
Reunidos em assembleia na noite desta quinta-feira, 07, no Centro Sindical da categoria, bancários e bancárias do Banco do Brasil decidiram de forma unânime orientar o voto NÃO à proposta de alteração estatutária da Cassi. O texto será submetido à votação do corpo social entre os dias 18 e 28 de novembro, e precisa de no mínimo 2/3 dos votos para ser aprovado.
A quebra do modelo solidário foi um dos pontos de crítica à proposta. “É a solidariedade que permite manter a capacidade de pagamento de todos os usuários da Cassi. Se você começa a criar diferenciações, como cobrança por dependentes, parte dos usuários não poderá permanecer no plano, e isso vai impactar toda a arrecadação e a sustentabilidade da nossa Caixa de Assistência. Se perdermos associados, o plano em si não se sustenta. Além disso, a solidariedade tem a ver com a nossa humanidade. Não podemos penalizar o outro por ter mais ou menos filhos, porque envelhece ou porque tem problemas de saúde diferente. Isso é parte da nossa vida”, disse o diretor do Sindicato Thiago Duda.

Os participantes também questionaram a imposição do banco de alterar o modelo de contribuição, já que os estudos financeiros da Cassi apontam apenas para a necessidade de aumento da arrecadação do Plano de Associados, o que pode ser feito sem mudança estatutária da forma de custeio.
“Se o problema é a arrecadação, por que não fortalecemos uma proposta nesse sentido? Os empregados não estão se recusando a contribuir. Por que a pressa em mudar o estatuto?”, questiona a bancária Débora Baroni. “O que percebemos é que, com a mudança também do modelo de gestão e a inclusão do voto de minerva, muito em breve estará colocado pra gente a possibilidade de cobrança por faixa-etária e outras ameaças”, completa.
A posição das entidades que avalizam a proposta do banco também foi criticada. “Na década de 1990, perdemos muito direitos, mas nenhuma entidade do funcionalismo ‘assinou embaixo’. Estávamos unidos e resistimos a todas as investidas do governo. Hoje o que vemos são as entidades do movimento sindical e dos empregados do BB avalizando a retirada dos direitos dos empregados, e isso é inadmissível” disse, emocionada, a diretora Goretti Baroni, ao compartilhar as lutas já encampadas pelos empregados do BB.

“E triste ver que as entidades que deveriam defender os funcionários, como Anabb, AAFBB, AFABB e Contraf, estão na verdade defendendo o patrão”, desabafou a bancária Mônica Ferreira.
“Não houve avanço essencial em relação à proposta anterior, já rejeitada pelos associados. O que houve foi apenas uma mudança de posicionamento de parte das direções sindicais e entidades representativas, que antes defendiam o voto ‘não’ e passaram a defender o ‘sim’”, lembrou Paulo Pinto, aposentado do BB.
A assembleia também referendou o manifesto em defesa da Cassi, elaborado em setembro por associados e representantes de entidades do funcionalismo em encontro nacional, que defende a manutenção do estatuto e um acordo temporário com aumento dos percentuais de contribuição dos empregados para 5,6% e do banco para 8,4%. A proposta do manifesto leva em consideração estudo feito pela própria equipe técnica e atuarial da Cassi, que aponta a necessidade de arrecadação de 14% da folha de pagamento para garantir a reconstituição das reservas e a readequação dos índices de liquidez e solvência da Cassi aos exigidos pela ANS.
Confira os principais pontos da proposta do banco, que será votada pelo corpo social:
CUSTEIO
- Contribuição de percentual de 4% para titular, com piso de R$ 120 e teto de 7,5% incluindo os dependentes. Hoje, estatuto da Cassi prevê que bancários paguem mensalidade de 3% sobre o salário, enquanto o banco arca com 4,5%, sem cobrança por dependentes.
- Contribuição de dependentes da ativa: 1% para o primeiro dependente, mais 0,50% para o segundo e 0,25% para o terceiro em diante, limitado a R$ 300 por dependente.
- Contribuição de dependentes dos aposentados: 2% para o primeiro, mais 0,50% para o segundo e 0,25% para o terceiro em diante, limitado a R$ 300 por dependente.
- Contribuição do BB será de 4,5% da folha de pagamento dos associados, além de 3% por dependente de funcionário da ativa (até três dependentes), mais 10% sobre a folha de pagamento dos funcionários da ativa a título de taxa de administração – contribuição que será interrompida depois de dezembro de 2021.
- Antecipação do pagamento referente ao Grupo de Dependentes Indiretos (GDI), de R$ R$ 450 milhões, e liquidação da responsabilidade do banco com esse grupo.
- R$ 415 milhões para pagar contribuições patronais para dependentes de ativos retroativas a janeiro de 2019;
- R$ 141 milhões relativos às despesas administrativas de todo o ano de 2019.
GOVERNANÇA
- O presidente da Cassi passará a ter voto de decisão sobre os assuntos já constantes no Artigo 51 do atual Estatuto, de alçada da própria Diretoria, e que trate de temas administrativos.









