Manifestantes criticam política de educação e reforma da Previdência

14/08/2019 14:36

Cortes na educação superam os R$ 6 bilhões, comprometendo a qualidade do ensino. Governo lançou também programa que abre universidades para o mercado. Além da pauta da educação, manifestantes também protestaram contra a reforma da Previdência

Manifestantes inciam subida pela Ponte da Passagem, em direção à ALES. Fotos: Sérgio Cardoso

O tsunami da educação tomou as ruas de Vitória nesta terça-feira, 13. Estudantes, profissionais da educação e de outras categorias se uniram contra o corte de verbas na educação e a política educacional do governo Bolsonaro, além da reforma da Previdência, que agora tramita no Senado.

O ato teve dois pontos de concentração, o campus da Ufes, em Goiabeiras, e do Ifes, na Avenida Vitória, de onde os grupos de manifestantes saíram em direção à Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Esse foi o terceiro grande ato no ano contra o desmonte da educação pública.

O Sindicato dos Bancários/ES fortaleceu a manifestação, cuja pauta atinge a todos os trabalhadores, como destaca Jonas Freire, coordenador geral da entidade.  “O Sindicato está junto com os estudantes contra os cortes da educação, a reforma da Previdência e a retirada de direitos. Os ataques à educação pública comprometem o futuro do país, assim como a reforma da previdência compromete a aposentadoria dos trabalhadores. O governo não pode adotar essas medidas sem a resistência do povo, por isso estamos aqui hoje junto com os estudantes”, disse.

Os cortes do governo Jair Bolsonaro ao orçamento da educação já chegam a R$ 6,1 bilhões. Nesta semana, a administração da Universidade Federal do Espírito Santo informou à comunidade acadêmica um plano de contenção de despesas para se adequar à redução orçamentária, que atinge pelo menos 30% da verba destinada ao custeio das universidades e institutos federais. O plano inclui: corte de 50% das despesas de manutenção e equipamentos, material de consumo e manutenção da área verde; redução da frequência da limpeza de banheiros, salas de aulas e espaços administrativos; suspensão de ajuda de custo para eventos e limitação do uso de ar condicionado nas salas, exceto em espaços sem ventilação, laboratórios ou salas com equipamentos sensíveis ao calor.

O Future-se, programa recém-anunciado pelo governo Bolsonaro para as universidades, também foi alvo do protesto.  O programa permite que Organizações Sociais (OS) sejam contratadas para fazer a gestão das universidades e institutos federais, prevê a captação de recursos do setor privado para financiamento de pesquisas e a constituição de um fundo imobiliário para a venda de imóveis ociosos que façam parte do patrimônio da União, além da contratação de professores se concurso, via CLT, por meio das OSs.

Lívia Moraes, que é docente do curso de Ciências Sociais da Ufes, foi uma das professoras presentes no ato. Para ela, o programa pode significar o fim da universidade pública. “Quem aderir ao programa vai assinar o fim da universidade pública, porque ela vai ser gerida por uma organização social, e todo o dinheiro orçamentário vai para as mãos de um fundo financeiro, para pura especulação. Os próprios imóveis da universidade podem virar títulos para especulação. O programa vai gerar ainda a hipervalorização de uma pesquisa voltada para o mercado e, ao mesmo tempo, a desvalorização do ensino e da extensão. E pode selar o fim dos concursos públicos e criar e uma universidade extremamente excludente”, criticou.

A ato foi marcado pela potência e irreverência da juventude que, ao longo do percurso, deu o tom das palavras de ordem parodiando músicas diversas. As falas do presidente também foram criticadas em tom jocoso. “Que contradição, fala merda toda hora, mas cagar, só dia sim, dia não”, cantaram os manifestantes, em alusão à declaração do presidente a um jornalista sugerindo que ele deveria “fazer cocô dia sim, dia não” para melhorar a preservação do meio ambiente.