Representantes do Comando Nacional dos Bancários e da Fenaban se reuniram virtualmente nessa terça-feira, 02, para discutir medidas para o enfrentamento da pandemia, que atravessa uma fase mais aguda em todo o país em relação a 2020. Entre as reivindicações apresentadas aos bancos, o Comando cobrou a retomada do teletrabalho e mais rigidez dos protocolos de saúde e segurança da covid-19, além de alertar que a adoção dessas e de outras medidas são fundamentais para proteger a saúde dos bancários e das bancárias.
Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges, que participou da reunião, a demanda foi aberta com a Fenaban porque nos últimos meses alguns bancos têm forçado o retorno presencial dos empregados em home office e relaxada as medidas de proteção.
Segundo a dirigente do Sindibancários, os dados indicam que janeiro foi um dos meses mais caóticos da pandemia. “Quase todos os estados do país registraram aumento das taxas de internação, de novos casos e de óbitos. Em alguns estados esses números superaram as marcas de 2020. Manaus é o exemplo mais emblemático da tragédia causada pela chamada segunda onda, que traz como incremento uma cepa variante do vírus ainda mais agressiva na transmissão”.
Na primeira onda da pandemia, entre abril e maio do ano passado, 2.850 pessoas perderam a vida para a covid no Amazonas. Somente no mês de janeiro, a covid já matou 2.522 pessoas no Estado. “Esses números nos deixam bastante apreensivos porque não sabemos se a situação do Amazonas se repetirá em outros estados. Esse quadro alarmante justifica essa demanda que está sendo levada à Fenaban para que os bancos sigam à risca os protocolos sanitários e não retomem as atividades presenciais neste momento de extrema vulnerabilidade”.
Ela acrescenta que a vacinação ainda está engatinhando no Brasil. “Vacinamos pouco mais de 1,5% da população (2,4 milhões – 03/02/21). A medida de prevenção mais efetiva ainda é o distanciamento social e a adoção mais rígida dos protocolos de saúde”, reitera a dirigente.
Vacinação
Os representantes da Fenaban se disseram preocupados com a segunda onda da pandemia e prometeram levar as demandas da categoria para os bancos, tanto com relação à manutenção dos protocolos sanitários quanto do teletrabalho.
A Fenaban informou que atualmente metade da categoria está em teletrabalho e que vão fazer uma discussão na entidade sobre a manutenção de trabalhadores em home office. O Comando também reivindicou que a categoria bancária seja classificada como setor essencial no calendário de vacinação do Ministério da saúde.
Sobre a priorização da categoria, a Fenaban concordou que o setor deveria ser considerado essencial, mas alegaram que já levaram essa demanda ao Governo Federal e houve resistência por parte do Ministério da Saúde em incluir os bancários entre grupos prioritários.
Outra cobrança foi com relação às metas. Os representantes dos bancários se queixaram que os bancos têm imposto metas abusivas aos funcionários, mesmo durante a crise sanitária. “Estar na linha de frente durante a pandemia já torna a atividade do bancário extremamente estressante. Os funcionários que não contraem a covid acabam sofrendo de outras doenças, especialmente as mentais. O emocional fica ainda mais abalado com as pressões dos bancos por cumprimento de metas em meio a esse contexto de crises socioeconômica e de saúde que estamos enfrentando. Na hora da cobrança por metas, não há empatia por parte dos bancos. Eles simplesmente querem os resultados”, protesta Lizandre.
A Fenaban, apesar de não admitir que estaria havendo abuso na cobrança de metas, se comprometeu em conversar com os bancos sobre a demanda apresentada pelo Comando.
Reuniões regulares
Por causa do agravamento da pandemia, o Comando Nacional e a Fenaban concordaram em fazer reuniões regulares para discutir as medidas de proteção da categoria.
O Brasil já superou a marca de 226 mil mortes causadas pelo coronavírus e se aproxima dos 10 milhões de casos da doença. No Espírito Santo já foram registrados mais de 296 mil casos e 5.913 mortes (dados atualizados até 02/02/2021). A média de sete dias da doença está em torno de 1,2 mil novos casos, mas no dia 20 de janeiro ultrapassou 1,6 mil; em dezembro rompeu a marca de 2 mil casos. No auge da doença, em julho do ano passado, essa média nunca passou de 1,6 mil casos.
Com relação aos óbitos, o Espírito Santo registrou média de sete dias de 25 mortes. Esse índice esteve na casa dos 30 óbitos na primeira fase da doença, em julho do ano passado.
Antecedentes
A reunião com a Fenaban foi provocada devido a relatos de funcionários em home office que se queixaram da pressão de alguns bancos para a retomada da atividade presencial. Lizandre enfatiza que é preciso continuar cobrando a Fenaban para que os bancos sejam mais rigorosos na aplicação dos protocolos sanitários e na manutenção do home office, especialmente para os funcionários que fazem parte do chamado grupo de risco.
“Com mais de mil brasileiros morrendo todos os dias não podemos relaxar um só minuto. É preciso lembrar sempre que lutamos contra o vírus da covid e contra a política negacionista do Governo Bolsonaro, que muitas vezes tem sido mais letal que a própria doença. Vamos cobrar que os bancos se balizem pela ciência e protejam a vida dos trabalhadores”, diz a dirigente.
Pará
Participou da reunião a presidenta da Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, que falou sobre a situação preocupante no Estado e em toda a região Norte. “A região de Santarém, no Oeste do Pará, está em lockdown. A doença se espalhou pelos municípios próximos. Um dos dados da doença é de que para cada dez pacientes contaminados que vão para a UTI, seis morrem. Na região Norte, esse número é de oito para cada dez”, relatou Tatiana, que acredita que a nova cepa do coronavírus já tenha se espalhado por todo o Pará.









