Após cobranças do movimento sindical, a Caixa Econômica Federal decidiu fazer uma readequação de metas de crédito. Nos últimos dias, as solicitações de crédito só estavam sendo aprovadas para clientes com rating (classificação de risco) muito mais elevado que o exigido anteriormente. Somou-se a isso, problemas técnicos recorrentes no sistema que dificultaram as operações de crédito. Resultado, os empregados não estavam conseguindo cumprir as metas.
“Se a cobrança por metas já tira o sono da maioria dos empregados, nos últimos, cumpri-las se tornou um pesadelo. A Caixa simplesmente aumentou as exigências para liberação do crédito. Para dificultar ainda mais a vida do trabalhador, o sistema entrou em pane. Os sistemas, em algumas localidades, ficaram indisponíveis durante todo o expediente do dia 9, situação que gerou tensão entre os empregados, que se sentiram mais pressionados ainda pelo banco e pelos clientes”, aponta Lizandre Borges, diretora do Sindicato dos Bancários/ES e membro da Comissão Executiva dos Empregados (CEE).
Apesar de a Caixa ter readequado os parâmetros de crédito, ainda há problemas para bater as metas relativas à seguridade. A dirigente cita como exemplo o fato de o seguro prestamista não poder ser feito sem que haja crédito pela própria característica do produto.
Critério injusto
Para Lizandre, a alteração do rating ou classificação de risco é só uma consequência de um problema muito maior. “A raiz do problema são os critérios de avaliação. É preciso rediscuti-los juntamente com as metas. É injusto metrificar o desempenho do empregado restringindo-se à venda de produtos. A avaliação de desempenho tem de ser ampla, contemplar todas as dimensões do trabalhador, e não por uma visão compartimentada”, critica.
A dirigente destaca que a política de metas das gestões de Pedro Guimarães (afastado por assédio sexual e moral, no final de junho) e Daniella Marques estão amarradas à Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP). “Essas metas são impostas para mensurar o desempenho do trabalhador e elas atingem a todos e a todas. Quem, por algum motivo, não consegue cumpri-las, como no caso da mudança do rating, pode receber uma avaliação (feed back) negativa e ter seu encarreiramento comprometido, por exemplo, com a perda da função. Repito, a discussão dos processos avaliativos vem na frente das metas”, enfatiza Lizandre.

