Aglomeração nas agências preocupa Sindicato

13/04/2020 20:12

O aumento do movimento acontece justamente no momento em que a curva do coronavírus está ascendente. Nesta terça-feira, 13, o MPF pediu ao MP-ES e ao MPT que adotem medidas em defesa da saúde dos trabalhadores em atividades essenciais, caso dos bancários

Desde o dia 23 de março, um decreto do Governo do Estado (válido até o dia 19/04/2020) determinou o fechamento das agências bancárias em todo o Espírito Santo. Apesar de o atendimento estar restrito a portadores de doenças graves e a beneficiários de programas que têm o propósito de mitigar os efeitos socioeconômicos do coronavírus, o Sindicato dos Bancários/ES tem flagrado um aumento no movimento nas agências bancárias.

A diretora do Sindicato, Lizandre Borges, afirma que o início do pagamento do auxílio emergencial, na semana passada, com certeza levou mais gente para as agências. Essa situação, segundo ela, preocupa muito o Sindicato. ”As aglomerações crescem a cada dia, aumentando os riscos de contágio para empregados, clientes e usuários dos bancos. A tendência é que o movimento aumente nas próximas semanas, justamente no momento em que a curva da Covid-19 começa entrar na sua fase mais crítica”, adverte Lizandre.

Ela diz que o Sindicato continua recebendo denúncias dos bancários que acusam os bancos de não cumprirem os protocolos de uso de equipamentos de proteção, distanciamento social, sanitário e de higienização. Segundo a sindicalista, desde o início da pandemia o Sindicato reivindica o fechamento das agências e o isolamento social dos bancários como única medida efetiva para evitar o contágio. Apoiado no decreto governamental, o Sindicato tem enviado ofícios ao próprio governo do Estado, prefeitos e Ministério Público pedindo que o decreto seja rigorosamente cumprido.

Nesta segunda-feira, 13, o Ministério Público Federal (MPF) pediu ao MP do Trabalho e MP Estadual que adotem ações para proteger a saúde dos trabalhadores. O MPF requer que o MP do Trabalho “fiscalize, acompanhe e exija o fornecimento de EPI aos profissionais que atuam em atividades essenciais, em especial em relação às categorias mais vulneráveis e que atuam com massas de pessoas”, como bancários, funcionários de transportadoras de pessoas, de serviços funerários e comerciários – notadamente os que atuam em supermercados, drogarias, restaurantes e congêneres. A representação do MPF também chama a atenção para a necessidade de o MPT fiscalizar, acompanhar e exigir que as empresas forneçam os equipamentos de proteção para os profissionais de atividades essenciais.

Na representação, o MPF pede ainda que a Procuradoria do Trabalho efetue gestões junto aos sindicatos patronais e dos trabalhadores das categorias mais numerosas da Grande Vitória. A proposta é definir horários de trabalho para desafogar o sistema de transporte público e reduzir aglomerações de trabalhadores nos deslocamentos casa-trabalho-casa.

Lizandre prevê que nas próximas semanas as aglomerações nas agências aumentem, sobretudo na Caixa Econômica e nas lotéricas, que estão fazendo o pagamento do auxílio emergencial. De acordo com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o banco público, antes da pandemia, já atendia cerca de 25 milhões de pessoas por mês. Ele estimou que esse contingente dobre com o pagamento do auxílio. “Apesar do presidente da Caixa afirmar no lançamento do auxílio que os recursos tecnológicos, como o uso de aplicativo, reduziriam as aglomerações, não é isso que estamos vendo na prática. As pessoas acabam correndo ao banco na expectativa de sacar o benefício, situação que inevitavelmente gera aglomerações”.

Casos no ES

Até esse domingo, 12, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Espírito Santo tinha 430 confirmados de Covid-19; 14 mortes e outras sete sob investigação. Há ainda 67 pacientes internados; 44 deles em UTI. No ES, segundo a Sesa, há 300 leitos de UTI destinados a pacientes com Covid-19, porém, 50 deles aguardam a chegada de respiradores. Isso significa que há uma média de um leito de UTI para cada 16 mil habitantes, retaguarda insuficiente para acompanhar uma iminente demanda por vagas de terapia intensiva nas próximas semanas. Como têm orientado a OMS e a comunidade científica internacional, a única maneira hoje de evitar o colapso do sistema de saúde é o achatamento da curva, que só pode ser alcançada com o isolamento social.

De acordo com dados do Ministério da Saúde (atualizados até 12/04/2020), o Espírito Santo têm 9,53 casos confirmados do Covid-19 para cada 100 mil habitantes. Esse índice deixa o Estado na nona posição no ranking nacional, na frente de estados como Minas Gerais, Bahia, Goiás e Paraná, por exemplo.

“Quando olhamos para esses números nossa preocupação com a categoria aumenta. Perdemos um colega da Caixa São Mateus há pouco mais de uma semana e outros dois bancários do mesmo município também testaram positivo para Covid-19. Soubemos agora de mais um caso confirmado na Grande Vitória. Por isso temos insistido tanto no fechamento das agências. Mas, enquanto isso não corre, é muito importante que as medidas preventivas – reforçadas agora nessa representação do MPF, acionando o MPT e MP Estadual -, sejam cumpridas pelos bancos”, ressalta Lizandre.

A dirigente sindical afirma que o poder público precisa assumir a organização das filas na parte externa das agências e lotéricas. “Não há como o bancário ficar do lado de fora organizando filas. Precisamos do auxílio do poder público, caso contrário, os usuários não respeitarão o distanciamento social, como temos visto nos últimos dias”. Lizandre diz ainda que nas áreas de autoatendimento também têm ocorrido aglomerações. Ela explica que das 10h às 14h, quando as agências estão funcionando, os bancários contingenciam a entrada nessas áreas, mas, fora desse horário, as áreas de atendimento eletrônico ficam lotadas, pondo em risco usuários e clientes. “Mais uma vez, a solução para esse problema seria a presença do poder público para organizar esse fluxo”, sublinha Lizandre.

Confira abaixo as fotos feitas pelo Sindibancários/ES na última quinta, 9, e nesta segunda-feira, 13, registrando aglomerações em agências bancárias da Grande Vitória e do interior. As imagens mostram que houve grande movimento na Caixa e no Banco do Brasil, que estão fazendo o pagamento do auxílio emergencial nesta primeira fase. Mas nas agências dos bancos privados também ocorreram aglomerações. Destaque para a agência do Santander em Laranjeiras, Serra (Fotos: Sérgio Cardoso).