendimento à população. Mas as políticas públicas realizadas pelos bancos públicos estão sob forte ameaça na conjuntura atual”, enfatiza o presidente da Fenae.

A nível nacional, o Banco do Brasil e a Caixa também se destacam como maiores operadores de crédito, sendo a Caixa responsável, atualmente, por R$ 158 milhões e o BB por R$ 115 milhões. Nas políticas públicas educacionais, o BB também cumpre um papel fundamental. Em 2015,  cerca de 2,2 milhões de estudantes foram beneficiados pelo Financiamento Estudantil (Fies). Desse total, 76% eram alunos de escola pública.

Dentro desse processo político de desconstrução das instituições públicas há uma intenção clara de entregar o patrimônio público dos brasileiros às iniciativas privadas. É inadmissível que um ministro da Economia ofereça o BB como parceiro para um banco norte-americano, como fez Paulo Guedes. A lei das estatais, a autorização do Supremo Tribunal Federal de venda das subsidiárias sem passar pelo parlamento, a terceirização, são o início do sucateamento dos bancos públicos”, destacou Danilo Funke.

O ataque à categoria bancária também foi destacado por Funke. “Além do desmonte do bancos públicos e das novas tecnologias, há os ataques diretos aos trabalhadores como a reforma trabalhista, a terceirização e reforma da  Previdência. Estamos vendo nossa categoria ser destruída no Brasil. Temos que voltar a nos organizarmos melhor. Mais do que tudo, temos que entender nosso papel e responsabilidade”, frisou.

Saiba mais sobre a presença dos bancos públicos na economia capixaba

  • De 422 agências bancárias no Espírito Santo, 289 (71%) são dos banco públicos: Banestes (121), Banco do Brasil (95), Caixa (77) e BNB (5).
  • Há no ES R$ 26,9 bilhões em operações de crédito ativas, sendo R$ 25 bilhões (93%) pertencentes aos bancos públicos, e apenas R$ 1,9 bilhões (7%) aos bancos privados.
  • Crédito imobiliário: do total de R$ 8,6 bilhões em operações de crédito imobiliário ativas, R$ 7,1 bilhões pertencem à Caixa, R$ 1 bilhão ao Banco do Brasil e R$ 500 milhões ao Banestes.
  • Crédito Agrícola: do total de R$ 4,9 bilhões em operações de crédito agrícola ativas, R$ 4,5 bilhões pertencem ao Banco Brasil.
  • FGTS: desde 1995, o FGTS executou R$ 6,4 bilhões em obras de saneamento, habitação e infraestrutura no Estado.
  • No Programa Minha Cada Minha Vida, a faixa I do Programa ( que atende famílias com renda de até R$ 2 mil) já alcançou 74% dos municípios capixabas, desde a sua criação em 2009. São 16.423 unidades habitacionais e um investimento de R$ 792,8 milhões.
  • Programa Bolsa Família: são 183.835 mil famílias capixabas beneficiadas. O valor transferido aos beneficiários em abril de 2019 foi de R$ 31.776.466,00.
  • Apenas em 2018, foram 275 instrumentos assinados no Estado com a participação direta da Caixa, que totalizaram R$ 89,2 milhões beneficiando o estado e várias prefeituras. No mesmo ano o Banco do Brasil foi responsável direto pela assinatura de R$ 59 instrumentos com valor global de R$ 22,6 milhões.

(Fontes: Banco Central, Caixa, Ministério da Cidadania e Ministério da Economia.)