Os empregados dos Correios decidiram encerrar a greve que completou 35 dias nessa segunda-feira, 21. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) recomendou aos sindicatos filiados a orientarem nas assembleias o retorno ao trabalho a partir das 22h dessa terça-feira, 22. Em nota, a FENTECT criticou o Tribunal Superior do Trabalho (TST) por julgar o dissídio de greve pautado pelas políticas do governo Bolsonaro de retirada de direitos da classe trabalhadora.
“Ficou evidente na sentença colocada pelo TST um alinhamento político ideológico do Tribunal com o governo, subserviente às políticas atuais e visando, inclusive, a indicação de vaga no Supremo Tribunal Federal (STF)”, acusa um trecho da nota, que complementa: “(…) o resultado desse julgamento e o comportamento destes que representam o Judiciário brasileiro não é novidade. Não é de hoje que o Judiciário vem mostrando a sua face mais obscura do jogo de interesse político dentro dos tribunais deixando de lado a imparcialidade e a harmonia que deveria existir entre os poderes. Infelizmente, o TST e STF se tornaram um banco de negócios para atender interesses políticos e individuais”.
O diretor do SINTECT-ES (Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Correios, Prestação de Serviços Postais, Telégrafos, Encomendas e Similares do Espírito Santo), Fischer Marcelo Moreira, lamentou o desfecho da greve e a postura de subserviência do TST ao governo. “Nos retiraram direitos conquistados há décadas. Isso é muito dolorido. Nesse momento somos tomados por um sentimento de frustração. Mas estamos juntando os corpos, cuidando dos feridos para reunirmos a tropa novamente. A luta não pode parar. Continuamos sob ataque deste governo”, enfatizou Fischer se referindo à ameaça iminente de privatização dos Correios.
O dirigente acrescentou que a Justiça, ao julgar o dissídio dos empregados dos Correios, abriu um precedente perigoso que deixa todas as outras categorias dos setores público e privado vulneráveis. “Nós funcionamos como um laboratório. Apesar da resistência, eles retiraram uma série de direitos da categoria. Sabíamos que a reforma trabalhista abriu o caminho para a retirada de direitos da classe trabalhadora, mas alimentávamos uma esperança de que algumas conquistas eram pétreas. Havia a expectativa de que a Justiça não se atreveria em mexer nesses direitos consagrados. Mas constatamos que a Justiça está decidida a retirar quaisquer direitos do trabalhador. Não há mais nada garantido. Isso é um sinal de alerta para as outras categorias”, advertiu Fischer.
A diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, parabenizou a coragem e determinação dos empregados dos Correios de realizarem uma greve longa em um cenário político e sanitário tão adverso. “Mostraram muita resistência e abnegação. Manter a mobilização nacional de uma categoria por mais de um mês em meio a uma pandemia e enfrentando um governo que está o tempo todo pronto para atacar a classe trabalhadora é uma tarefa dificílima. Apesar do saldo negativo no que diz respeito às perdas para a categoria, do ponto de vista da luta, do enfrentamento, entendo que a greve foi vitoriosa”, pontua Rita Lima.
Fischer fez questão de destacar como aspecto positivo a solidariedade das entidades sindicais e partidos políticos do campo da esquerda que apoiaram o tempo todo o movimento grevista dos empregados dos Correios.
Num outra trecho da nota, a FENTECT avalia que o saldo “não contempla a categoria e causará um empobrecimento dos trabalhadores frente as perdas salariais que essas cláusulas usurpadas representam na folha de pagamento e em benefícios que garantem a dignidade do ecetistas e suas famílias. No entanto, sabemos que muitas lutas virão pela frente como a batalha contra a privatização dos Correios, que já está na ordem do dia. Por isso, este é um momento de reflexão, aglutinação, e sobretudo de recuperar todas as nossas forças para enfrentar as próximas lutas que estão por vir”. A FENTECT informou que recorrerá da decisão do TST.

