Às vésperas da liberação do auxílio, corrida às agências cresce

08/04/2020 22:04

Embora o auxílio de R$ 600,00 comece a ser pago nesta quinta-feira, 09, somente a pessoas que já são correntistas da Caixa e do BB, desde o início desta semana houve um aumento significativo na demanda de atendimento em todos os bancos. No ES, houve aglomerações em diversas agências


Ainda não é possível afirmar que a corrida às agências bancárias nesta semana esteja relacionada ao anúncio da liberação do auxílio emergencial de R$ 600,00, que começa a ser pago nesta quinta-feira, 09. Neste primeiro momento, o auxílio será pago às pessoas que já possuem conta corrente na Caixa Econômica ou no Banco do Brasil. A partir dessa segunda-feira, 06, porém, houve um aumento na demanda de atendimento em todos os bancos, causando aglomerações em diversas agências país afora.


A imprensa flagrou aglomerações em diversos estados, sobretudo nas capitais. Os noticiários destacaram que algumas pessoas que estavam nas filas do lado de fora das agências da Caixa e do BB, procuravam informações sobre o pagamento do auxílio emergencial. Mas o aumento da demanda também foi observado em bancos privados.


No Espírito Santo também houve corre-corre às agências bancárias. O Sindicato dos Bancários/ES tem recebido desde o início desta semana registros de aglomerações em agências da Grande Vitória. Nessa terça-feira, 07, a agência do BB na rua Jerônimo Monteiro, na Glória, Vila Velha, teve demanda acima do normal. A unidade BB da avenida Reta da Penha também registrou aumento na demanda e em alguns momentos clientes e usuários se irritaram com o tempo de espera. Nas agências da Caixa não foi diferente. Na Caixa de Goiabeiras, em Vitória, houve princípio de tumulto e a polícia precisou ser acionada.

Apesar do decreto do Governo do Estado, publicado no último dia 23, que determinou o fechamento das agências e restringiu o atendimento, a correria às agências em tempos de pandemia de coronavírus gera ainda mais estresse nos bancários, que estão o tempo todo vulneráveis ao contágio. As imagens mostram que muitas pessoas não estavam respeitando as recomendações de distanciamento no setor de autoatendimento e nas filas que se formavam no lado de fora das unidades. Há também relatos de empregados que têm sofrido agressões verbais e até físicas de clientes e usuários.


“Não há como afirmar que esse crescimento da demanda tenha relação direta com o anúncio do pagamento do auxílio emergencial, que só começa nesta quinta-feira [09]. A Caixa sempre atende muita gente. Ontem [07] ainda havia beneficiários do INSS, bolsa família. Nos bairros mais populares, o fluxo sempre é grande, sobretudo em algumas datas específicas. Mas também não podemos descartar que muitos ali já estavam atrás do auxílio”, diz Rita Lima, diretora do Sindicato.

Ela também cobra que todas as medidas sanitárias e de higiene sejam rigorosamente cumpridas para evitar que ninguém adoeça: os empregados que estão na linha de frente cumprindo o decreto do Governo do Estado e os clientes e usuários que estão em busca de um alívio para a sobrevivência. “Vamos continuar pressionando o Governo do Estado e os prefeitos para que o poder público assuma a organização das filas. É urgente que essas medidas sejam tomadas para a garantia de todos”, afirma Rita.

O Sindicato já enviou dois ofícios ao Governo do Estado pedindo o fechamento completo das agências, departamentos, correspondentes bancários e financeiras. O Sindicato também solicitou reuniões com os prefeitos da Grande Vitória e com a Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes). O intuito da reunião é discutir as responsabilidades dos bancos e das autoridades públicas para garantir condições de saúde de bancários, clientes e usuários. O Sindicato reivindica a suspensão do atendimento nas agências, como prevê o decreto governamental, medidas para evitar aglomerações e o cumprimento dos procedimentos sanitários e de higienização do autoatendimento e do interior das agências bancárias.

Evelyn Flores, também diretora do Sindicato, conversou com empregados das agências do BB para entender os motivos do aumento do movimento. Alguns funcionários relataram que boa parte dos atendimentos não era urgente e poderia ser feito em canais digitais do banco. “Há uma grande apreensão em relação ao início da liberação do auxílio emergencial, principalmente nesta fase inicial em que há muito desencontro de informações. O temor é que essa nova demanda leve o atendimento ao colapso, expondo ainda mais empregados, clientes e usuários, justamente no momento em que a curva começa a crescer”, alerta a dirigente sindical.

Auxílio emergencial
O auxílio emergencial é um benefício financeiro destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus – Covid-19.

O benefício no valor de R$ 600,00 será pago por três meses, para até duas pessoas da mesma família. Para as famílias em que a mulher seja a única responsável pelas despesas da casa, o valor pago mensalmente será de R$1.200,00.

Datas de pagamento do auxílio

1ª parcela

Quem tem poupança na Caixa ou correntista do BB A partir de 9/4 Em até 2 dias úteis
Outros beneficiários A partir de 14/4 Em até 3 dias úteis

2ª parcela

Mês de nascimento Dia do pagamento
jan., fev. e mar. 27/4
abr., mai. e jun. 28/4
jul., ago. e set. 29/4
out., nov. e dez 30/4

3ª parcela

Mês de nascimento Dia do pagamento
jan., fev. e mar. 26/5
abr., mai. e jun. 27/5
jul., ago. e set. 28/5
out., nov. e dez 29/5

Beneficiários do Bolsa Família

Parcela Dia do pagamento
1ª parcela de 16 a 30/4
2ª parcela de 18 a a 29/5
3ª parcela de 17 a 30/6