Bancários debatem perfil da categoria e teletrabalho para traçar estratégias de luta

04/09/2021 14:44

Mesa de debate da 23ª Conferência Nacional dos Bancários relacionou mudanças no sistema financeiro, perfil da categoria bancária e impactos do home office

O diretor do Sindibancários/ES Cláudio Merçon, o Cacau, foi um dos coordenadores da mesa

Um “retrato da categoria bancária” foi apresentado neste sábado, 04, na mesa que iniciou os debates deste segundo dia da 23ª Conferência Nacional dos Bancários e das Bancárias. Os palestrantes relacionaram temas como o perfil da categoria, as mudanças atuais no sistema financeiro e os efeitos da pandemia junto aos bancários, com apresentação dos dados da última pesquisa de teletrabalho e covid-19. 

A economista do Dieese Vivian Machado traçou um panorama das novas configurações do sistema financeiro, destacando o aumento dos investimentos em tecnologia e ampliação da digitalização, com consequente redução no número de agências e do emprego bancário. 

Gráfico mostra evolução do investimento em tecnologia nos bancos

“Só em 2020, 67% das transações financeiras foram feitas por canais virtuais. No  mesmo ano, o investimento dos bancos em tecnologia chegou a R$26 bilhões. O número de agências segue tendência de queda, especialmente entre bancos privados. Entre 2014 e 2021, foram fechadas 5.246 agências no país”, apontou. 

As mudanças no sistema financeiro também impactam as relações de trabalho e o emprego bancário, como mostram os dados. Entre 2013 e 2020, foram fechados 82 mil postos de trabalho bancário. Mas enquanto o número de bancários reduziu, o emprego formal no sistema financeiro cresceu, com contratos menos remunerados e mais precarizados, como corretores e agentes de seguro, previdência e saúde; trabalhadores de sociedades de crédito; fintechs; correspondentes bancários e mesmo trabalhadores “por conta própria”, num processo de “uberização” que já se expande para as atividades do setor financeiro. 

Contraste entre emprego formal no sistema financeiro, em alta, e queda no emprego bancário

Sobre o perfil dos bancários, destaca-se uma quase equiparação da participação de homens (51%) e mulheres (49%) e uma alta escolarização (76% dos bancários têm curso superior completo). Mantêm-se, no entanto, a disparidade em relação à composição racial, com 72,7% de bancários brancos e apenas 23,7% de pretos e pardos. 

Bancários, a covid-19 e o teletrabalho

Outro elemento que faz parte do processo de reconfiguração do sistema financeiro é o teletrabalho, que foi impulsionado pela pandemia como condição de segurança sanitária. O impacto do home office entre os bancários foi debatido por Gustavo Cavarzan, também economista do Dieese. Ele apresentou os resultados da segunda pesquisa de “teletrabalho e covid-19”, que servirá de base para as negociações com a Fenaban. 

Segundo Gustavo, passado mais de um ano de pandemia foi possível aferir resultados mais sólidos sobre o home office. “Na primeira pesquisa, logo no início da pandemia, a experiência do home office era muito recente. Agora os bancários puderam responder às questões com mais segurança”, lembrou. 

Entre os resultados da pesquisa, Gustavo salientou a persistência de problemas como a inadequação do espaço de trabalho e a falta de estrutura. “Poucos possuem um escritório ou quarto individual para o trabalho, por isso predominam ambientes improvisados. E ainda percebemos uma grande deficiência em relação a equipamentos de ergonomia, cadeiras, problemas de acústica, entre outros”, explicou. 

O aspecto de saúde do trabalhador também levantou preocupação. O levantamento demonstrou que vários sintomas de adoecimento que já fazem parte da rotina da categoria foram acentuados no home office, como dores musculares, desmotivação, cansaço, dificuldade de dormir, crises de dor de cabeça, além do medo de ser esquecido ou dispensado, que se relacionam com uma forte sensação de isolamento. 

Participaram da pesquisa 12.979 bancários de bancos públicos e privados de todo o Brasil. 

Estratégia do Movimento sindical

O secretário de saúde da Contraf, Mauro Salles, fechou a mesa de debate resgatando o conjunto de ações do movimento sindical durante pandemia, como a luta por home office, afastamento dos bancários do grupo de risco,  rodízio, controle de público nas agências, redução do horário de atendimento, fornecimento de EPI´s e protocolos seguros.