Após dois dias de intensos debates na última sexta-feira e sábado, 30 e 31, os bancários e as bancárias capixabas reunidos na Conferência Estadual da categoria, aprovaram como umas das principais resoluções a luta pelo “Fora Bolsonaro e Mourão”. Ampliar a mobilização e a participação nos atos realizados em todo o Brasil são algumas das ações definidas para derrubar esse governo em defesa da democracia, da vacina, dos direitos e da vida dos trabalhadores.

Os bancários também aprovaram diversas ações de enfrentamento aos ataques aos fundos de pensão dos empregados de empresas públicas, aos bancos públicos, aos planos de saúde de autogestão e aos direitos conquistados pela categoria. A realização de um seminário estadual envolvendo trabalhadores bancários e de outras categorias para discutir as ameaças aos fundos de pensão está entre as propostas.

“Sob o governo Bolsonaro enfrentamos um conjunto de duros ataques, aos nossos direitos, ao patrimônio que construímos e às empresas públicas. A Conferência foi um espaço de rico debates sobre essa pesada conjuntura política e econômica que estamos enfrentando. A defesa da preservação da vida e dos nossos direitos passa fundamentalmente pela derrubada do governo Bolsonaro e Mourão e pelo enfretamento aos interesses dos grupos econômicos e políticos que o elegeram e que ainda são base do seu governo. Por isso, continuaremos mobilizados nas ruas e em todos espaços possíveis até Bolsonaro e Mourão caírem”, enfatiza a coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Defesa do emprego bancário

Na mesa de debate “Os desafios da manutenção do emprego bancário na atualidade”, realizado na manhã de sábado, 31, o economista do Dieese, Paulo Jäger, falou sobre a redução do número de bancários, hoje em torno de 49% dos trabalhadores do ramo financeiro. Jäguer destacou ainda o crescimento da quantidade dos demais trabalhadores terceirizados, autônomos, quarteirizados, que não são reconhecidos como categoria bancária. Nesse sentido, uma das deliberações aprovadas pelos bancários capixabas foi a realização de debate sobre a necessidade de construção do ramo financeiro, em nível local e nacional.

A proposta é que a partir desse debate e da análise das consequências da revolução tecnológica, do avanço do capitalismo e da reforma trabalhista, seja construído um projeto político e econômico alternativo de país, em que prevaleça o respeito aos direitos e à vida dos trabalhadores.

Moções de repúdio

Os bancários e bancárias capixabas também aprovaram moções de repúdio ao Governador Renato Casagrande, que negou a vacina contra a covid-19 à categoria, e ao vereador de Vitória, Gilvan da Federal, que tem sido protagonista de diversas ações machistas, homofóbicas e racistas.

Confira:

  • Moção de repúdio ao Governador Casagrande

Nós, Bancários e bancárias capixabas reunidos na Conferência Estadual da categoria, realizada em plenária virtual nos dias 30 e 31 de julho, manifestamos nosso repúdio ao governado Renato Casagrande que não acatou as diretrizes do Plano Nacional de Imunização e não garantiu a vacinação dos bancários e das bancárias capixabas.

Após a nota técnica do Ministério da Saúde, a categoria bancária passou a aguardar ansiosamente pela publicação do calendário de vacinação por parte do Governo do Estado. No dia 13 de julho, o Sindicato enviou ofício pedindo um posicionamento do Governo do Estado sobre o calendário de vacinação da categoria.  No entanto, até a data desta Conferência o governador sequer respondeu ao Sindicato.

A categoria bancária é uma das que não pararam um dia sequer nesses 16 meses de pandemia. Ao longo de 2020 e no início deste ano, inclusive no pico da transmissão da covid—19, o governador Renato Casagrande manteve o atendimento bancário como essencial. Mas agora se omite e nega a garantia de proteção aos trabalhadores bancários, que continuam na linha de frente.

Vitória, 31 de julho de 2021

  • Moção de repúdio ao vereador de Vitória Gilvan da Federal (Patriota)

Nós, Bancários e bancárias capixabas reunidos na Conferência Estadual da categoria, realizada em plenária virtual nos dias 30 e 31 de julho, manifestamos nosso repúdio ao vereador de Vitória, Gilvan da Federal (Patriota). Desde que assumiu o mandato, o vereador tem sido protagonista de diversas manifestações racistas, machistas e homofóbicas dirigidas a vereadoras, funcionários públicos e até mesmo a munícipes.

Em sessões na Câmara de Vitória, Gilvan da Federal (Patriota) age sempre de forma violenta ao proferir diversos xingamentos contra as vereadoras Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT). Recentemente na secção para votação da proposta de criação da Comenda Lula Rocha, voltada para homenagear pessoas que atuam na defesa dos direitos humanos, das juventudes e contra o extermínio da juventude negra. O vereador atacou o legado do militante do movimento negro e de direitos humanos falecido em fevereiro deste ano.

A postura repugnante do parlamentar nessas e em outras ocasiões deveria ser motivo de punição, tanto por quebra de decoro parlamentar como por crime de discriminação de genêro, raça e por homofobia. No entanto, Gilvan da Federal continua impune.

As bancárias e os bancários capixabas repudiam as posturas do vereador Gilvan e reafirmam a unidade na luta contra todas as formas de violência, discriminação e opressão contra as mulheres, os negros, os povos minoritários e a população LGBTQIA+.

Vitória, 31 de julho de 2021