Nos dias 11 e 12 de setembro de 1985, bancários e bancárias de todo o país se mobilizaram para aquela que foi reconhecida como a primeira greve nacional de uma categoria de trabalhadores após a ditadura cívico-militar. O acontecimento histórico, que completa quatro décadas este ano, está registrado em “Bancários 1985: a greve que mudou a história do país”. O documentário (32:28”) produzido pela Contraf ouviu depoimentos de personagens de diversas bases sindicais brasileiras que participaram da greve histórica.
O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), faz um dos depoimentos no documentário (23:50”) relatando o sentimento da base capixaba na greve de 1985. “Mesmo com o fim da ditadura, ainda havia muita repressão. No ano anterior, lutamos intensamente pelas Diretas Já. A categoria bancária vinha embalada nas lutas e se mobilizou rapidamente para organizar uma greve de escala nacional. O resultado foi a paralisação com larga adesão que foi capaz de paralisar o sistema financeiro do país durante dois dias”, recorda Carlão.
O dirigente diz que havia uma forte insatisfação da classe trabalhadora em geral à conjuntura da época: inflação nas alturas, salários defasados e poder de compra reduzido. “Essa insatisfação chegou com força na categoria bancária é foi um gatilho para a greve. A paralisação mostrou a força dos bancários e das bancárias como uma categoria de luta. A greve de 1985 se transformou num marco porque inspirou outras lutas e novas conquistas da categoria”, sublinha Carlão.

Bancários mobilizados em frete ao Bradesco no Centro de Vitória na greve 1985 (arquivo Sindibancários/ES)
Ele diz que o momento é novamente de ameaça à democracia. “O Supremo condenou Bolsonaro e o núcleo duro do golpe: um passo imenso. Desta vez temos a chance real de passarmos a limpo mais esta página infeliz da nossa história. A classe trabalhadora, novamente, tem papel decisivo na defesa da democracia. Sem anistia! Bolsonaro na prisão”, cravou Carlão.
Greve 1985
A greve de 1985 entrou para a história diante desse ineditismo e por todo legado que deixou para a organização dos trabalhadores: a mobilização dos bancários em torno de suas entidades representativas, a unidade nacional e a quebra do isolamento.
Na campanha salarial de 1985, preparar a opinião pública para a greve, ganhando apoio popular, foi elemento essencial. A criatividade e capacidade de comunicação dos sindicatos, ajudou a tornar vitoriosa a greve que conquistou reajuste salarial de 90,78% e antecipação de 25% diante do processo inflacionário que corroía os ganhos dos trabalhadores na ordem de 10% ao mês.
Grandes dirigentes sindicais foram forjados nesses dias de luta. E a unidade nacional da categoria bancária fortalecida em 1985 segue firme rumo à criação do ramo financeiro.

