
Nesta quarta-feira, 30, bancários e bancárias da Caixa comemoram 34 anos de uma conquista histórica: o direito à jornada de 6 horas, que veio acompanhado do seu reconhecimento como trabalhadores bancários e do direito à sindicalização.
A conquista das 6 horas para os então economiários da Caixa Econômica Federal foi resultado de uma greve nacional de 24 horas, em 30 de outubro 1985, que marcou a história de luta da categoria, dando início uma tradição entre os trabalhadores do banco de deflagrar greves nacionais amplas e unificadas. No Espírito Santo, os capixabas se engajaram e 100% das agências foram paralisadas.

Assembleia que deflagrou a greve das 6h no Espírito Santo
Apesar de parecer uma conquista consolidada, o direito à jornada de 6 horas ainda precisa ser defendido. Não raro, os bancários da Caixa enfrentam pressão para estender o horário de trabalho, a exemplo da flexibilização imposta pelo calendário de saques ao FGTS. A própria reforma trabalhista, que permite ampliação da jornada mediante acordos individuais, também coloca a categoria em alerta para manter esse direito.
A carência de pessoal, elevada pelas inúmeras reestruturações, é outro fator que sobrecarrega os bancários e pressiona o descumprimento de jornada por parte do banco. Entre 2015 a 2018, foram fechados 14.369 postos de trabalho na Caixa em função dos Programas de Preparação para a Aposentadoria (PPA) e dos Programas de Desligamentos Voluntários (PDV) lançados pelo banco.
Para Renata Garcia, diretoria do Sindibancários/ES e empregada da Caixa, resgatar a história dessa conquista é essencial para fortalecer os processos de luta atuais e resistir às investidas do governo contra os empregados.
“Essa é a nossa maior conquista, que nos constitui como categoria. Foi a partir dela que tivemos direito à organização e passamos a ser reconhecidos como bancários. Temos que reafirmar essa história sempre, para resistirmos juntos”.
Renata lembra que na última Campanha Nacional os empregados da Caixa tiveram uma derrota, perdendo o direito de realizar o intervalo de 15 minutos intrajornada. Mais um motivo, segundo ela, para manter a luta pelas 6 horas viva.
“A jornada de 6 horas para os bancários não é um privilégio, mas sim o reconhecimento de que a atividade bancária, pelas suas características, é extremamente desgastante para o trabalhador, que amarga um alto índice de adoecimento físico e psíquico. O banco sempre tentará nos impor mais trabalho, e cabe a nós resistir”, conclui a diretora.

As origens da greve de 1985
As mobilizações que resultaram na greve de 1985 começaram muito antes, em 1981, quando a Caixa admitiu 20 mil escriturários básicos por meio de concurso, que ingressaram no banco ganhando salário 50% inferior ao dos funcionários que já trabalhavam na instituição.
A diferenciação causou descontentamento nos trabalhadores, que reivindicavam isonomia de tratamento. Diante das pressões, a Caixa realizou, em 1984, dois processos seletivos internos que possibilitavam o enquadramento de apenas 4 mil dos 20 mil escriturários básicos. Alguns bancários, em São Paulo, em forma de protesto se negaram a fazer as provas. Eles foram demitidos, o que gerou uma grande mobilização em prol da reintegração desses trabalhadores, pelo enquadramento dos 20 mil escriturários aprovados no concurso, pela jornada de seis horas, pelo reconhecimento dos funcionários da Caixa enquanto bancários e pelo direito à sindicalização.
Dessa grande paralisação nacional foi iniciada na Caixa uma tradição de deflagrar greves nacionais amplas e unificadas.







