Em reunião nesta segunda-feira, 31, para a mesa de Igualdade de Oportunidades, na qual têm assento o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), as partes discutiram as ações dos bancos para reduzir a desigualdade salarial e de ascensão entre homens e mulheres, o programa Mais Mulheres na TI e foram apresentados os dados de atendimento dos canais de combate à violência de gênero.
ENTRA AVALIAÇÃO DA BETHANIA, QUE PARTICIPOU DA REUNIÃO.
Ao final do encontro, ficou decidido por uma nova reunião, em abril, com as áreas de recursos humanos (RHs) dos bancos, não só dos que já participam da comissão de negociação. Na ocasião, o Comando Nacional irá apresentar a diferença salarial e de oportunidades e as propostas para alcançar equidade.
Igualdade salarial
Segundo levantamento do Dieese, a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) dos últimos 10 anos, nos bancos as mulheres recebem, em média, 19% menos que os colegas homens. No recorte racial, o cenário é ainda pior: as bancárias negras tem remuneração 34,5% inferior à remuneração média do bancário branco do sexo masculino.
A categoria conquistou, na última renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o compromisso dos bancos de alcançar a paridade de remuneração entre homens e mulheres. A proposta é que as empresas acelerem o cumprimento da lei de igualdade salarial, em vigência no país desde 2023.
Entre outros itens, essa lei prevê que estabelecimentos com mais de cem funcionários devem enviar, periodicamente, ao Ministério do Trabalho e Emprego, informações para o relatório anual de transparência. O Comando solicitou que os bancos divulguem os dados por empresa e não somente por estabelecimento (CNPJ para facilitar o entendimento do cenário real.
As bancárias também destacaram o avanço da desigualdade salarial de gênero quanto maiores são os cargos, com base nos dados do Dieese. Enquanto que, numa função da base, como de escriturários, as mulheres recebem, em média, 96% da remuneração dos homens, nos cargos de dirigentes e gerentes elas recebem 68,9% da remuneração dos colegas de função do sexo masculino.
Postos de trabalho
O Comando Nacional cobrou não só a igualdade salarial de gênero, mas a reversão da queda do número de mulheres no setor. Segundo os dados do Dieese, entre 2020 e 2024, o saldo de emprego na categoria bancária foi negativo em 17.066 postos de trabalho, sendo que 16.336 postos eram ocupados por mulheres. Em contrapartida, o saldo negativo de empregos para os homens foi de 730 postos.
A redução do quantitativo de mulheres também ocorre na área que mais cresce em contratação nos bancos, o da tecnologia da informação (TI), onde a representação de mulheres caiu de 31,9% para 25,2%, entre os anos de 2012 e 2023.
Mulheres na TI
Representantes das escolas PrograMaria e Laboratória trouxeram dados da primeira fase do programa Mais Mulheres na TI, conquistado pela categoria na última renovação da Convenção Coletiva Nacional. São 3.100 bolsas para a capacitação de meninas e mulheres, sendo que mil já foram selecionadas pela escola PrograMaria e 118 pela Laboratória. Uma segunda fase de inscrições será aberta ainda neste primeiro semestre.
Violência doméstica
A pedido da representação sindical, os bancos forneceram dados sobre outra conquista da categoria na CCT: a oferta de canais de combate à violência doméstica. Segundo a Fenaban, 84% dos bancos já disponibilizam canais de denúncia e acolhimento e outros 11% afirmaram que irão implementá-los em 2025.
O Comando Nacional também apresentou dados do Basta! Não irão nos calar, programa do movimento sindical: desde 2021, foram 14 canais criados em todas as regiões do país e 504 atendimentos.
Considerando os canais de atendimento dos bancos e do movimento sindical, já foram atendidas 1.106 bancárias vítimas de violência doméstica.
Com informações da Contraf






