Nessa quinta-feira, 9, o ministro da Economia, Paulo Guedes, promoveu Esteves Pedro Colnago Júnior, que ocupava o cargo de secretário adjunto da Fazenda, a chefe da Assessoria Especial do Ministério da Economia. Junto com a promoção veio a notícia que envolve Colnago na Operação Greenfield.
Ele é um dos 29 acusados de ter causado suposto prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos fundos de pensão da Caixa, Banco do Brasil, Petrobras e Vale. Os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) afirmam que somente à Fundação dos Economiários Federais (Funcef) o prejuízo tenha sido de R$ 2,3 bilhões. O novo assessor especial de Guedes é denunciado pelos fatos ocorridos entre 2011 e 2012, quando ocupou o conselho deliberativo da Funcef.
De acordo com a denúncia do MPF em Brasília, assim como outros conselheiros e diretores dos fundos de pensão, Colnago teria aprovado o aporte no Fundo de Investimento em Participações Sondas, da Sete Brasil, subsidiária da Petrobras, ignorando os riscos do negócio. Prossegue a denúncia: “Quando da contratação do segundo lote de vinte e uma sondas, já havia dúvidas objetivas sobre a capacidade de construir, tempestivamente, as sete primeiras sondas, que deveriam ser construídas no Estaleiro Atlântico Sul com a ajuda do sócio estratégico Samsung. Os procuradores afirmam ainda que no início de 2012, já havia atraso no cronograma da construção das primeiras sondas, o que foi ainda mais agravado quando o sócio que detinha a expertise, a Samsung, abandonou o projeto e vendeu sua participação no Estaleiro.
O MPF pede a reparação econômica e moral das vítimas em valor equivalente ao triplo do prejuízo causado aos fundos, ou seja, mais de R$ 16 bilhões.
“Um escândalo dessa relevância envolvendo um importante integrante da equipe econômica de Guedes é mais uma confirmação de que nos trabalhadores e trabalhadoras da Caixa, Banco do Brasil e Petrobras têm motivos de sobra para criticar a política econômica deste governo, que está de olho nesses fundos”, diz a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges. Ela lembra que os fundos de pensão dos empregados da Caixa, BB e Petrobras (mais subsidiárias) respondem por R$ 358 bilhões, ou seja, mais de 1/3 de todo os fundos de entidades fechadas de previdência (pública, privada e instituidores) existentes no país. “Essa política ultraliberal do governo Bolsonaro quer tirar esses recursos das entidades de empregados e transferi-los para a iniciativa privada”.
Lizandre acrescenta que o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), vinculado ao Ministério da Economia, aprovou em dezembro último uma norma visando a eliminar o processo eleitoral para a escolha de diretores de entidades. Segundo ela, os estatutos da Previ e Funcef preveem que três dos seis diretores do fundo sejam escolhidos por voto dos participantes; a patrocinadora indica os outros três. “Quando nos deparamos como uma denúncia dessa importância envolvendo um alto funcionário do Ministério da Economia, que é quem das as cartas nesse jogo, ficamos muito apreensivos com o destino e fundos como os da Caixa e BB. Tirar nosso poder de escolha nos exclui da mesa de decisão e nos deixa vulneráveis aos interesses do capital especulador que quer explorar esses fundos”, adverte Lizandre.

