
Bancários do Itaú, Bradesco e Santander reunidos em congresso específico (Fotos: Sérgio Cardoso)
A manutenção do emprego e o fim das metas e do assédio moral estão entre as prioridades dos bancários do Itaú, Bradesco e Santander para a Campanha Nacional 2022. Os capixabas se reuniram em congresso estadual específico na tarde desse sábado, 14. O evento iniciou os debates sobre a minuta de reinvindicações deste ano, que será definida nos fóruns nacionais da categoria.
O técnico do Dieese Fernando Benfica, palestrante convidado, trouxe dados que corroboram a preocupação dos trabalhadores com o emprego. A despeito do desempenho positivo dos bancos anualmente, o emprego tem sido altamente impactado pelas reestruturações no sistema financeiro.
Digitalização muda perfil de empregados

Na tela, o técnico do Dieese, Fernando Benfica, que participou de forma remota; ao microfone, Cacau Merçon, diretor do Sindibancários/ES
Segundo Benfica, de 2013 a 2021 o setor bancário eliminou quase 76 mil postos de trabalho. Dados entre 2020 e 2021 mostram em alguns bancos um ligeiro aumento no quadro de pessoal, mas insuficiente para reverter a tendência de queda. Isso porque, na medida que a digitalização se amplia nos bancos, as agências tradicionais vão sendo substituídas por novos modelos, que requerem outro tipo de profissional.
“Mesmo quando há criação de postos de trabalho, o perfil dos bancários contratados agora é completamente diferente. Eles querem um novo bancário, com outra formação, mais conectado à tecnologia, que opere o crédito de forma diferente da tradicional”, explica Fernando, sobre um movimento de substituição que fica mais evidente a partir de 2018, após um grande enxugamento de trabalhadores no setor.
O Itaú foi um dos bancos que apresentou saldo positivo no emprego em 2021, com concentração das contratações nas áreas de Tecnologia da Informação e Investimento. Passou de 11 para 14 mil o número de trabalhadores vinculados à tecnologia. Já no Bradesco, no entanto, houve redução de 1200 postos de trabalho.
Demissões no Espírito Santo
No Espírito Santo, o estoque de emprego bancário teve redução de 587 postos entre 2019 e 2020, reduzindo de 7.033 para 6.446 o número de trabalhadores bancários – uma queda de 8,3% em apenas um ano. Em 2021 e 2022 foi observado ou um saldo positivo, que está longe de superar a redução de 318 postos ocorrida em 2020.
O diretor do Sindibancários/ES Claudio Merçon (Cacau), que é empregado do Santander, observa que essa redução no emprego bancário indica um grave movimento de precarização do trabalho. “Boa parte dos empregados que saem do banco continuam trabalhando no ramo financeiro, mas fora do guarda-chuva da Convenção Coletiva, ou seja, com menos direitos”. E expõe outra preocupação relacionada às demissões: “temos trabalhadores que pedem demissão porque não suportam mais a pressão por metas e o adoecimento”, afirma. A informação é reforçada pelo diretor Iracélio Lomes, do Bradesco. “Essas demissões ‘voluntárias’ são algo que também identificamos em outros bancos e que não víamos acontecer no passado com essa intensidade”, diz.
Bancos lucram com crescimento da pobreza
Ao apresentar os dados de demissões, o técnico do Dieese também destacou como o corte de empregados continua sendo pilar para redução dos custos dos bancos e, consequentemente, para os seus lucros – que seguem crescendo, mesmo com o cenário de recessão econômica enfrentado pelo menos desde 2013.
A somatória do lucro dos três gigantes privados no primeiro trimestre do ano foi de R$ de 18,4 bilhões. Também cresceram os indicadores de rentabilidade e o volume de negócios, com performance menos expressiva do Santander em relação aos seus pares, mas igualmente positiva.
Um outro indicador, todavia, manteve curva ascendente: o crédito de pessoas físicas. O dado está intimamente ligado ao cenário socioeconômico do país, como explica Fernando. “O crescimento extraordinário do crédito rotativo revela o alto endividamento dos brasileiros, com persistência da recessão, queda da renda do trabalho, desemprego e inflação alta até para itens de subsistência”.
“A situação da classe trabalhadora no Brasil está sendo benéfica para os bancos, no sentido de eles ganharem mais com a concessão desse tipo de crédito”, conclui.
O congresso dos bancários de bancos privado integrou a programação do 7º Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias, que acontece até domingo, no Hotel Praia Sol, na Serra.

