A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu na última quinta-feira (29) com representantes do banco para mais uma rodada de negociação sobre as políticas de diversidade e inclusão da empresa. Esse é o segundo encontro entre a COE e a instituição para debater o tema.
Durante a reunião, o banco exibiu os dados do censo realizado com seus trabalhadores e defendeu algumas de suas iniciativas adotadas para promoção da diversidade no ambiente de trabalho.
O Santander também apresentou aos representantes dos trabalhadores o programa “Seu Jeito”, voltado aos cuidados com a saúde e o bem-estar dos funcionários. A iniciativa integra um conjunto de ações que visam a construção de um ambiente mais acolhedor, saudável e inclusivo.
Além disso, se comprometeu a disponibilizar aos dirigentes sindicais o acesso ao curso e aos materiais de combate aos assédios moral e sexual e à discriminação, à cartilha de inclusão/acessibilidade e à nova cartilha de tecnologia assistiva. Também foi informado que o Santander está implementando um novo protocolo de prevenção e enfrentamento ao assédio e à discriminação.
Diversidade ainda aquém do que é diversidade
Apesar de positiva a iniciativa de realizar um censo interno sobre diversidade, os dados revelam a falta dela dentro da própria instituição financeira. De acordo com o próprio Santander, participaram do censo proposto cerca de 26 mil trabalhadores, o que representa 51% do quadro de funcionários do banco.
Neste cenário, 58% dos respondentes se autodeclaram brancos; 39,2% pretos e pardos; 2,1% amarelos e 0,2% indígenas. Os números revelam uma inversão da realidade da população brasileira. Enquanto no Brasil a maioria se autodeclara preta ou parda (55,5%), no Santander a maioria dos funcionários é branca.
Em relação à identidade de gênero: 52,7% se identificaram como mulheres cis; 0,2% como mulheres trans; 45,5% como homens cis; 0,2% como homens trans e 0,3% como não-binários. Já quanto à orientação sexual, 87% se autodeclaram heterossexuais; 5,4% bissexuais; 4,5% gays; 1,7% lésbicas e 1,1% pansexuais.
Ações efetivas
O dirigente do Sindicato Cláudio Merçon (Cacau), que também integra a COE do Santander, avaliou como importante o censo para fortalecimento das pautas de diversidade e inclusão, mas cobrou efetividade nas ações para que haja de fato equidade nas diferenças: “Há um mérito nesse censo e diagnóstico. No entanto, mais do que ter os dados, é preciso que o banco apresente uma política efetiva de combate às desigualdades. Inclusive, o que os dados revelam, não é novidade. Precisamos que o banco elabore uma política que incentive mais negros e mulheres em cargos de chefia, que construa ambientes de trabalho saudáveis e seguros para as pessoas LGBTQIAPN+, que possibilite a permanência e ascensão das pessoas com deficiência. Não adianta fazer um censo e não colocar em prática uma mudança efetiva”.
Veja os dados do censo interno do Santander:
Raça – maioria branca
58% se autodeclararam brancos
30,2% pardos
9% pretos
2,1% amarelos
0,2% indígenas.
Identidade de gênero – maioria mulheres cis
52,7% se identificaram como mulheres cis
0,2% como mulheres trans
45,5% como homens cis
0,2% como homens trans
0,3% como não-binários
Orientação sexual – maioria heterossexual
87% se autodeclararam heterossexuais
5,4% bissexuais
4,5% gays
1,7% lésbicas
1,1% pansexuais
0,3% outros
PCDs
52,7% possuem deficiência física
21,6% visual
13,1% neuro divergente, intelectual ou múltipla
12,7% auditiva.
Geração – maioria geração Y ou millenials
69,8% da geração Y (nascidos entre 1981 e 1996)
17,1% da geração X (nascidos entre 1965 e 1980)
12,8% da geração Z (nascidos entre 1997 e 2010)
0,3% baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964)
(Com informações da Contraf)

