Hoje é um dia de manifestações e panfletagem dos bancários em todo o país para denunciar a política de gestão do banco Itaú, que vem fechando agências e demitindo bancários, além de impor aos que ficam metas estratosféricas. Essa situação de sobrecarga de trabalho, comprometimento da qualidade do atendimento aos clientes e usuários – apesar de todo esforço de bancários e bancárias – e insegurança quanto ao emprego vem causando mais adoecimento de funcionários.
“Estamos em frente às agências por tudo isso. Um banco que lucra bilhões de reais não tem justificativa para fazer essa gestão; pelo contrário, deveria abrir mais agências e contratar mais, gerando emprego. A consequência é o adoecimento para a categoria com essas metas abusivas”, afirma Marcelo Delamerlina, diretor do Sindibancários/ES e integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú.
No Espírito Santo, os dirigentes sindicais se distribuíram pelas poucas agências que ainda restam na manifestação de hoje. “A ideia da direção do banco é investir nas agências de negócios, deixando apenas uma agência por município para atendimento ao público, assim mesmo muitas cidades capixabas ficaram sem nenhuma agência no processo de fechamento em curso. Funcionários estão sendo demitidos, outros sobrecarregados e temos muitas pessoas adoecidas e afastadas por problemas de LER/Dort e doenças psíquicas”, conta o diretor do Sindibancários/ES José Carlos Schneider, que passou a manhã na agência Centro Vitória.
Abismo
O Dia Nacional de Luta denuncia o abismo entre os resultados financeiros do Itaú e a realidade enfrentada por quem constrói esses números. O banco acumulou R$ 11,1 bilhão de lucro líquido gerencial no primeiro trimestre deste ano, com rentabilidade sobre o patrimônio líquido de 23,7%.
Em contrapartida, em todo o país 222 agências foram fechadas em doze meses e outras 55 estão em fase de encerramento das atividades. As consequências são 1,4 bilhão de clientes a menos e superlotação nas agências restantes; metas abusivas e crescimento do número de afastamentos por doenças psíquicas. A realocação de empregados que trabalhavam nas unidades fechadas não é garantida para todos. Quando ocorre, a realocação está sendo feita de forma desrespeitosa, pois o banco, em muitos casos, manda o bancário para outro município sob a ameaça de “pegar ou largar”.
A COE e os sindicatos reivindicam que o Itaú respeite sua concessão pública de banco, ponha fim às metas abusivas e demissões, contrate mais trabalhadores e reabra agências essenciais, garantindo segurança e dignidade para quem trabalha.
Fotos: Sérgio Cardoso

