Na tentativa de ludibriar seus empregados, a Caixa mantém uma ampla propaganda sobre o trabalho remoto no portal intranet. Ao mostrar exemplos de bancários que já aderiram ao modelo, a Caixa tenta caracterizá-lo como vantajoso, promotor de boa qualidade de vida e benéfico aos empregados. O que o banco não mostra, no entanto, é o quanto o trabalho remoto viola o acordo coletivo da categoria, transfere todos os custos da atividade bancária para os empregados e pode levar o trabalhador ao adoecimento.

A aparente vantagem de não precisar sair de casa e enfrentar o trânsito, principalmente nas grandes metrópoles, não compensa as fragilidades da relação de trabalho que será estabelecida entre o bancário e a Caixa. Sem a obrigatoriedade de registro de ponto no Sipon e com o direcionamento do programa com base em metas, o trabalho remoto pode representar o fim da jornada de seis horas.

Além disso, com a jornada livre o trabalhador pode ficar desemparado legalmente em caso de acidente trabalho, uma vez que terá dificuldade de comprovar se o acidente ocorreu de fato dentro da jornada de trabalho.

É preciso ficar atento ainda às normas desse modelo. De acordo com a RH 226, que regulamenta o trabalho remoto, bancários e bancárias também devem arcar com todos os custos com iluminação, mobiliários adequados, climatização, equipamentos, limpeza, entre outras. Toda essa responsabilidade e despesa sem receber nenhuma verba salarial ou de custeio por isso.

A diretora do Sindibancários/ES Lizandre Borges alerta, ainda, sobre como o trabalho remoto apresenta riscos à saúde do trabalhador.

“Ao anunciar o início concreto do trabalho remoto, a Caixa mostra apenas o que, talvez, seria o lado bom de trabalhar em casa. Mas é preciso analisar o que significa esse trabalho dentro do seu ambiente privado. Naturalmente, irá existir um conflito entre os momentos do trabalho e os da vida privada, familiar. Isso pode levar ao adoecimento do trabalhador diante da incapacidade de atender satisfatoriamente as demandas domésticas e do trabalho. Por isso, é fundamental que esses ambientes sejam distintos, para que o trabalhador tenha condições de manter sua saúde mental. Não podemos permitir que o trabalho ocupe todas as horas do nosso dia e o lazer, os momento com a família se tornem secundários”.