A agência do Banestes no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, na Enseada do Suá, foi palco, na manhã de terça-feira (24), de uma ação do Sindibancários/ES para denunciar o funcionamento da unidade com número reduzido de funcionários. Com faixas, panfletos e palavras de ordem, os dirigentes sindicais sensibilizaram os empregados e usuários do banco, que apoiaram a manifestação.

Essa não é a primeira vez que o Sindibancários/ES realiza esse tipo de ação. No início do ano, os dirigentes também atrasaram a abertura da agência de Maruípe e da Central do Banestes em protesto ao descaso do banco, que insiste em manter o funcionamento normal das unidades sem número suficiente de empregados para atender à demanda.

“No início do ano, fizemos essas mobilizações para denunciar a falta de funcionários e a sobrecarga dos bancários. No entanto, seis meses se passaram, e as agências continuam sofrendo sem reposição. O banco não convoca novos trabalhadores e não apresenta uma solução”, critica a diretora Vanessa Espíndula. “No final de 2024, foi implementado o Programa de Demissão Voluntária (PDV), que dispensou 113 funcionários. E, neste mês, o banco convocou apenas cinco. Ou seja, atualmente, os funcionários estão tendo que assumir o trabalho desses 113 que saíram”, relata.

De acordo com informações recebidas pelo Sindibancários/ES, há casos como o da agência de Colatina, onde seis funcionários saíram pelo PDV. Em Maruípe e Jucutuquara, foram cinco desligamentos. Já na agência Central e no Tribunal de Contas, quatro funcionários deixaram o banco. Considerando outras situações, como férias, cessões e afastamentos médicos, algumas agências operam com quase metade do quadro original.

“Não existe banco presente em todo o município sem funcionários”, alfineta o coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão). “Se aqui no Tribunal de Justiça, que é vitrine e deveria ser uma agência referência, o banco age assim, imagine nas demais. Falta funcionário, e isso é vergonhoso para um banco público estadual com lucro exorbitante. Não podemos tolerar essa gestão”, adverte.

Sobrecarga e adoecimento

Com a redução de trabalhadores, principalmente devido ao PDV, os que permanecem enfrentam sobrecarga para suprir a demanda. A situação fica ainda mais precária considerando que há as situações específicas de cada agência: bancários cedidos ou os que precisam tirar férias, afastamentos por motivos de saúde, licenças maternidade, entre outros.

“Além disso, o banco tem demitido sem justa causa, principalmente funcionários adoecidos, que viram ‘problema’. Temos vários casos no nosso jurídico e já denunciamos ao Ministério Público do Trabalho e estamos tentando reintegrar essas pessoas demitidas através da justiça”, relata Vanessa. “A diretoria desse banco permite uma gestão que adoece, que só prioriza o lucro e ignora a saúde dos empregados e a qualidade do atendimento. É urgente que o banco faça novas convocações e que o quadro seja reposto”, finaliza.

Novas convocações

Durante o ato, os dirigentes cobraram a chamada dos aprovados em concursos recentes. O diretor Marcelo Pimentel criticou o aumento da jornada como “solução”: “O banco tem usado o recurso da interinidade para aumentar a jornada, ele nomeia as pessoas em função de 8 horas para elas darem conta do trabalho, ao invés de contratar mais funcionários. Uma política de tirar o sangue e até o osso de cada funcionário. Estamos aqui para exigir soluções. Uma delas é convocar os aprovados. Há uma fila enorme de pessoas dispostas a trabalhar e aguardando serem convocadas. Essa reivindicação é antiga e necessária”, concluiu.