Os bancários e bancárias capixabas da Caixa discutiram e aprovaram na tarde desta sexta-feira, 26, as propostas para a Campanha Nacional especifica da categoria e que serão apresentadas no 36° Conecef. Trabalho remoto, saúde e condições de trabalho, estratégias para a campanha e a defesa do Saúde Caixa para todos foram os temas centrais do debate. A atividade foi realizada por meio de videoconferência.
A conjuntura atual coloca uma série de desafios para a campanha deste ano, como destacou a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima. “Nossa campanha ocorre em meio a grave crise do capitalismo e sanitária a nível mundial e ainda, no Brasil, temos além da crise econômica, sanitária e social, temos uma crise política gerada pelo Bolsonaro, que gera instabilidade política com fortes ameaças à democracia brasileira. Temos um governo com fortes tendências ao neofascismo e ultraliberal, com projeto claro de retirada de direitos e entrega do patrimônio público, como a Caixa e o BB. O Brasil e os brasileiros não terão futuro se Bolsonaro e Mourão continuarem governando. Por isso, unificar as forças democráticas, populares e de esquerda para derrotar o neofascismo e as medidas antinacionais e antipopulares é urgente e necessário”, enfatiza Rita.
Diante desse cenário, a defesa da mesa de negociação única se torna outro desafio crucial para a categoria bancária. “A Convenção Coletiva é uma conquista da luta unificada e devemos lutar para que a mesa única com a Fenaban prevaleça. No governo Bolsonaro, a negociação ficou muito pior. Em tempos de pandemia temos que ser criativos em nossa Campanha Nacional. Não devemos desanimar se as circunstâncias dificultam nossa mobilização. Por isso, vamos usar as redes sociais para chamar uma greve, se for necessária fazê-la, vamos defender o Saúde Caixa para todos, derrubar Bolsonaro, defender os bancos públicos, nos mobilizar para defender nossos direitos”, reforça Rita Lima.
Trabalho Remoto
O Congresso contou com a participação do diretor do Sindicato dos Bancários de Blumenau, Edson Heemann, que também falou sobre os desafios para a Campanha Nacional deste ano. Heemann destacou o que tornou-se uma das pautas mais urgentes para os trabalhadores: o trabalho remoto. Com a pandemia da covid-19, o trabalho remoto, ou home office, foi adotado por muitos bancos. Esse modelo de trabalho, no entanto, traz uma série de desvantagens para os trabalhadores, que precisam ser discutidas.
“Não podemos deixar esse assunto de lado nas negociações deste ano. O home office chegou atropelando o trabalhador, que se vê obrigado a arcar com os custos de energia, internet, água e outros. Se esse trabalhador se acidenta em casa, será acidente doméstico ou de trabalho? Vai emitir CAT? Temos que criar uma pauta de proteção a esse trabalhador, debater no Comando Nacional e levar para a negociação”, enfatizou Heemann.
Os bancários e bancárias da Caixa que estão em home office já sentem as algúrias desse modelo, como o excessivo controle da chefia, imposição de metas, flexibilização da jornada de trabalho, isolamento social e, para as mulheres em geral, um aumento expressivo da sobrecarga de trabalho, já que em grande parte das famílias não há divisão do trabalho doméstico.
Caixa 100% pública
A defesa da Caixa 100% pública continua como um dos eixos prioritários da Campanha Nacional deste ano. Com o avanço da política econômica ultraliberal do governo Bolsonaro, os bancos públicos estão na lista das instituições a serem privatizadas. Mesmo em meio a pandemia, o governo Bolsonaro retoma as privatizações. Na Caixa, a proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, é vender as operações de Seguros, Cartões, loterias e Asset.
“Diante de todas essas ameaças, mais do que nunca, uma de nossas prioridades centrais nesta campanha, e para além dela, é a defesa da Caixa 100% pública. Nesta pandemia que enfrentamos, a Caixa mostra a importância do banco público, sendo a instituição que ficou na linha de frente para o pagamento dos auxílios e benefícios emergenciais. Nessa luta, também é fundamental impedir o avanço dessa gestão voltada exclusivamente para o mercado, em detrimento da função social do banco. Essa responsabilidade é de todos nós, empregados e empregadas da Caixa”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Renata Garcia.
Saúde e condições de trabalho
Em meio a pandemia da Covid-19, os bancários e bancárias da Caixa foram os que mais ficaram expostos ao risco de contaminação, uma vez que o banco foi o principal executor da política de assistência aos trabalhadores, responsável pelo repasse de recursos financeiros. Mesmo diante da maior crise sanitária das últimas décadas, a Caixa contratou novos empregados sem direito ao Saúde Caixa.
“Estamos no meio dessa pandemia com problemas sérios no Saúde Caixa. O maior banco público do país contratou 2 mil empregados sem direito ao plano e com uma assistência médica precária, que não garante sequer 100% de reembolso com as despesas de saúde. Ou seja, a Caixa expõe esses empregados a um alto risco de contaminação e não garante sequer um plano de saúde digno. Somente no Espírito Santos, 39 bancários e bancárias foram contaminados pela covid-19, sendo que um deles, infelizmente, veio a óbito”, enfatizou a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.
A restrição do direito ao Saúde Caixa é resultado do último acordo coletivo da categoria, que impede a oferta do plano para bancários e bancárias contratados após 2018. Além desse golpe, as resoluções 22 e 23 da CGPAR, publicadas pelo governo Temer em 2018, e a alteração no estatuto da Caixa estipularam o limite correspondente a 6,5% da folha de pagamento para a participação do banco nessas despesas, à revelia do que prevê o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
A diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, também participou do debate e fez um resgate histórico da luta dos bancários da Caixa por um plano de saúde sustentável e para todos. Fabiana falou sobre os problemas enfrentados pelos empregados com o antigo PAMS e quais são, hoje, os desafios em defesa do Saúde Caixa.
“É imprescindível a eliminação do teto de gastos. Não se sustenta um modelo de assistência médica que tenha teto de gasto para seu patrocinador. Tivemos essa experiência com o PAMS e vimos onde deu. Além de derrubar essa questão, é urgente lutar pela inclusão dos novos empregados e pela garantia da solidariedade no plano”, destacou Fabiana.
Confira os eixos aprovados:
- FORA BOLSONARO/MOURÃO. ELEIÇÕES GERAIS.
- PELAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS
- DEFESA DAS EMPRESAS PUBLICAS
- DEFESA DA CAIXA 100% PÚBLICA
- DEEFESA DO EMPREGO
- CONCURSO PÚBLICO E CONTRATAÇÕES DE NOVOS EMPREGADOS JÁ!
- SAUDE CAIXA PARA TODOS.
- EM DEFESA DA FUNCEF
- FIM DO ASSÉDIO MORAL, DO GDP E DAS METAS
36º CONECEF
Os bancários e bancárias também aprovaram assinar o manifesto em defesa da Funcef. Ao final do Congresso, foram eleitos os delegados que vão representar os bancários e bancárias capixabas no 36° Conecef. Confira:
Representante dos bancários aposentados:
- Rita Lima
Representante dos bancários da ativa:
- Lizandre Borges
- Renata Garcia
- Jackeline Scopel Pereira
- Igor Bongiovani Tavares de Vasconcelos
- Sétimo Araújo
Suplentes:
- Kerley Soares Herculano
- Fabíola Rodrigues Garcia
- Vinicius Moreira da Silva

