Balanço do Itaú Unibanco: R$ 7,1 bilhões de lucro e 3,5 mil empregados desligados

05/11/2019 15:54

O maior banco privado da América Latina, que registrou alta de 10,9% em relação a 2018, fechou setembro com 96,8 mil empregados – 4 mil a menos em 12 meses

Se a crise econômica afeta a maior parte da população, especialmente os mais de 12 milhões desempregados, os bancos não têm do que reclamar. Enquanto a recessão alarga a base da pirâmide e impõe que mais de 100 milhões de brasileiros se virem para sobreviver com o equivalente a meio salário mínimo (Pnad Contínua 2018) por mês, os bancos acumulam lucro em cima de lucro e ajudam a cavar o fosso da desigualdade. Os 5% mais pobres viram sua renda familiar despencar em 3,8% de 2017 para 2018. De outro lado, a elite que ocupa o topo da pirâmide, que representa 1% da população, comemorou crescimento de 8,2%.

Nessa segunda-feira, 4, o Itaú Unibanco anunciou seu lucro recorrente no terceiro trimestre de 2019: R$ 7,1 bilhões, alta de 10,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O maior banco privado da América Latina foi o terceiro a anunciar o balanço. Na semana passada o Santander divulgou lucro de R$ 3,7 bilhões e o Bradesco de R$ 6,5 bilhões.

“O balanço confirma, como já era esperado, o lucro sempre crescente do Itaú Unibanco. Esse lucro é construído em cima dos planos de demissão voluntária, da exploração dos empregados e dos clientes, que pagam altas tarifas e juros extorsivos ao banco”, afirmou Carlos Pereira de Araújo (Carlão), da diretoria do Sindicato dos Bancários/ES. Ele acrescentou que a política neoliberal do governo Bolsonaro tem favorecido as elites empresariais, especialmente os bancos.

Na contramão dos excepcionais resultados, o Itaú Unibanco vem contribuindo para aumentar as taxas de desemprego do país. O banco anunciou que 3,5 mil empregados aderiram ao plano de demissão voluntária (PDV), fechando setembro com 96,8 funcionários. Uma queda de 4 mil empregados em 12 meses. Acompanhando os cortes com o PDV, o Itaú Unibanco também fechou 213 agências. Aliás, o combo PDV sempre inclui o fechamento de agências. O Bradesco, nos últimos dois anos, desligou 10,5 empregados e até o final de 2020 avisou que vai fechar 450 agências.

O Itaú Unibanco precisou explicar aos acionistas por que, em termos líquido, o lucro contábil foi de R$ 5,5 bilhões. Segundo o banco, o custo do PDV foi de R$ 2,4 bilhões, que se trata de despesa não recorrente.

“É por isso que os bancos têm apoiado incondicionalmente a política econômica deste governo. As reformas trabalhista e da Previdência retiraram direitos dos trabalhadores, precarizaram as relações de trabalho e aprofundaram as desigualdades sociais, enriquecendo ainda mais as elites e empurrando os mais pobres para a miséria. Os resultados do Itaú Unibanco e de outros bancos expressam quem são os grandes beneficiados deste modelo econômico perverso”, criticou Carlão.