É consenso que a prática de exercícios físicos regulares traz benefícios à saúde a pessoas de todos as idades. Com a pandemia do novo coronavírus, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou o isolamento social como a medida mais efetiva para evitar a propagação da doença e isso tem provocado mudanças profundas nas vidas das pessoas. Uma delas foi a adesão ao chamado teletrabalho ou home office, que causou uma verdadeira “revolução” dentro dos lares da maioria das famílias.
Segundo diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Fabrício Coelho, a pandemia colocou o trabalhador em home office da noite para o dia. “Quando o trabalhador acordou, percebeu que o escritório estava dentro da sua casa. Isso virou a vida dessas famílias de cabeça para baixo. Mesa de cozinha virou bancada de trabalho; ambientes que eram de lazer se transformaram em espaços de reuniões virtuais – onde o silêncio é obrigatório e o tráfego de familiares proibido; e por aí vai. Já soube até de trabalhador desesperado à procura de um espaço que, sem alternativa armou laptop sobre a tábua de passar roupa na área de serviço”.
Segundo o dirigente, há praticamente um consenso sobre os benefícios que as atividades físicas trazem à nossa saúde. “O difícil tem sido conseguir conciliar mais uma tarefa na atribulada rotina do trabalhador que está em home office”.
Ele diz que o ambiente improvisado de trabalho não impediu que as empresas continuassem exigindo o cumprimento de metas e impondo o acúmulo de funções ao trabalhador. “Em especial, na categoria bancária, tem sido essa a realidade. Dentro desse verdadeiro pandemônio na pandemia, a atividade física, tão importante para a saúde do trabalhador, se torna mais um desafio”, afirma.
Práticas saudáveis X sedentarismo
O Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alerta que o estilo de vida sedentário é prejudicial para o nosso sistema imune, fundamental para reduzir a possibilidade de infecção viral. Além disto, o fato de ficarmos “parados” e muitas vezes nos alimentando inadequadamente favorece o ganho de peso. Os especialistas apontam o aumento da pressão arterial, da glicose (açúcar) e lipídeos (gorduras) no sangue, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, como a hipertensão e o diabetes, os quais têm sido associados a um pior prognóstico em pacientes idosos acometidos pela covid.
A OMS recomenda para indivíduos saudáveis e assintomáticos no mínimo 150 minutos de atividade física por semana para adultos e 300 minutos para crianças e adolescentes. Esse tempo de atividade física deve ser acumulado durante os dias da semana, podendo ser dividido de acordo com a rotina de cada um.
A OMS considera prática de atividade física qualquer atividade motora que resulte em um gasto energético acima dos níveis de repouso, ao passo que a prática sistematizada, devidamente elaborada e prescrita considerando variáveis de treinamento visando objetivos específicos é denominada exercício físico. A SBC enfatiza que ambas as práticas são de fundamental importância para esse período de isolamento social.
Realidade
A diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, afirma que a nova modalidade trabalho vem acompanhada de perda de direitos, sobrecarga de atividades, acúmulo de funções, ausência de condições ideias de trabalho e, consequentemente, maior possibilidade de adoecimento físico e mental.
“O home office é uma preocupação do movimento sindical anterior à pandemia, por todo retrocesso na garantia de direitos que ele representa. Os bancos já sinalizavam a implantação desse modelo e com pandemia isso acabou se concretizando de maneira muito rápida, por uma questão de prevenção ao novo coronavírus. Os trabalhadores, no entanto, se viram jogados dentro dessa nova forma de trabalho praticamente sem nenhuma regulamentação legal, sem capacitação para trabalhar nessa modalidade, sem os equipamentos necessários e obrigando o bancário a arcar com todas as despesas. O trabalho invadiu o ambiente privado de uma forma muito agressiva e passou a ser um problema na dinâmica familiar”, aponta a dirigente.
Para as mulheres, em especial, o trabalho remoto pode ser causa de adoecimento físico e psicológico. “A mulher chega em casa, no ambiente dela, tendo que se dividir entre as tarefas domésticas e as obrigações do trabalho. A estrutura da casa não permite que se separe efetivamente ambiente de trabalho e ambiente doméstico. Muitas também se sentem culpadas por um lado porque não conseguem produzir e, por outro, por não conseguirem dar atenção necessária aos filhos. Isso tudo vira a rotina da casa de cabeça para baixo, causa um impacto na vida dessas mulheres e pode levar ao adoecimento mental”, complementa Lizandre.
Desafio
Fabrício afirma que encaixar a prática de atividade física nessa complexa rotina familiar é sem dúvida um enorme desafio para o trabalhador e especialmente para a trabalhadora. “Ninguém tem dúvida que a adoção de uma alimentação saudável combinada a atividades físicas são escolhas que melhoram nossa qualidade de vida. Sabemos também, como alertam os estudos, que o estilo de vida sedentário é prejudicial para o nosso sistema imunológico, aumentando os riscos de adoecimento físico e mental. Mas uma coisa é a teoria, a outra o dia a dia das pessoas”.
O dirigente sindical acrescenta: “São questões que vão desde as condições ergonômicas inadequadas para o home office; passam por rotinas alucinantes de trabalho, com muita pressão e estresse; e esbarram nas relações afetivas familiares, que agora se misturaram ao novo ambiente de trabalho. E ainda precisamos arrumar um jeito de incluir as atividades físicas nessa rotina frenética”, assinala o dirigente, que completa: “O mais angustiante é que a maioria das empresas não está preocupada com o bem-estar dos trabalhadores e de suas famílias. Os bancos, especialmente, se importam apenas com o lucro. Para economizar e lucrar ainda mais, eles simplesmente impõem que o empregado leve o banco para dentro de casa e entregues os resultados no final do mês”, criticou Fabrício.









