
Fotos: Sérgio Cardoso
A crise do capitalismo, o processo de retirada de direitos dos trabalhadores, a ascensão de governos autoritários e a política de favorecimento ao setor empresarial no Espírito Santo foram os principais temas discutidos na manhã deste sábado no 6º Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias. A mesa de análise de conjuntura teve como convidados o cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia, Jorge Almeida, e o advogado trabalhista, André Moreira.

Na análise do cenário político e econômico do Brasil e do mundo, o professor Jorge Almeida destacou o momento pela qual passa o Brasil, sob um governo focado na desestatização, na quebra de direitos sociais e que ameaça a democracia brasileira.

Professor Jorge Almeida (Foto: Sérgio Cardoso)
“Os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros enfrentam uma situação difícil. O objetivo central desse governo é justamente a quebra dos direitos dos trabalhadores, o enfraquecimento da riqueza nacional, do estado e das riquezas naturais. Isso se reflete na reforma da Previdência, em uma nova reforma trabalhista que está embutida na reforma econômica, no acordo feito com a União Europeia que vai desfavorecer a indústria nacional e nos ataques ao meio ambiente, com diversas medidas que atingem os quilombolas e a população indígena. Além disso, há ainda todo um discurso conservador que ataca diretamente a população LGBT, as mulheres, e a criminaliza os movimentos sociais”, destacou Almeida.

Advogado trabalhista, André Moreira (Foto: Sérgio Cardoso)
No Espírito Santo, a eleição do governador Renato Casagrande não trouxe mudanças nas diretrizes políticas e econômicas neoliberais adotadas até então, como avaliou André Moreira. “Vivemos no nosso Estado uma sucessão de governo de Paulo Hartung e Casagrande. Houve um rompimento político entre esses dois grupos na última eleição, mas não houve uma ruptura com quem manda de fato na política estadual que é o setor empresarial. Casagrande volta como oposição a Paulo Hartung, mas incorpora sua base, e seu governo é apenas uma sequência do cenário posto desde 2003”, frisou.
Moreira falou ainda sobre a política econômica de Casagrande e como ela afeta os trabalhadores capixabas. “Casagrande mantém a um governo neoliberal, atrelado ao financismo e aos interesses das grandes empresas que atuam no Estado. O que ele tem feito é uma tentativa de organizar as finanças do Estado cortando direitos dos trabalhadores, dos servidores, da população em geral, criando aportes de dinheiro que vão gerar mais lucro ainda para o setor financeiro, como a continuidade das terceirizações dos serviços públicos”, completou.
Diante desse cenário, a saída para os trabalhadores enfrentarem o retrocesso e a retirada de direitos é a união e forte mobilização. “Tudo isso é um conjunto de questões que requerem que os movimentos sindical, popular e estudantil se unam e que tenham uma ação fundamentalmente voltada para suas bases. Precisamos criar uma resistência que tenha condições de barrar esse processo”, finalizou o professor Jorge Almeida.

