ANS dá 30 dias para a Cassi apresentar programa de saneamento

24/10/2019 15:03

Para recuperar reservas e o equilíbrio financeiro da Caixa de Assistência dos Funcionários do BB seria necessário um aporte de R$ 1,2 bilhão

A diretora fiscal da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), nomeada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), comunicou nesta quarta-feira, 23, que a entidade tem até o dia 23 de novembro para apresentar um programa de saneamento a ser cumprido em dois anos. A exigência da ANS tem como objetivo garantir a recuperação do equilíbrio financeiro, do patrimônio líquido, da margem de solvência e a constituição de ativos garantidores para suportar as provisões técnicas.

Goretti Barone, diretora do Sindibancários/ES, lembra que o prazo já era aguardado pelos bancários, mas que agora é preciso intensificar os esforços para que entidades representativas e a direção do banco cheguem a um acordo.

“Os associados têm consciência da necessidade de aumentar a sua contribuição, mas a direção do Banco do Brasil precisa fazer a sua parte. Os bancários querem negociar a situação da Cassi e têm proposta para isso. Cabe ao banco abrir um diálogo franco e comprometido com a solução do problema. O que não dá é utilizar o déficit para empurrar os empregados para um modelo de custeio que altera os princípios da Cassi”, diz.

Barone faz referência à proposta encaminhada ao Banco do Brasil em outubro, que foi rejeitada pela direção do BB sem sequer entrar em negociação. Nas últimas negociações sobre o tema, o banco se manteve intransigente, insistindo na defesa da proposta submetida ao voto dos associados em maio, que foi recusada pela categoria.

Números da Cassi

De acordo com nota emitida pelo presidente da Cassi, Dênis Corrêa, o Patrimônio Líquido é negativo em R$ 137 milhões, a insuficiência na margem de solvência é de R$ 905 milhões e os ativos garantidores estão negativos em R$ 116 milhões. A soma destes números chega na casa do R$ 1,2 bilhão, valor necessário para recuperar as reservas e readquirir o equilíbrio.

O Programa de Saneamento exigido pela representante da ANS deverá estar aprovado dentro de 30 dias e, pelos dados disponibilizados publicamente pela Cassi, exigirá um aporte extraordinário, do banco e dos associados, de R$ 1,2 bilhão. Além disso, a Cassi terá de rever o seu plano de custeio para que tenha recursos suficientes para manter o equilíbrio entre receitas e despesas. De acordo com Dênis Corrêa, em agosto, a Caixa de Assistência fechou com déficit acumulado de R$ 58 milhões.