Assédio eleitoral: apoiadores de Flávio punem eleitores de Lula com demissões

28/10/2026 18:09

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), das 2.177 denúncias de assédio eleitoral registradas pelo órgão este ano, mais de 530 (24,3%) foram apresentadas após o 2º turno das eleições

O segundo turno das eleições acabou no último domingo (25) com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Numa disputa eleitoral democrática, o esperado é que um lado naturalmente comemore a vitória e outro lamente a derrota. Mas como o bolsonarismo nega o jogo democrático, essa regra não vale para o eleitorado de Flávio Bolsonaro. Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconhecer a reeleição de Lula, os bolsonaristas entraram no modo vingança. 

Empresários, influencers e até políticos da extrema direita têm defendido publicamente a demissão de trabalhadores e trabalhadoras que votaram no candidato do PT. O assédio eleitoral vem escalando nos últimos dias. O Ministério Público do Trabalho (MPT) aponta que das 2.177 denúncias de assédio eleitoral registradas pelo órgão este ano, mais de 530 (24,3%) foram apresentadas após o 2º turno das eleições. Somente nas últimas 48 horas o MPT registrou 530 denúncias de trabalhadores. Esse número já passou de 658 com as atualizações desta quarta-feira (28). 

Na avaliação do coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), a vingança contra os trabalhadores revela mais uma face fascista do bolsonarismo. “Desde que o bolsonarismo surgiu, temos testemunhado situações insólitas, quase sempre com contornos de perversidade, que também é uma marca do fascismo. Nunca esqueceremos da cena representada por Jair Bolsonaro simulando uma crise de asfixia para caçoar dos pacientes de covid que morriam aos milhares diariamente nos hospitais do país. Agora assistimos aos bolsonaristas retaliando os eleitores de Lula com demissões. Essa é uma ação ilegal que precisa ser rigorasamente coibida pela Justiça do Trabalho. Empresários,influencers e políticos precisam ser criminalmente responsabilizados. Numa democracia, o eleitor tem o direito de manifestar sua posição nas urnas. Não é por acaso que o voto é secreto. Justamente para assegurar a livre escolha política dos cidadãos e das cidadãs que vão às urnas”, afirma o dirigente.

Repressão antes da votação

Durante o primeiro turno das eleições e mais intensamente no segundo, houve registros de casos de empregadores bolsonaristas que estavam coagindo o voto dos seus empregados em Flávio. A prática já havia acontecido nas eleições de 2022, quando empresários de direita obrigaram seus empregados a votar em Jair Bolsonaro. Luciano Hang, conhecido como “Veio da Havan”, foi um dos que coagiram seus empregados a votar em Jair em 2022. 

Em setembro deste ano, Hang voltou a agir de má-fé com o propósito de causar pânico nos empregados. Desta vez, o Ministério Público do Trabalho de Goiás (MPT-GO) moveu uma ação civil pública contra o empresário por assédio eleitoral. Durante a inauguração de uma unidade em Caldas Novas (GO), no final de agosto, o empresário afirmou que o fim da escala 6×1 traria prejuízos aos trabalhadores, como a necessidade de procurarem um “subemprego”, associando a proposta de emenda a um “estelionato eleitoral” de Lula. 

Casos no ES

No Espírito Santo também estão sendo registradas denúncias de trabalhadores que estão sofrendo assédio eleitoral por parte de empregadores. Foram registradas 47 denúncias de assédio eleitoral no trabalho em 2026 no Estado, segundo dados atualizados até terça-feira (27 de outubro) pelo MPT-ES. O total representa 17 registros a mais que os 30 informados em levantamento divulgado na semana passada, aumento de 57%. 

Como denunciar o assédio eleitoral

MPT-ES possui canais distintos para denúncias trabalhistas e eleitorais

Atendimentos são destinados a denúncias de irregularidades trabalhistas em geral e a casos relacionados ao processo eleitoral

O MPT-ES mantém plantões para o recebimento de denúncias e demandas relacionadas a irregularidades trabalhistas. Os atendimentos são divididos entre o Plantão Ordinário e o Plantão Eleitoral, de acordo com a natureza da ocorrência.

O Plantão Ordinário recebe denúncias e demandas relacionadas a irregularidades trabalhistas em geral, exceto aquelas vinculadas ao processo eleitoral. O atendimento é realizado pelo telefone (27) 3198-4400.

Já o Plantão Eleitoral é destinado ao recebimento de denúncias relacionadas a ilícitos trabalhistas com repercussão no processo eleitoral nos dois turnos de 2026. Entre as situações que podem ser comunicadas estão aquelas que possam comprometer a liberdade do voto, caracterizar assédio eleitoral ou configurar outras irregularidades trabalhistas relacionadas às eleições.

Para o Plantão Eleitoral, os canais de atendimento são:

Sede do MPT-ES: (27) 3198-4542

PTM de Cachoeiro de Itapemirim: (27) 99236-0992

PTM de Colatina: (27) 3770-6707

PTM de São Mateus: (27) 3767-7909