O Comando Nacional dos Bancários se reuniu nesta segunda-feira, 16, com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para apresentar a pauta de reivindicação da categoria em relação às medidas de prevenção e monitoramento do novo coronavírus (Covid-19). Um comitê de crise foi criado para acompanhar as orientações das autoridades de saúde e tratar das providências a serem tomadas pelos bancos, conforme a evolução da epidemia.
O Comando Nacional cobrou medidas de comunicação preventiva, suspensão das demissões, da cobrança de metas, antecipação da campanha de vacinação, determinação de homeoffice quando possível, controle de acesso às agências para evitar aglomerações, exigência de quarentena para empregados que voltarem de viagens do exterior, entre outras reivindicações.
A preocupação é garantir a saúde e a segurança dos bancários, principalmente daqueles que fazem parte do grupo de risco e de gestantes.
Um comitê de crise estadual também foi montado para centralizar denúncias e informações locais. A proposta é, a partir dos dados coletados, intervir junto às direções e superintendências bancárias no Estado para garantir a adoção de medidas preventivas e de apoio a empregados em situação de risco. O Comitê local vai encaminhar ao nacional as denúncias reportadas e acompanhar a resolução das demandas.
“É fundamental que os bancários, ao identificarem situações de risco, reportem ao Sindicato. Precisamos saber se o banco está fornecendo material de higiene adequado, como álcool em gel para os empregados e clientes; se está garantindo o afastamento de empregados com sintomas de gripe, como determina Decreto do governo do Estado; suspendendo reuniões com grupos grandes de pessoas, etc.”, explica Carlos Pereira de Araújo, diretor do Sindicato dos Bancários/ES.
Bancários e bancárias podem contatar o Sindicato pelo telefone (27) 3331-9998 ou usar diretamente o canal de denúncias disponível no site.
O Comando cobrou posicionamento dos bancos também em relação à suspensão das aulas nas escolas, que atinge a rotina pessoal e laboral dos bancários e bancárias com filhos em idade escolar. A reivindicação foi de que todos os pais com crianças em idade escolar fossem liberados para cuidarem dos filhos.
Reunião do Comando
A pauta apresentada à Fenaban foi fechada pelo Comando Nacional em reunião que aconteceu pouco antes da mesa de negociação. Carlão, diretor do Sindibancários/ES que integra o Comando Nacional, propôs defender como reivindicação prioritária a suspensão do atendimento bancário em todas as agências, por tempo determinado e considerando a gravidade da pandemia, a fim de evitar a exposição de bancários e clientes e mitigar o risco de contaminação. A proposta, no entanto, não foi acatada pela direção majoritária do Comando Nacional, decisão criticada pelo dirigente estadual.
“É momento de adotar todos os cuidados, de maneira preventiva, com tranquilidade e consciência, ou seja, sem alimentar o pânico, mas também sem negligenciar os riscos. Esse é o nosso esforço. Avalio como um equívoco a posição majoritária do Comando Nacional de não incluir o pleito dos bancários do Espírito Santo”, aponta o diretor.
Íntegra das reivindicações do Comando e resposta dos banqueiros
As reivindicações apresentadas pelos bancários na negociação foram antecipadas em ofício à Fenaban, enviado na quinta-feira (12), propondo medidas e cobrando a negociação sobre o tema. Veja a pauta apresentada aos bancos.
- – Comunicação preventiva sobre os cuidados a serem tomados por todos, para evitar notícias erradas ou inverídicas;
- – Adoção do teletrabalho e, nos casos em que isso não for possível, a antecipação das férias;
- – Suspensão das demissões;
- – Suspensão da cobrança de metas;
- – Controle de acesso às agências, para que não haja aglomerações;
- – Suspensão temporária das atividades de agências em áreas de risco, como aeroportos e hospitais;
- – Reforço nos procedimentos de limpeza dos locais de trabalho;
- – Transparência das informações com os trabalhadores e os sindicatos;
- – Adoção de quarentena para bancários que voltarem de viagem ao exterior;
- – Retirada dos bancários do serviço no autotendimento;
- – Antecipação da campanha de vacinação da gripe, como forma de facilitar a identificação dos casos de coronavírus.
Os bancos já passaram a adotar alguns procedimentos após o ofício enviado pelo Comando dos Bancários, como a comunicação preventiva; o reforço na limpeza e a adoção da quarentena para aqueles que retornem de viagens ao exterior. Sobre a antecipação da campanha de vacinação, disseram que dependem de trâmites com a Receita Federal e a Anvisa, mas que já conseguiram antecipar o início, que seria no dia 22 de abril para o dia 15 de abril, mas que vão tentar negociar com os órgãos para antecipar ainda mais.
Os representantes dos bancos também disseram que existe sensibilidade com as demais reivindicações, inclusive com o pedido de suspensão das metas, e que as mesmas serão levadas para avaliação das direções ou serão passadas como recomendação para serem adotadas por todos os bancos.
O Sindicato, no entanto, classifica a resposta dos banqueiros como insuficiente, já que reivindicações importantes, como o fim das demissões imotivadas durante a pandemia, foram prontamente rejeitadas pelos negociadores da Fenaban.
“A não demissão no período de crise é fundamental como política preventiva. Em situações de fragilidade, muitos bancários não conseguem cumprir as metas, o que é um dos principais fatores de demissão. Com o emprego ameaçado, bancários com suspeita de infecção podem ignorar os sintomas e as recomendações de isolamento, ampliando a contaminação. Os bancos não podem criar condições para expor ainda mais os trabalhadores e a população a risco. Vivemos um problema de saúde pública, e não garantir o mínimo de estabilidade na categoria é uma demonstração clara de que não estão preocupados com o alastramento do coronavírus, se aproveitando do cenário de crise para demitir”, ressalta Carlão
Garantia da ultratividade da CCT
Dada a necessidade de suspensão das conferências regionais, estaduais e nacional, além dos congressos e encontros específicos dos trabalhadores de cada banco, para evitar aglomerações e a propagação da doença, o Comando Nacional dos Bancários solicitou a ultratividade dos direitos garantidos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, que vence em 31 de agosto de 2020.
A Fenaban vai levar o tema para ser debatido com os bancos e dará resposta ao Comando Nacional assim que possível.
Defesa do SUS
Após o fim da reunião com a Fenaban, o Comando Nacional dos Bancários permaneceu reunido e destacou a importância da defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e da revogação da Emenda Constitucional 95/2016, que limita os investimentos públicos nas áreas da saúde, educação e diversas outras políticas sociais.
Com informações da Contraf

