Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que apenas 13,4% das categorias que tiveram negociações em maio conquistaram reajuste acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC-IBGE); 54,5% tiveram reajuste abaixo do INPC; e 32,1% mantiveram a reposição igual ao índice. Os números são inferiores no comparativo com o mesmo mês de 2021. Em maio do ano passado, 17,5% das categorias conseguiram reajuste acima do INPC; 40,6% igualaram o índice; e 41,9% ficaram com o reajuste abaixo da inflação.
Na avaliação da coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, o levantamento do Dieese acende um sinal de alerta. A categoria bancária, afirma a sindicalista, precisa se manter cada vez mais mobilizada e presente para conquistar a reposição da inflação do período (31 de agosto de 2021 a 1º de setembro de 2022) e mais 5% de aumento real. A dirigente adverte que a inflação acumulada nos últimos 12 meses (até junho de 2022) chegou a 11,89%. “Estamos há 10 meses com a inflação na casa dos dois dígitos. A inflação corrói os salários e reduz o poder de compra da classe trabalhadora. O aumento real de 5% é imperativo para reduzirmos essas perdas. Precisamos lembrar que os bancos vêm batendo recorde de lucro ano a ano. Pandemia, guerra, inflação de dois dígitos, crise mundial…Nada disso afetou os bancos. Ao contrário, as projeções apontam novos recordes de lucro para este ano”, afirma Rita Lima.
Gatilho salarial
A inflação de dois dígitos levou para a mesa de negociação da campanha deste ano um termo que deve ser estranho à maioria dos trabalhadores mais jovens: o gatilho salarial. O mecanismo surgiu em 1986 para repor as perdas inflacionárias que galopavam na casa dos dois dígitos. No governo Sarney, o gatilho disparava automaticamente quando a inflação atingia o patamar de 20% ao ano.
“Com Bolsonaro tivemos a volta do fantasma da inflação, que corrói o salário do trabalhador. A volta do gatilho é necessária para reduzirmos as perdas que vêm se acumulando”, diz Rita Lima. Ela explica que uma das cláusulas da minuta entregue pelo Comando Nacional do Bancários à Fenaban propõe que o gatilho salarial seja disparado sempre que a inflação atingir o patamar de 5%.
“Como acontece em todas as campanhas, as negociações são sempre duras e difíceis, mas acreditamos muito no histórico de luta da categoria. Sem luta não há conquista. No início de agosto começam as negociações das cláusulas econômicas. Os bancários e as bancárias precisam estar unidos e mobilizados para a luta, seja acompanhando passo a passo o processo negocial, militando nas redes sociais, marcando presença nas plenárias e assembleias e apoiando as ações presenciais do Sindicato. Precisamos estar prontos também, caso necessário, para exercer o nosso legítimo direito de greve”, alerta a dirigente.
Calendário de negociações:
Sexta-feira, 22 de julho: Cláusulas Sociais e Teletrabalho
Quinta-feira, 28 de julho: Cláusulas Sociais e Segurança Bancária
Segunda-feira, 1º de agosto: Saúde e Condições de Trabalho
Quarta-feira, 3 de agosto: Cláusulas Econômicas
Quinta-feira, 11 de agosto: Continuação das Cláusulas Econômicas






