
Cátia Uehara, economista do Dieese. Fotos: Sérgio Cardoso
A economista do Dieese Cátia Uehara foi a convidada da mesa que debateu reestruturação bancária e os impactos para a categoria, na tarde deste sábado, 13, no VI Congresso Estadual dos Bancários e das bancárias capixabas. Segundo ela, bancos investem pesadamente em tecnologia, ficando em segundo lugar no Brasil e no mundo nesse ranking. Desde 1994, os bancos brasileiros investiram R$ 97,7 bilhões, especialmente em software.
Ela destaca que o processo de reestruturação nos bancos não é novo, mas vem sendo vivenciado de forma diferente ao longo dos anos. A marca do período atual relaciona-se com a chamada indústria 4.0. “Essa indústria é mais que a reestruturação industrial da década de 90, é a utilização massiva da internet, do compartilhamento de dados, da inteligência artificial, de plataformas digitais, que serão inseridos em vários âmbitos da vida, desde o uso de tecnologias financeiras em plataformas digitais, até a conexão de aparelhos domésticos, carros, geladeira, televisão, que estão cada dia mais comum”.
O volume de dados criados nos dois últimos anos, ressalta a palestrante, é maior do que toda a quantidade de dados produzidas na história da humanidade, de modo que existe um “controle” de informações sobre o que compramos, onde compramos, o que acessamos nos meios digitais etc. – é a chamada Big Data. Não à toa, essa é a área prioritária de investimento dos bancos quando o assunto é tecnologia.

Efeitos da indústria 4.0 nos bancos
No sistema financeiro, o impacto da indústria 4.0 pode ser percebido na ampliação das transações financeiras digitais; na digitalização das áreas de apoio, como caixas eletrônicos; no uso da inteligência artificial; nos novos modelos de negócios, como bancos plataforma ou totalmente digitais (como Inter e Next) e também nos novos modelos de trabalho, como o homeoffice.
O número de transações via celular passou de 48,8 bilhões em 2014 para 78,9 bi em 2018, número que corresponde a 40% das transações bancárias hoje. Somadas operações por mobile e internet banking, esse percentual chega a 60%. Já nas agências, o volume de transações é de 5%. Enquanto isso, o número de contas abertas por celular passou de 1,6 milhão para 2,5 milhões. Apesar da maior parte das transações digitais hoje ainda serem sem movimentação financeira – “os usuários ainda não têm tanta confiança para transacionar dinheiro pelos meios digitais, portanto a maioria dessas operações são de consulta”, explica Cátia, – a tendência é que o uso dessas tecnologias aumente ainda mais, tanto por uma demanda da sociedade, quanto por imposição dos próprios bancos na sua estratégia de mercado.
Cátia alerta que o uso do smathphone foi uma forma importante que os bancos encontraram para reduzir custos, e diversas novas tecnologias estão sendo desenvolvidas nesse sentido, a exemplo de aplicativos de pagamento que poderão ser baixados no celular e utilizados por pessoas que sequer têm conta bancária, mas que poderão fazer transferências e pagamentos por QrCode, por exemplo.

Bancários debateram as condições de trabalho diante da nova configuração do trabalho bancário
Emprego
O impacto da reestruturação bancária para os empregos no setor também foi destacado. Segundo dados do CAGED – entre 2013 e 2018, temos um saldo negativo de 60 mil postos de trabalho no setor bancário, considerando a diferença entre o número de admissões e de demissões no período. Em 2018, o corte de postos de trabalho foi de 3 mil, e de janeiro a março de 2019, 1.655 – quase a metade do saldo alcançado em todo o ano de 2018.
Diante dos dados, Cátia aponta a necessidade de refletir sobre a ação sindical nesse contexto, conhecendo essa nova realidade e repensando as formas de combate à exploração do trabalho bancário, um desafio que deve envolver não só a categoria bancária, mas todos os trabalhadores.









