Aprovado acordo de compensação de horas no Itaú

14/05/2020 10:57

O acordo prevê que as horas não trabalhadas pelos funcionários dos grupos de risco ou por aqueles que estão em revezamento serão compensadas a partir de janeiro de 2021. Os dias de março e abril serão abonados

Os bancários e as bancárias do Itaú aprovaram acordo específico para compensação das horas não trabalhadas em função da pandemia do coronavírus. A votação sobre a proposta foi virtual e aconteceu ao longo desta segunda e terça-feira, 11 e 12 de maio.

O acordo prevê que as horas não trabalhadas pelos funcionários dos grupos de risco ou por aqueles que estão em revezamento nos locais de trabalho serão compensadas a partir de janeiro de 2021. Os dias de março e abril serão abonados, entrando na contagem das horas a serem compensadas apenas as referentes aos dias de maio. E sobre essas horas de maio, haverá um desconto de 10%. 

A compensação vai acontecer até dezembro de 2021, com o limite de duas horas por dia. Ao final do ano, o saldo negativo de horas será zerado independentemente dos motivos que levaram a restar horas a compensar, seja licença-médica ou outras situações. O Itaú garantiu os empregos até o final da pandemia. Após o fim desse período, se houver demissões, não haverá desconto de eventual saldo negativo de horas relativas ao afastamento pelo isolamento social.

A pedido do movimento sindical, os funcionários de seis horas poderão ter 30 minutos de intervalo e não apenas 15, além da possibilidade de caixas e gerentes atuarem na Central de Atendimento. Nesses casos, quem é de oito horas trabalha seis e não fica com horas em débito. O banco fornecerá treinamento e equipamento para o trabalho em home office.

O Sindicato dos Bancários/ES orientou a aprovação do acordo, mas apontou contradição entre o lucro histórico do banco e o processo de retirada de direitos em curso. Para a entidade, o Itaú está se aproveitando das medidas do Governo Bolsonaro que autorizam, de forma generalizada, os empregadores de pequeno, médio e grande porte, como os banqueiros, a adotarem as mesmas ações em relação aos seus empregados, incluindo a compensação de horas que não podem ser cumpridas devido ao isolamento social. 

“O Itaú teve mais de R$ 70 bilhões de lucro de líquido nos últimos sete anos e, ainda assim, obriga seus empregados, que vivem toda a tensão dessa pandemia, a compensarem horas não trabalhadas não por desejo dos bancários, mas por necessidade da vida. Então consideramos essa posição do banco bastante absurda. Mas, infelizmente, as medidas de Bolsonaro permitem isso aos bancos, e os banqueiros, que não levam em conta o esforço dos bancários na geração dos seus lucros, se aproveitam dessa legislação”, afirma o diretor do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).