Na rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) realizada nesta quinta-feira, 11, foi apresentada pela representação da categoria a pauta de reivindicações relativa à igualdade de oportunidades nos bancos, que abarca questões de gênero, raça, identidade e pessoas com deficiência.
“Debatemos com profundidade a igualdade salarial entre homens e mulheres. Apesar de terem maior escolaridade, as mulheres ainda têm menos chances de ascensão e o topo da carreira ainda é masculino. Também nos preocupa a diminuição de bancárias no ramo financeiro. Os bancos estão fechando agências e demitindo principalmente bancárias. No setor de tecnologia da informação (TI) os banqueiros contratam mais homens”, declara o diretor do Sindicato e membro do Comando, Carlos Pereira de Araújo, Carlão.
Segundo ele, outro ponto em debate foi a diversidade que não existe no sistema financeiro. “Queremos que os bancos reconheçam a diversidade existente do país, abram espaço para a população LGBTQIAP+. Os bancos têm que ter compromisso social, ter cotas para contratar público trans, respeitar o nome social, colocando-o nos crachás”.
Em relação às pessoas com deficiência, afirmou Carlão, é preciso não apenas contratar, mas dar condições de ascensão de carreira. Outra cobrança é em relação às questões de raça. “Sabemos que temos uma população de afrodescendentes no Brasil que não está expressa no sistema financeiro. Precisamos também garantir possiblidades de ascensão”.
Outra reivindicação apresentada é a realização do 4º Censo de Diversidade na categoria bancária. “Os bancos ficaram de dar retorno a todas as reivindicações. É importante que a categoria esteja conosco para termos avanço neste processo negocial”, afirmou Carlão.
Números
Para sustentar as reivindicações de igualdade de oportunidades, o Comando Nacional colocou na mesa números que revelam a existência de grande desigualdade salarial e de acesso no setor bancário, com base em relatório elaborado pelo Dieese a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2022, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Apesar de representarem quase 48% da categoria, as bancárias têm remuneração média 20% inferior à remuneração média dos homens bancários. O recorte racial revela uma distorção ainda pior: as mulheres bancárias negras (pretas e pardas) têm remuneração média 36% inferior à remuneração média do bancário branco.
Por conta dessa diferença, para que as mulheres negras bancárias recebam a mesma remuneração que os colegas homens e brancos, elas teriam que trabalhar num mês de 48 dias ou mais 7 meses do ano para haver igualdade salarial.
As desigualdades salariais de gênero se repetem em praticamente todos os cargos do setor bancário, mas se aprofundam nos cargos de liderança, onde elas recebem cerca de 25% menos que seus pares, e quanto maior for a escolaridade, onde as bancárias com doutorado recebem 61% da remuneração média dos homens bancários também com doutorado. As mulheres recebem mais que os homens em apenas 2,8% do total das ocupações no setor bancário.
Questão racial
Apesar de negros e negras representarem mais de 56% da população, segundo o IBGE, compõem 26,2% da categoria bancária, sendo que as mulheres negras apenas 12% do total de trabalhadores no setor. Esse dado, da Rais de 2022, mostra uma leve melhora no setor, considerando que, dez anos antes, em 2012, negros e negras representavam 18,9% da categoria.
Também há diferença salarial significativa entre homens bancários brancos e negros, com o segundo grupo recebendo remuneração média de 78,9% da remuneração média dos brancos.
Redução de mulheres na TI
Os bancários também mostraram que está havendo uma redução de mulheres contratadas em todos os cargos do setor. Entre janeiro de 2020 e maio de 2024, houve redução de 11.514 postos. Porém, quando é feito o recorte de gênero, o saldo positivo de emprego bancário entre homens foi de 1.331 postos, enquanto para as mulheres, foram eliminados 12.845 postos. Portanto, a cada um homem contratado no período, nove mulheres foram desligadas.
Nesse período, na área que teve mais contratação nos bancos, a de TI, ocorreram 19,9 mil admissões, porém, desse total 78% das vagas foram destinadas aos homens e o restante (22%) às mulheres.
Com informações da Contraf








