Reunidos em plenária virtual na noite desta quinta-feira (27), proposta pelo Sindicato dos Bancários/ES, bancárias e bancários da base capixaba aprovaram o estado de greve a partir desta sexta-feira (28). Com a deliberação, a categoria fica em prontidão para decretar uma greve por tempo indeterminado nos próximos dias, caso as negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não avancem. A decisão pelo estado de greve é uma resposta dos bancários e bancárias do Espírito Santo ao desrespeito dos bancos com a categoria na mesa nacional de negociações.
No momento em que acontecia a plenária, o Comando Nacional dos Bancários continuava reunido com os representantes dos bancos na 12ª rodada de negociações. Na rodada de quarta-feira (26), a Fenaban manteve a proposta rebaixada que impõe perda de 1,50% à categoria. Os bancos oferecem um reajuste de 2,57% sobre salários, demais remunerações e auxílios, ou seja, o índice não repõe nem a inflação do período (62% da inflação). O Comando rejeitou a proposta na mesa. As negociações desta quinta-feira não têm previsão para terminar.
Na plenária, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador-geral do Sindicato e integrante do Comando Nacional, fez um resumo das negociações. O dirigente criticou a intransigência da Fenaban que insiste em impor perdas à categoria. Até o momento em que participou da plenária, por volta das 19h, Carlão relatou que as negociações de hoje, iniciadas pela manhã, não tinham avançado em relação à proposta rejeitada na quarta-feira. “A Fenaban está provocando um verdadeiro caos no processo negocial com propostas rebaixadas para tumultuar a mesa. Não está havendo respeito à categoria por parte dos bancos. Eles recorrem a ameaças para impor uma proposta indecorosa aos trabalhadores. Precisamos tomar uma atitude à altura”, salientou.
O dirigente afirmou que é hora de manter a categoria unida e coesa para enfrentar os bancos. Carlão destacou que o pleito da categoria de 5% de aumento real ainda é muito pouco frente ao resultado astronômico dos bancos, que somaram lucro de R$ 182 bilhões em 2025.
Limite
Sobre o desdobramento das negociações e a aproximação da data-base (31), Carlão afirmou que o Comando estabeleceu que o limite para os bancos apresentarem uma proposta decente se encerra nesta sexta (28).
Os dirigentes do Sindicato que representam os empregados da Caixa e do Banco do Brasil na mesa de negociações específicas também fizeram um balanço negativo das negociações até aqui. Ronan Teixeira, que faz parte do Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE), disse que a Caixa também está em compasso de espera aguardando o desfecho da mesa nacional. “A Caixa prometeu dar uma devolutiva sobre o Saúde Caixa nesta sexta”.
A dirigente Nathalia Gallini, representante da Fetrafi RJ/ES na mesa de negociações do BB, também disse que a mesa específica do BB está amarrada à nacional. “Não tenho nenhuma novidade, além das informações que já compartilhamos com a categoria referente às rodadas anteriores. A rodada de quarta foi cancelada e a expectativa é de que a mesa seja retomada ainda hoje” [a mesa acabou sendo retomada após a plenária].
O dirigente do Banestes Marcelo Giacomin fez avaliação semelhante. Afirmou que o Banestes não apresentou devolutiva em relação às reivindicações econômicas, alegando que esperaria uma posição da Fenaban. Giacomin disse que a comissão de negociação do Sindicato, desde as primeiras rodadas, insistiu que as reivindicações econômicas apresentadas na minuta não tinham relação com a discussão nacional. “Os banestianos e banestianas acumulam uma perda histórica de 33,31%. Essa é uma questão específica entre o banco e os banestianos”.
Indignação
Nas falas anteriores à votação que deliberou sobre o estado de greve, os bancários que se manifestaram na plenária demonstraram indignação com o desrespeito da Fenaban na mesa de negociações. Um bancário desabafou: “O que incomoda os banqueiros é parar a produção. Temos que ter consciência neste momento, deixar o medo de lado e decretar uma greve”.
A dirigente do Sindicato Rita Lima se disse solidária com o desabafo dos colegas. “Esse sentimento de indignação é de todos nós. Já participei de diversas mesas de negociações ao longo da minha trajetória sindical, sinceramente não me lembro de ter visto uma mesa com postura tão desrespeitosa como a atual. Eles humilham, subestimam a categoria. Como se não soubéssemos avaliar nossa produção, que rende lucros bilionários aos bancos”. A dirigente acrescentou: “Não vamos assinar um acordo que imponha perdas salariais à categoria”.
Encaminhamento
O secretário-geral do Sindicato, Claudio Merçon (Cacau), que conduziu a plenária, colocou a proposta em votação que foi aprovada pela grande maioria dos presentes. Após o término da votação, Cacau anunciou que a base capixaba aprovou o estado de greve a partir desta sexta-feira (28). Em seguida, o dirigente encerrou a plenária.









