Fotos: Sérgio Cardoso
Bancários e bancárias da Caixa se reuniram em congresso específico na sexta-feira, 24, para debater sobre o Saúde Caixa e condições de trabalho. Além de elegerem os delegados e delegadas para a etapa nacional, a categoria definiu os eixos de luta específicos do Saúde Caixa, saúde e condições de trabalho e Funcef.
Representantes da Apcef/ES, Fetraf RJ/ES e de outros sindicatos também estiveram presentes e reafirmaram o apoio ao Sindibancários/ES e à luta pela defesa dos interesses dos bancários e bancárias da Caixa.
Saúde Caixa
André Tosta, diretor do Sindibancários/ES e Conselheiro no Conselho de Usuários da Caixa, fez um resgate da origem do Saúde Caixa, como o princípio de solidariedade do plano, passando por sua ampliação e consolidação até como está hoje, abordando os desafios atuais.

André Tosta, diretor do Sindibancários/ES e Conselheiro do Conselho de Usuários
“Fizemos uma retomada histórica das conquistas que nós tivemos com o plano de saúde, desde o ACT de 2001, passando por todo o período de estabilidade até 2018, e retomando todo o desmonte que o Saúde Caixa passou a partir de 2018 com as normas da CGPAR e com o governo Temer. Por fim, nós retiramos os eixos principais de luta deste ano para a defesa do Saúde Caixa. Em especial, a queda do teto de 6,5% sobre a folha de pagamento, que é imprescindível para a gente retomar o equilíbrio fiscal do plano, e também retomar a proporcionalidade de custeio de 70-30, 70% do custeio ser pela Caixa e 30% ser pelos empregados”, afirmou André.
Também foram discutidos os desafios estratégicos e estruturais para o plano e de melhoria da sua qualidade. “Nós tivemos um sucateamento do plano, principalmente com o fim das gerências de pessoas locais, as Gipes, a gente precisa que a administração Saúde Caixa saia da terceirizada, que atualmente presta um péssimo serviço aos usuários, e volte para ser executada pelos empregados Caixa dentro das gerências de pessoas a nível local”, frisou o dirigente.
Durante o debate, múltiplas falas ressaltaram a urgência de reforçar a luta coletiva e unificar os empregados em torno da defesa do Saúde Caixa.
“O tema do Saúde Caixa continua nos assombrando e esse ano está novamente integrado ao acordo coletivo, então vamos enfrentar os mesmos problemas de a Caixa querer que a gente cubra o déficit e não querer fazer a sua parte. Nós queremos que o teto de gastos seja derrubado, que permaneçam todos os princípios do plano, do mutualismo, respeito ao pacto geracional e que a gente consiga avançar na inclusão dos mais novos para levar o saldo de caixa para a aposentadoria. Não interessa se eu já tenho esse direito, quem entra também tem que ter o mesmo tratamento isonômico dos que já estão”, completou Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES.
Eixos de Luta Específicos – Saúde Caixa
- Saúde Caixa para todos e todas: garantia dos princípios do mutualismo, do pacto intergeracional e custeio 70% a 30%.
- Melhoria da qualidade no atendimento, com comitês de credenciamento por estado.
- Retorno das Gipes estaduais como gestoras do Saúde Caixa.
- Lutar pelo retorno do modelo de custeio 70% a 30% sobre as despesas assistenciais.
- Manutenção do pacto intergeracional, com a manutenção de mensalidade proporcional à remuneração base (RB) de cada empregado(a), seja ativo ou aposentado.
- Pela derrubada do teto dos gastos do Estatuto da Caixa e do ACT.
- Eleição para o Conselho de Usuários do Saúde Caixa e o seu fortalecimento, passando de Consultivo para Deliberativo.
- Exigir da Caixa prestação de contas mensais do plano com ampla divulgação a todos titulares.
- Ampliar os comitês de credenciamento garantindo um estado

Condições de Trabalho
Dando continuidade aos debates, os diretores Igor Bongiovani e Ronan Teixeira debateram sobre as condições de trabalho, dando ênfase no Super Caixa e nas promoções por mérito. A mesa foi conduzida pela diretora de base Gabriela Pereira da Silva.
O Super Caixa, implementado ano passado, tem gerado insatisfação e sentimento de desvalorização entre os trabalhadores do banco. Bancários e bancárias começaram a comparar valores dos bônus e perceberam que os valores da matriz são maiores e para a rede são menores.
Também é importante ressaltar que a Caixa não discutiu com o movimento sindical, ela simplesmente implantou o programa.
Na avaliação de Ronan, o movimento sindical sempre lutou por uma remuneração igualitária para todos os trabalhadores, contudo, já que o banco impõe um projeto de remuneração variável, ele precisa ser transparente: “É preciso corrigir distorções, ampliar o orçamento do programa e garantir critérios justos e transparentes. Não pode ter qualquer tipo de obscuridade ou falta de clareza e objetividade em relação às regras do programa”.
Além disso, por atrasos da Caixa, há bancários e bancárias sem receber a comissão da renda variável daquilo que venderam. “Tiramos algumas propostas no sentido de cobrar da Caixa que assegure o acordo que ela pactou, pois não tem sentido as pessoas venderem e não serem remuneradas por isso. Então, se vendeu, tem que ser remunerado. A gente quer que a Caixa zere esse passivo na negociação, evidente, mas se for necessário a gente vai ajuizar”, declarou Rita Lima.
Quanto à Promoção por Mérito, o diretor Igor Bongiovani destacou os deltas e os critérios para atingi-los, como a realização de um curso do programa de qualificação, a qualificação de vida, que pode ser a imunização da vacina, o que foi feito. Também foram definidos critérios para conseguir o segundo delta.
“O ponto-chave é que as promoções por mérito conciliam a saúde do trabalhador para alcançá-las, uma vez que estão intimamente ligadas com o atingimento de meta. Além disso, para se conseguir o segundo delta, o bancário depende do orçamento da Caixa e da quantidade de funcionários que vão receber a promoção, visto que nem todos que atingem os critérios do segundo delta necessariamente vão receber o segundo delta, ou seja, o bancário depende de fatores que não estão ligados exclusivamente ao seu desempenho. Então, isso faz com que o trabalhador fique pressionado a buscar metas a todo custo para conseguir uma remuneração que ele nem tem garantia de conseguir”, enfatizou o dirigente.
Eixos de Luta Específicos – Saúde e condições de trabalho
- Jornada de 4 dias semanais sem redução salarial e com jornada de 6h
- Fim do instrumento de Gestão de Pessoas (Minha trajetória)
- Licença menstrual
- Retorno das Gipes estaduais.
- Fim do assédio moral e sexual.
- Fim das metas e implantação de modelo de gestão de combate ao adoecimento físico e mental.
- Melhoria do parque tecnológico e software.
- Implantação de política específica sobre condições de trabalho para PCD’s.
- Contratação de mais empregados.
- Ampla divulgação e debate prévio com empregados/CEE dos programas Caixa Verso e Teia Digital.
- Igualdade salarial e de oportunidades entre homens e mulheres no encarreiramento/PSIs.
- Condições de trabalho seguras e não adoecedoras.
- Valorização de empregados e empregadas
Eixos de Luta Específicos – Funcef: patrimônio que precisa ser preservado
- Fim do equacionamento sem retirada de direitos.
- Garantia de que os participantes do REG/ REPLAN NÃO SALDADO tenham os seus direitos diante de qualquer mudança que a Caixa queira implementar em relação ao encarreiramento e ao processo funcional.
- Revisão estatutária para o restabelecimento de todas as garantias retiradas na alteração irregular iniciada em 2018 e finalizada em 2022.
- O fim do voto de minerva.
- Incorporação do REB ao novo plano com preservação e direitos.
- Lutar pela redução na taxa de juros do CREDPLAN.

Delegados do Conecef
Durante o evento, foram eleitos os delegados e delegadas, entre titulares e suplentes, que representarão a Fetraf/RJ-ES no 41º Conecef, que acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de junho, em São Paulo. Conheça:
- André Tosta (ES)
- Cláudio Bastos (ES)
- Edmar Martins André (ES)
- Emannuelly Valladares Teixeira (ES)
- Fernando Correia de Sá (RJ)
- Gabriela Pereira da Silva (ES)
- Gilsara Ventura da Silva (ES)
- Igor Bongiovani Vasconcelos (ES)
- Jackeline Scopel Pereira (ES)
- Jackson da Silva Siqueira (RJ)
- Reginaldo Barcellos Correio de Mello (ES)
- Rita Lima (ES)
- Ronan Vieira Teixeira (nato – ES)
- Teresa Alves Lobo (ES)
- Vanessa Vilarinho Moraes (ES)
- Vander Alexandre de Menezes (RJ)

