O coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, conduziu os debates do congresso específico. Fotos: Sérgio Cardoso

Os bancários do Banestes também se reuniram em Congresso específico nesta sexta-feira, 12, para debater suas pautas prioritárias em preparação para as negociações Campanha Nacional 2019. A expectativa é potencializar a luta dos banestianos pela sustentabilidade da Banescaixa e avançar nas questões de condições de trabalho, garantindo novas contratações. O congresso específico dos empregados do Banestes aconteceu nesta sexta-feira, 12, integrando a programação do VI Congresso Estadual dos Bancários e Bancárias capixabas, que segue até domingo, 14, no hotel Praia Sol, em Nova Almeida, Serra.

Banescaixa

Bancários fizeram um debate amplo sobre o histórico da Banescaixa, sobre as mudanças pelas quais passou o plano e sobre sua atual situação financeira.

Os banestianos vêm enfrentando aumentos sucessivos na mensalidade desde que a forma de contribuição, que era por percentual, passo a ser por faixa etária, em 2009. Nessa mesma reestruturação, o banco ainda deixou de fazer os aportes ao plano e de contribuir com dependentes e aposentados, o que fez com que pelo menos um terço dos bancários aposentados deixasse de contribuir por não poderem arcar com as mensalidades, gerando queda na arrecadação no plano. Com o impacto para este segmento, muitos optaram por planos de mercado ou estão utilizando o SUS, que vem sendo ameaçado pelo corte de verbas e pela política de privatização da saúde pública.

Júlio Gomes, representante dos empregados no Conselho da Banescaixa

O representante dos empregados no Conselho da Banescaixa, Júlio César Gomes, fez uma exposição sobre o funcionamento dos reajustes do plano, que teve a tabela reajustada em 10,3% no início de maio. Ele explicou que, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), as despesas do plano de saúde devem corresponder a no máximo 85% de sua arrecadação para que os reajustes sigam o índice do INPC (indicador inflacionário). Caso ultrapasse essa marca, a diferença percentual deve ser acrescida ao INPC no reajuste. Como a Banescaixa apresentou balanços negativos por vários anos, muitos aumentos têm sido superiores à inflação do período, onerando os associados.

Segundo balanço mais recente divulgado pela Banescaixa, o plano conseguiu superar o déficit de R$ 4,7 milhões apresentado em 2017, fechando o exercício de 2018 com saldo positivo de R$ 623 mil. Apesar da evolução, ainda não foi possível alcançar o índice adequado de sinistralidade.

Os bancários debateram propostas para enfrentar os desafios de sustentabilidade da Banescaixa, entre elas: fazer uma plenária unificada com entidades do funcionalismo (Banespar, Sindicato, Fundação Banestes e Agebes) e empregados para debater o tema; buscar consultoria e realizar um estudo atuarial que ajude a pensar propostas alternativas para o financiamento do plano, analisando a viabilidade da contribuição por percentual; reivindicar ao banco a volta da contribuição percentual e paritária para ativos e aposentados, a redução do valor da coparticipação e que o banco arque com os custos da sinistralidade.

Condições de trabalho

A falta de funcionários foi destacada como problema central em relação às condições de trabalho, gerando acúmulo de função e adoecimento. “Ao mesmo tempo em que o banco nega a necessidade de contratações, os clientes vão sendo deslocados para os correspondentes bancários”, critica Alan Sauer, dirigente do Sindibancários/ES.

O Congresso indicou a necessidade de fazer um levantamento amplo sobre a falta de empregados no banco, identificando as agências onde o déficit é crítico para construir atos e paralisações que pressionem por mais contratações.

Os bancários e bancárias discutiram também os problemas da seleção interna e do Plano de Desempenho Individual (PDI), criticado por muitos por conter aspectos subjetivos, critérios parciais e direcionados, ferindo, portanto, a isonomia entre os empregados.

Os representantes do Sindicato lembraram o compromisso assumido pelo presidente do Banestes em negociação, de analisar a situação da Banescaixa e avaliar a situação dos locais com déficit de empregados – compromisso que será cobrado pelos dirigentes.

Terceirização

Durante o congresso banestianos e banestianas demonstraram ainda preocupação com a ampliação da terceirização de setores do Banestes. Além da Coarc (Coordenadoria de Atendimento ao Cliente), terceirizada recentemente, circula pelo banco rumores de que a Comin, setor que faz a manutenção dos caixas eletrônicos, também será terceirizado.