A partir do dia 12 de março, os bancários capixabas estão convidados a participar de uma pesquisa sobre saúde mental organizada pelo Sindicato e um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O questionário ficará disponível até dia 31 de maio.
Iniciativa inédita pela abrangência do estudo, a pesquisa será por meio de um formulário on-line preparado pela equipe formada pelos professores Thiago Drumond Moraes, Roberta Belizário e Aline Alves Sousa, do Departamento de Psicologia Social e Desenvolvimento da Ufes. Também integram o grupo de pesquisa quatro bolsistas do curso e diretores da Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato.
A pesquisa proposta pela entidade dá continuidade às ações da campanha Menos Metas Mais Saúde, com foco na saúde mental dos trabalhadores da base do Espírito Santo. “Queremos colocar uma lupa inédita no adoecimento do bancário capixaba, conhecer a fundo as questões que envolvem esse adoecimento da categoria. Daí a importância da participação em massa dos trabalhadores. Conhecendo o quadro de adoecimento teremos dados para uma negociação mais assertiva com os bancos”, afirma o diretor da Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho, Ronan Teixeira.
Ele acrescenta a retomada da parceria com pesquisadores da Ufes, o que garante o caráter científico dos dados que serão coletados. A pesquisa leva o título “Levantamento das condições de saúde mental de bancários do Espírito Santo e das representações sociais sobre saúde mental e Sindicato”. O questionário será disponibilizado até o mês de maio no site do Sindicato.
Confira a entrevista com a pesquisadora Roberta Belizário
A que se propõe essa pesquisa?
O objetivo do nosso estudo é investigar as condições de saúde mental dos bancários capixabas. Eu me refiro a depressão, estresse e ansiedade, basicamente. Para isso a gente vai usar um instrumento específico de rastreio de sintomas. Além disso, a gente quer entender o que interfere na saúde mental. Vamos avaliar quais são os fatores de ordem organizacional, ambiental e relacional que podem estar relacionados a essa situação de saúde mental.
A pesquisa também pretende traçar um perfil da categoria?
A gente quer saber quem é esse trabalhador bancário. Que características ele tem, por exemplo: se trabalha presencialmente ou em home office, qual o tempo de serviço no banco, gênero, esse tipo de característica. Concluindo, o que a gente quer entender é como está a saúde mental desses trabalhadores e que fatores têm contribuído para essas condições de saúde mental.
Qual é a hipótese? Porque não estamos partindo do zero…
Sim, já existem outros estudos sobre a saúde mental dos bancários. Então a hipótese é que haja, sim, muitos problemas relacionados à saúde mental. Já tem alguns estudos em outros locais, em nível mundial, pesquisas que são conduzidas em outros lugares do país. Além de dados oficiais relacionados à saúde mental dos trabalhadores que mostram que a categoria bancária, nesse contexto de trabalho contemporâneo, está bastante vulnerável a desenvolver problemas de saúde mental. Então a gente tem uma vasta produção científica, mas não temos tantos dados locais. Por isso que é importante fazer essa pesquisa em âmbito local.
O questionário é complexo. Eu queria que você falasse um pouco disso para estimular os bancários a dedicar um tempo para respondê-lo.
A gente sabe que a vida do bancário é corrida, mas é importante que eles dediquem um tempo para isso. Por que esse questionário é complexo? Porque as questões que envolvem saúde mental são complexas. O que influencia a saúde mental é de ordem multifatorial. É sempre um conjunto complexo de elementos que vão se somando, que vão interagindo e incidindo sobre a saúde mental. Então o questionário abarca a diversidade de situações, de fatores que podem estar relacionados àquele fenômeno. Pela saúde mental vale a pena dedicar um tempo. É uma questão que está presente, tenho certeza, no cotidiano, de todos esses bancários. A gente precisa dos trabalhadores, porque são eles que sabem identificar muito mais do que a gente da academia. A pesquisa é uma forma desse bancário contribuir nesse processo de diagnóstico e com a luta por melhoria da saúde do coletivo.






