Foto: Sérgio Cardoso

Nesta sexta-feira, 20, durante as tratativas com o presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, a comissão de negociação foi surpreendida com a informação de que o Edital 56/2019 fora publicado na véspera da reunião.

Desde que o fantasma da terceirização passou a rondar o banco, o Sindicato dos Bancários/ES tem se mobilizado para afastar a ameaça que põe em risco a manutenção do Banestes público e estadual. Se de um lado a ameaça da terceirização é sempre um risco iminente, os representantes do Sindicato têm um trunfo nas mãos: o termo de compromisso assinado pelo então candidato ao governo Renato Casagrande (PSB) durante a campanha eleitoral de 2018. No documento, entre outras questões, Casagrande firma o compromisso de contratar novos empregados “somente por meio de concurso público e que não haja, portanto, terceirização de qualquer tipo de serviço”.

Foi com base nesse compromisso que o Sindicato se reuniu no último dia 11 com o assessor especial de Casagrande, Juarez Vieira, como “ponte” para chegar ao próprio governador e reivindicar o cumprimento do acordo. Desse encontro com Vieira, desdobrou a reunião com o presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, que aconteceu nesta sexta-feira, 20, na sede do banco, no Centro de Vitória.

Na abertura da reunião, o coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, como já tratado na pauta com Vieira, voltou a reivindicar a suspensão de todo o processo de terceirização do banco, em especial, o que afeta o Centro de Processamento de Dados (CPD) do Banestes, até que a comissão de negociação seja recebida pelo governador.

O presidente do Banestes, evitando entrar diretamente na pauta, manifestou preocupação com a concorrência agressiva que a instituição vem sofrendo, sobretudo, dos bancos digitais. “Tem mais banco digital do que salão de cabeleireiro”, exagerou. Amarildo fez a comparação irônica para justificar que o Banestes precisa acompanhar as mudanças tecnológicas para se manter sustentável. “Precisamos nos modernizar para enfrentarmos as ameaças”, alertou.

Amarildo não revelou, porém, a principal ameaça ao banco: a terceirização – preocupação dos banestianos e pauta central da reunião. Somente após uma hora de reunião (que durou 90 minutos), depois de ser questionado se havia ou não algum edital em andamento ou estudo neste sentido, é que o presidente do Banestes admitiu a existência do Edital 56/2019, que tem como objetivo contratar serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC) para o Sistema Financeiro Banestes.

Os representantes da comissão, que vinham acompanhando atentamente a publicação de editais com proposta de terceirização, ficaram surpresos com a notícia. E, em seguida, indignados quando souberam que o edital fora publicado na véspera da reunião. Para Jonas, a notícia o surpreendeu porque havia uma expectativa, após a primeira conversa com Juarez, de que as licitações seriam paralisadas até que houvesse a conversa com o governador.

Procurando tergiversar e mitigar o mal-estar após a revelação do edital, Amarildo afirmou que os serviços de tecnologia que serão contratados não poderiam ser interpretados como terceirização. Argumento que não convenceu os representantes da comissão.

“Na avaliação do Sindicato, a reunião foi frustrante. Depois de sermos recebidos pelo assessor especial do governador, e hoje pelo presidente do banco, entendemos que estávamos no caminho para levar nossa reivindicação diretamente a Renato Casagrande, antes que qualquer decisão fosse tomada. Não foi isso que aconteceu. O edital foi publicado nas nossas costas, o que denota desrespeito com os empregados do banco e com o processo negocial em curso”, criticou Jonas.

O coordenador geral disse ainda que o Sindicato continuará insistindo em se reunir com o governador. “Queremos ouvir a posição dele tête-à-tête. Afinal, foi ele quem firmou o compromisso conosco”, finalizou.